domingo, 31 de dezembro de 2017

2018


Claudio Guedes 

Este ano acaba em algumas horas. Já vai tarde. Não foi um bom ano. Regressão, conflitos, ataques à liberdade e contestações primárias à diversidade da vida marcaram, com uma nódoa sombria, os longos dias de 2017.

A política no país alcançou um grau de irresponsabilidade e leviandade como pouco visto ao longo da nossa história, sem sempre gloriosa, nem sempre cordial.

Uma santa aliança entre os poderosos controladores da grande mídia, do empresariado, da banca (que continua a exercer ampla hegemonia sobre os destinos da nação) e políticos corruptos e hipócritas - alguns mais corruptos que hipócritas, outros mais hipócritas que ladrões - passou a controlar o poder político e segue firme no seu propósito, anti-democrático, de aniquilar as forças políticas que não aceitam essa espúria supremacia.

Um governo medíocre e pusilânime controla o Congresso Nacional a partir de benesses com recursos públicos e tenta enfiar "goela abaixo" da população uma série de reformas que não são - da forma proposta - aceitas pela maioria.

Todo país em desenvolvimento, ou mesmo desenvolvido, precisa sempre reformar leis, regras e procedimentos. Mas as reformas necessárias e possíveis precisam ser frutos de consensos negociados envolvendo o mundo do trabalho, os setores que detém o capital e as forças políticas da sociedade civil, e não apenas maiorias de ocasião constituídas no parlamento, a partir de práticas fisiológicas e corruptas.

2018 não será um ano fácil. Muito pelo contrário.

Os embates possuem datas marcadas, antes, durante e depois dos grandes pleitos que deverão escolher o novo presidente da República, a renovação do Congresso, novos governadores e as Casas Legislativas estaduais.

O governo Temer, acuado, desmoralizado, tentará, nos primeiros meses do ano, emplacar reformas que mexem em direitos dos mais pobres - isto num país já marcado de forma dramática pela desigualdade social. O judiciário politizado, constituído de torquemadas semi-analfabetos, tentará influir de forma decisiva cassando políticos que são seus adversários ideológicos. Os oportunistas e hipócritas de sempre, falsos vestais, protegidos por influentes justiceiros togados, tentarão surfar na onda de descontentamento popular.

Este é o cenário que enfrentaremos. Mas que nunca precisamos de lucidez e clareza. A necessária compreensão de que a democracia é luta cotidiana, é ação continua, é refrega permanente, espaço onde o que hoje se perde amanhã se ganha. Sem desespero, sem pessimismo.

A batalha de janeiro se aproxima, não será um processo simples. Lula precisa ser defendido. Sua causa é a defesa da democracia. Não é possível aceitarmos, no Brasil do século XXI, que um medíocre juiz de 1° Instância queria cassar um líder popular, impedindo-o de exercer o papel politico que o povo venha a ele delegar. Seja na situação, seja na oposição. Não podemos aceitar a judicialização do processo político. Não podemos.

De janeiro à outubro não haverá trégua. Nós, democratas, - pouco importa se de centro, liberais, de esquerda ou de direita, todos que acreditam na democracia como forma superior e civilizada de condução política da sociedade brasileira -, vamos ser chamados a exercer algum tipo de papel, ativo ou passivo.

A indiferença não terá lugar em 2018.

Das ruas às urnas, todos os brasileiros vão ajudar a escrever, para o bem, ou para o mal, a história em um ano decisivo para o país.

Vamos lá, exercer o papel que nos cabe.

Experimento humano é um fracasso colossal

Luis Felipe Miguel

Parece que, neste 2017 que está terminando, a humanidade ganhou mais uns 100 mil anos. Registros fósseis fizeram a origem do homo sapiens recuar para 300 mil anos atrás, em vez dos 200 mil antes estimados.

Estamos atravessando uma quadra histórica em que a impressão é que esse experimento de milênios está resultando num fracasso colossal.

