segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Conspiração?

Nelson Barbosa

Sempre que leio por aqui alguém denominando como "teoria da conspiração" os fatos que nos ocorrem de forma tão brutalmente "bizarros" penso logo numa inadequação da expressão que parece jogar tudo numa gaveta de "imaginações férteis" ou de "pensamentos mágicos" que por si se autodesqualificam.

Ora, de mágico não há nada nesses fatos. Eles se ajustam perfeitamente num contexto político de usurpação, de golpe, de traição e desprezo pela democracia, que nada têm de fantasmáticos no sentido de fabulação ou imaginação criativa, como normalmente se vê em séries, filmes e novelas. 

Para além de uma observação enviesada como "conspiração", tais fatos se articulam numa chave de observações totalmente verossímeis, de uma verossimilhança acachapante que nos faz lembrar da elaboração aristotélica de que é a verossimilhança que traz em si elementos mais críveis do que poderia ter acontecido, em detrimento da história que via de regra, em tese, é contada pelo lado vitorioso dos fatos.

Daí porque não simpatizo tanto com quem se apressa em rotular tais observações numa chave de "teoria da conspiração" tout-court.

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