Construímos uma civilização predatória, que condena, simultaneamente, o planeta à destruição e bilhões de pessoas à privação e à violência. O avanço da técnica nos aprisiona mais do que nos liberta. O conhecimento que acumulamos sobre o mundo não nos permite agir com mais sabedoria; nem sequer arranhou nossa consciência, pois milhões ainda acreditam em terra plana, astrologia, meritocracia, livre mercado. Aquilo em que avançamos - o reconhecimento de que mulheres e homens devem ser iguais na autonomia sobre suas vidas, a liberdade para que cada um viva como quiser seus afetos e sua sexualidade - parece servir não como base para novos progressos, mas, apresentado como "ameaça" a ser detida, como combustível para os piores retrocessos. Se um dia sonhamos com liberdade, igualdade, fraternidade e o fim da exploração do ser humano sobre o ser humano, essas metas continuam longe de serem alcançadas.

À meia-noite de hoje, trocamos apenas uma data convencional. Mas a mudança de ano nos ajuda a lembrar que sempre podemos recomeçar - e é isso, mais do que tudo, que merece ser comemorado.

Que em 2018, tenhamos muita disposição para a luta, clareza de objetivos e generosidade, para começar a construir um rumo melhor para essa história de 300 mil anos.

É preciso ter esperança


As principais manchetes de 2017

Vanzo News

ATENÇÃO PARA O MELHOR DAS #VanzoNews de 2017!


“Avião atola em pista de pouso no Acre e passageiros ajudam a empurrar”

“Funerária oferece serviço de drive-thru para velórios”

"Homem é preso após esfaquear a si próprio para não ter que ir trabalhar"

"Motorista bêbado come grama para tentar enganar bafômetro"

"Castor confuso inadvertidamente se torna líder de 150 vacas"

“Mulheres se desentendem e bingo de Tupperware acaba com pedrada”

“Receita Federal alerta para 'Golpe do Amor'”

“Exército chinês quer limitar masturbação entre recrutas”

"Pai que devia pensão alimentícia a ele mesmo é preso por engano no DF"

“Bono Vox invade palco de Noel Gallagher em São Paulo vestido de galinha”

“No dia do aniversário da filha, Latino parabeniza o macaco”

"Alemão confunde abobrinha com bomba da 2° Guerra Mundial"

“Papai Noel quer voltar a bairro onde foi alvo de pedradas”

Alguns estão otimistas com a chegada de 2018


2018 está chegando!


Enganar Trump não é fácil


Não entendeu?


Este ano não foi horroroso


PSOL - Partido Social Lacerdista


As 12 lições do moralismo apolítico – Freixo fala

Por João Feres Júnior

Realmente, não tinha a intenção de escrever esse artigo, pois o tempo é sempre curto e Marcelo Freixo é um político bastante irrelevante no cenário político nacional. Mas, como moro no Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, e na Zona Sul, região onde se concentram seus principais admiradores, não consegui resistir à tentação de escrever algumas notas sobre o que mais me saltou aos olhos na entrevista dada por ele à Folha de S. Paulo. São somente alguns apontamentos seguidos de análises bem breves. Vamos lá.


1. Freixo se expressa muito mal. As coisas que fala, quando escritas, parecem confusas. Comete excessivas sentenças negativas - deve ter lido muito Foucault na graduação de história - o que torna a comunicação bastante equívoca. Responde perguntas com perguntas. Em suma, bastante ineficaz na comunicação para um político com suas pretensões.

2. Começa a entrevista com uma defesa de junho de 2013, quando até os mais bobos já se tocaram da tragédia que aquilo realmente representou para nosso país. Quer dizer, erro aqui. Os mais bobos ainda não chegaram lá. 

3. Atravessa o samba ao citar Boulos como candidato do PSOL, jogada que força o próprio Boulos a soltar carta dando muitas explicações e reafirmando seu apoio a Lula, entre outras coisas.

4. Diz que não é hora de unificar as esquerdas porque a “sociedade precisa enxergar o diferente”.  E se saí com o argumento de que a direita também está fragmentada. Como se a política fosse uma questão de estética. Como se a possibilidade da direita ganhar e continuar o massacre do povo hoje em curso fosse algo que o Brasil pudesse aguentar. Claro, as pessoas que moram no Leblon e em Ipanema certamente podem aguentar e até se contentar com tal destino.

5. Acusa Lula por ter andado com Renan Calheiros em Alagoas, repisando implicitamente a mistificação de que no regime do presidencialismo de coalizão é possível governar sem fazer alianças com setores mais retrógrados do espectro político. É claro que aí ele está jogando para seu eleitorado moralista, que só aceita governo que não faz pacto com “ladrão”.

6. Diz que Lula, “se pudesse, faria todos os acordos que sempre fez”, mais uma vez mostrando aversão à negociação política e posando de santo para o moralismo apolítico da sua audiência.

7. Ao ser instado pela repórter a se comparar a Bolsonaro faz um contorcionismo retórico enorme para evitar a crítica ao deputado direitista. Pelo contrário, o elogia. Diz que sabe “que ele não rouba”, afirmação que no âmbito do moralismo apolítico vale ouro. E fecha falando que o eleitor vê ambos como honestos e corajosos.

8. Quando a repórter tenta trocar de assunto e falar sobre o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e a prisão de seus líderes, ele se esquiva e sai com a brilhante frase: “o grande crime organizado é o PMDB” -- frase que fica mais bem na boca de um coxinha mediota do que de um político profissional.

9. Aí vem aquele que talvez seja o ápice da entrevista. O tema é Moro e a Lava Jato. Freixo começa criticando os excessos do juiz paranaense, mas quando comenta a condução coercitiva de Lula, ao invés de apontar para a ilegalidade e imoralidade do ato de Moro, ele, como que lamentando, diz que a ação do juiz deu a Lula “a oportunidade de virar a chave e criar uma resistência muito mais aguda do que existia até então”. É o fim da picada. A aversão a Lula demonstrada por Freixo é assustadora. Mesmo perante um flagrante delito de Moro ele é incapaz de emitir palavra simpática ao petista. Como se a resistência à Lava Jato fosse sempre ruim. 

10. Momento pitoresco. De passagem defende Sergio Cabral, criticando a divulgação do vídeo dele no presídio feita pelo Fantástico. Aqui há alguma coerência, mas biográfica e não política. Freixo sempre “conversou” com a turma do PMDB da Alerj, a despeito de sua postura de virgem imaculada para sua "galera". E é sabido que Cabral mais de uma vez disse para a polícia poupar Freixo e sua turma da porrada distribuída fartamente em manifestações. Contudo, Lula não é objeto da mesma generosidade. Pelo contrário, a ele é proibido “conversar” com o PMDB.

11. Depois desses comentários ambíguos acerca de Moro e Lava Jato, batendo em Lula e poupando Cabral, Freixo fecha dizendo: “essas coisas não podem ser secundarizadas porque a tal da investigação contra corrupção é importante. Não dá para achar que os fins justificam os meios. Agora, isso faz com se pegue tudo o que está sendo feito pela Lava Jato e se jogue fora? Não”.

12. O apoio à Lava Jato é elemento definidor do moralismo apolítico. Mas não deixa de ser deprimente ver um deputado do Rio de Janeiro, alguém que diz se orgulhar tanto de representar fluminenses e cariocas, não reconhecer o imenso mal que a Lava Jato fez e está fazendo a seu estado. É claro, novamente, quem sofre mais com desemprego, a falência dos serviços públicos e a depressão econômica generalizada são os pobres. Mas o moralismo apolítico não está muito aí para eles, venhamos e convenhamos. Na verdade, os eleitores de Bolsonaro, também adeptos da mesma doutrina, têm projetos mais definidos do que fazer com o excedente de pobres. 


Há uma nota adicional que decidi não inserir na numeração original para que a contagem total não pareça algum tipo de piada ou trocadilho. Ela diz respeito a um elemento de gênero bastante incômodo na entrevista, que aparece quando Freixo relata sua adesão ao nome de Boulos. Ele diz que estava tomando café com sua companheira ...:

“Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhos dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: "Opa, ali tem caldo".

É peculiar a maneira como se refere à Antônia, sua companheira. Eles estavam conversando, mas seu convencimento não foi produto de um bom argumento, articulado por ela, mas por uma reação física, um sinal de intuição. Tal interpretação é reforçada pela frase anterior, no qual ele a chama de “termômetro” – instrumento que usamos para fazer coisas inteligentes, mas que, em si, é objeto inanimado, incapaz de reflexão. Aqui o entrevistado me parece resvalar para um tropo clássico do discurso machista que é ressaltar o poder de intuição da mulher, que sempre vem em detrimento do direito ou capacidade de ela se constituir em interlocutor racional. Tanto é que, logo em seguida, ele declara que foi testar a intuição de Antônia com sua equipe. Isto é, submetê-la à luz da razão.

É curioso notar como esse tratamento dispensado por ele à figura de sua companheira faz lembrar a lírica do próprio Caetano Veloso, cujo círculo de “intelectuais do meio artístico” Freixo confessa frequentar, na casa de Paula Lavigne. Diria que tal lírica frequentemente tem uma pegada freyreana (de Gilberto Freyre), que é a do reconhecimento assimétrico da diferença: o diferente (negro, mulher, índio, etc.) é objeto de uma elegia que, ao mesmo tempo, o coloca em seu devido lugar, sempre inferior ao do narrador. Por sinal, se não ficou claro o argumento aqui, ouçam o bolerinho Elegia, composto e gravado pelo próprio Caetano, com letra de John Donne, que descreve em detalhe tal situação de reconhecimento assimétrico da mulher por um eu lírico masculino. Funciona muito bem na voz de um artista, ainda que eu possa imaginar que tal letra secular fira algumas sensibilidades do presente. Na fala de um político...hmmmmm, not so much!

É claro que em situações como a do presente artigo, de comunicação remota (interpretar uma entrevista de pessoa que não conhecemos a fundo), deve restar a dúvida se a causa de tantos “problemas” é malícia, imperícia ou ignorância do entrevistado. Não precisamos, contudo, entrar nesses meandros para lamentar a pedagogia mesquinha e mistificadora das ideias de Freixo. Sendo político, ajuda a propalar um discurso de ojeriza à política, em nome de uma moralidade burra que não resiste aos testes mais imediatos da realidade.

Ele nunca leva em consideração o fato que nosso regime político é o presidencialismo de coalizão e que os projetos alternativos hoje politicamente viáveis vão todos no caminho do cerceamento do voto popular. Não, prefere acusar Lula de fazer alianças, mesmo quando não há alternativa melhor para se governar o país. Cala-se perante o descalabro de Moro e da Lava Jato, que estão jogando na lata do lixo a tradição de direito garantista em nosso país – coisa que deveria ser preocupação de primeira ordem para um militante dos direitos humanos. Perde a oportunidade de marcar diferença entre ele e Bolsonaro, um político que prega sistematicamente o desrespeito aos direitos humanos. Tudo isso para qual finalidade? Se apresentar como campeão da honestidade? 

Fico imaginando o estrago que uma candidatura de Boulos pelo PSOL fará à imagem do próprio Boulos e a de seu movimento, o MTST. Ter que lidar com militantes como Freixo e muitos outros bastante piores -- ele está longe de ser o mais moralista e antipolítico entre seus pares --, não é tarefa fácil nem do ponto de vista interno, organizacional, da campanha, quanto mais externo, isto é, na administração da imagem pública da candidatura. O paradoxo já está explícito na resposta de Boulos à entrevista: ou ele transforma o PSOL em um partido verdadeiramente de esquerda, focado nas questões populares fundamentais, ou o PSOL afunda sua candidatura, e com ela sua reputação. Agora, quem em sã consciência imagina que pode mudar por dentro o udenismo do PSOL, que aqui venho chamando candidamente de moralismo apolítico?  

É claro, a postura anti-Lula e antipetista de Freixo se encaixa como uma luva na agenda da Folha de S. Paulo. Sugiro ao leitor visitar o Manchetômetro (www.manchetometro.com.br) e ver o perfil da cobertura que esse jornal dedica ao ex-presidente e a seu partido. Claro que o entrevistado sempre tem a escolha de falar o que o jornal e seus leitores querem ouvir, falar coisas que eles não querem ouvir, ou não dar entrevista para a Folha. Cada um faz suas escolhas e é responsável por elas. 

Resta por fim saber se a atitude de Freixo é produto de malícia, imperícia ou ignorância? Se me permitem um último palpite de final de ano -- não diria intuição pois talvez eu não tenha os atributos genéticos para tanto --, acho que é uma mistura das três coisas. E digo mais, provavelmente na proporção decrescente de sua ordem.

Feliz 2018!

Blog de Joao Feres Júnior

Mudar de ano não resolve nada


“Despachito” de Gilmar Mendes é a música mais tocada do ano!

José Simão

“Despachito” de Gilmar Mendes é a música mais tocada do ano! @revistapiaui

Já é 2018 na Austrália

O que você vai precisar em 2018


Síndrome de Estocolmo




O programa Painel, da GolpeNews, sem William Waack perdeu o tempero. Virou um programa anti-esquerda bobinho. Sinto falta daquele ódio latente, da voracidade, da desqualificação covarde, das mentiras mais descaradas, sinto falta da minha vontade de dar um tiro na TV, de escrever textão, de fazer denúncia na ONU. Estou com sintomas da Síndrome de Estocolmo.

Já é 2018 na Nova Zelândia

Como é bom ser tucano...


sábado, 30 de dezembro de 2017

Lição de anatomia


Freixo tenta explicar o inexplicável


Luis Felipe Miguel

Freixo chama de “esclarecimento”, mas parece mais uma autocrítica envergonhada. Não se trata de falta de “cuidado” de quem o criticou, como ele diz; não é possível alguém encontrar na entrevista da Folha aquilo que ele diz no vídeo.

Seja como for, é louvável que ele se disponha a vir a público se retratar, algo não tão corriqueiro em líderes políticos. Pena que ele só toca nas questões mais conjunturais e não repensa - ao contrário, reforça - o eleitoralismo de fundo.

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Ele talvez pudesse entender que hoje só há uma causa: a de garantir as eleições com Lula. Não pelo Lula, mas pela aberração que será a sua condenação. E ele não diz isso e não dirá, por isso tem o meu desprezo. Mas nada disso importa, porque ele só tem (precária) expressão regional. É um merda. E continuará a ser.

Discurso de Freixo é da esquerda psicodélica da zona sul do Rio que nunca vai governar o país



Sobre a entrevista do Freixo cabem três considerações: a primeira é que ela se situa claramente no campo de um pseudo-moralismo que prefere o Bolsonaro ao Lula ou ao Renan Calheiros porque o Bolsonaro não é acusado de corrupção. Como já afirmei várias vezes aqui, o único motivo de Bolsonaro não estar envolvido nas diversas listas da Odebrecht e JBS é porque ele é um parlamentar irrelevante. Odebrecht e JBS tinham todos os deputados relevantes na mão fazendo para eles doações legais ou por fora. Bolsonaro por não ter presença no congresso não estava na lista. O Freixo sobrevaloriza este fato. Há uma segunda questão importante aqui. Na visão do Freixo, a corrupção não se situa no contexto das formas de apropriação privada do estado brasileiro. Ele compra a narrativa midiática lavajateira de que a corrupção é um desvio do sistema político. Assim, ele não percebe os elementos patrimoniais do próprio exército que Bolsonaro trás consigo. Por exemplo os imensos privilégios previdenciários das forças armadas que representam metade do deficit da previdência. Terceiro, ele não faz um discurso da tradição de esquerda de que a política tem que recuperar prerrogativas das instituições de controle e do judiciário. Ou seja, ele faz um discurso de esquerda psicodélica da zona sul do Rio que nunca vai governar o país, em primeiro lugar, porque não é capaz de entendê-lo. A unificação das esquerdas tem que se dar não em torno do PT ou de Lula mas em torno e um projeto contra a desigualdade e de empoderamento dos movimentos sociais. Duvido que com este discursos o Boulos embarque nesta canoa furada.

O PSOL precisa ganhar uma eleição e governar um estado para sair da infantilidade

Com a ultra-direita
Gustavo Conde

Eu sou contra fazer do PSOL um saco de pancada. Não faz sentido. Seria bom, sim, se eles crescessem politicamente em todos os sentidos.

Fato é que a entrevista de ontem de Freixo é uma vergonha e entra para a história como uma vergonha. Se trocar o nome do entrevistado e colocar "Kim Kataguiri", passa.

Vergonha maior - com todo o respeito - é ser protegido e conduzido pela jovem e espertíssima jornalista da Folha, Anna Virginia Balloussier. Ela antecipa o vexame que a entrevista ensejará (pelo volume de clichês que vão se acumulando) e formula as perguntas finais em tom de desagravo antecipado. Vergonha.

Por exemplo, ela pergunta por que o PSOL é chamado de "esquerda caviar" e por que Freixo frequenta a casa de Paula Lavigne no Leblon. Freixo não responde a nenhuma questão e ainda diz assim: "a casa da Paula é...". A casa da Paula é? "Da Paula"? Se ele quisesse marcar falsa distância que marcasse direito.

Mas, curioso mesmo é como simpatizantes do PSOL respondem a tudo isso. Não dizem um 'a' sobre a entrevista em si. Apenas falam do PT. Eles têm ideia fixa. Antigamente colava, agora não cola mais (porque a realidade mudou bastante).

Eles dizem, por exemplo, que "quando o Lula fala 'besteira' - sic - os petistas o defendem e que quando o Freixo fala 'besteira' - sic - os petistas o atacam". Tem condição de entrar nesse tipo de debate pobre?

Que esquizofrenia é essa? Vocês são do PSOL, caras-pálidas, não do PT! Vocês 'saíram' do PT, lembram? PSOListas, atenção: dentro do PT tem meia dúzia de tendências: Construindo Um Novo Brasil, Movimento PT, Democracia Socialista, O Trabalho, Articulação de Esquerda e PT Militante e Socialista. Quantas tendências o PSOL tem (para falarem que o PSOL tem autocrítica e o PT não)?

Simpatizantes do PSOL ou filiados caem de pau no PT a todo momento. Ainda assim acho que é covardia atacar o PSOL. Eles têm muito feijão com arroz ainda pela frente.

Basta pensar na visão de mundo política de quem diz que o PT se alia com Renan Calheiros e que isso é "imperdoável" - repetindo ad nauseam o argumento consagrado do MBL. São, a rigor, avessos à democracia e não entendem nada de presidencialismo de coalizão. E dão-se ao luxo de não entender porque jamais governaram um estado.

Nós, da "esquerda que governou o país, e bem", torcemos para o PSOL ganhar alguma eleição. Seria importantíssimo para eles. Eles merecem aprender alguma coisa sobre gestão e política e sobre o que é a democracia de fato. Possivelmente, eles fariam bonito - digo isso de coração.

Ficar se vitimizando sempre que se expõem um pouco mais e recebem a avalanche natural de críticas que o mundo real impõe é muito feio, muito hipócrita. Não condiz com o projeto daquele partido que está no papel.

Falem por si. Defendam-se com ideias, não com chavões. Apresentem projeto. Ganhem uma eleição. Venham para o debate. Construam candidaturas. Vivam a democracia.

Só o bagaço


Os piores momentos da entrevista do coxinha do PSOL


O MAIS CHOCANTE DO COXINHA DO PSOL NA FOLHA GOLPISTA

1- “ A esquerda não entendeu os protestos de 2013"

[R]: Entendemos direitinho, Sr. Freixo. Foi justamente ali que a sua turma ajudou a abir o golpe nas ruas que está desgraçando a vida do povo brasileiro.

2- "Se o partido de Lula quisesse mesmo recompor o campo progressista não andaria de braços dados com Renan Calheiros”

[R]: Então, vamos lá, conte-nos um pouco coio é andar de braços dados com golpistas da Globo e com juiz justiceiro da Lava-jato.

3 - "Esses debates todos me fizeram chegar ao Boulos. Estava em casa, tomando um café com minha companheira, conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhos dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: “Opa, ali tem caldo”.

[R]: Quer dizer então que é assim que se escolhe um presidente para governar o sofrido povo brasileiro em pleno Golpe de Estado. Num olhar, numa piscadela pra namorada. E essa coisa de "meio que termômetro", "ali tem caldo", pelamordedeus, o que é isso?! Esse cara é sério?

4 -"Aí liguei pro Boulos e marquei num botequinho bem “vagaba” perto da av. Paulista."

[R]: "Botequinho vagaba." Aqui ele mostra todo o seu coxinhismo incurável. Alguém que já bebeu um gole num bunda de fora da vida lá chama boteco de "botequinho vagaba"? Por favor, alguém me diz aí pois nunca vi ninguém falar assim. Aliás, já vi sim, machistas brucutus chamando mulheres de 'vagaba' para diminuí-las. Boteco é a primeira vez. Vai ser coxinha assim numa filial do Fornalha!

5 - "Levamos, então, o Boulos na casa da Paula [Lavigne, mulher do Caetano Veloso e articuladora política] para conversar com setores da intelectualidade do meio artístico."

[R]: Podemos incluir aí nessa tal "intelectualidade do meio artístico" aquele que fez o papel de ídolo Moro no cinema, o cara que comandou uma milícia anti-Dilma no Rio e que hoje está ali juntinho da "turma do sofá" fazendo campanha contra a fome que ajudou a trazer de volta pro país? Só pra saber.

6- "Agora, é difícil imaginar o que será do PT na hora em que o guarda-chuva eleitoral do Lula fechar, e em algum momento ele vai fechar"

[R]: Sai pra lá o urubu sanguinolento. Vai secar a cabeleira da Luciana Genro e do Babá juntos, ou jogar essa praga maldita pros filhos do Roberto Marinho. A gente aqui é que pergunta: O que será do PSOL quando os crimes das Organizações Globo vierem á tona?

7- "Não sei o que Bolsonaro faz, mas sei que ele não rouba. Tem uma coisa ali, que é a ideia da ética muito circunscrita a posturas individuais, que não vem da honestidade das ideias.Tem a ver com sua postura como homem forte –porque ainda há uma cultura patriarcal forte–, a ideia da coragem. São fantasias que ocupam lugar no imaginário. Talvez as pessoas entendam que falta tudo isso na política. Aí o cara vota em mim e no Bolsonaro porque não importa o que a gente pensa, vê os dois como honestos e corajosos."

[R]: Essa aqui é a cara do PSOL. Uma confusão só, um monte de palavras para no fundo dar aquela elogiada naquele que lhes rende assunto e que ajuda a manter a sua igrejinha como o diabo ajuda a manter as que só falam nele. Quaquá é que está certíssimo, ambos são filhos do mesmo pai: Carlos Lacerda, por isso a classe média burguesa Zona Sul moralista os venera tanto.

8 -Prisões como as dos ex-líderes do tráfico da Rocinha Rogério 157 e Nem dão resultado? "Isso é bobagem, varejo da droga. Você vai ter que procurar no Google pra ver quem eram os grandes traficantes de anos atrás. Daqui a dois anos vai ser o Paulão 456, o Neném, qualquer nome. Achar que o crime se organiza nos lugares mais pobres é continuar procurando pelo em ovo. Não há crime organizado fora do Estado, vamos combinar? O grande crime organizado nos últimos anos foi o PMDB."

[R]: Vejam vocês o pensamento "Tropa de Elite", aquele pensamento bem reaça do José Padilha, diretor do filme. O camarada tem todo um discurso pronto pra agradar a Praça São Salvador e a turma do "pra cima deles" ao mesmo tempo, mas na hora de botar o dedo na ferida, na hora de falar por exemplo de um certo helicóptero do amigo daquele que teve a mão beijada pelo seu colega no rega bofe do Noblat, aquele "que mandava mantar antes da delação', na hora de falar dos megaempresários e barões da droga, que se escondem em apês luxuosos com vista pro mar muito parecidos com aquele da Paula Lavigne, opta por uma figura de linguagem pobre para atacar a política da mesma forma que faz a Globo. É ou não é uma gracinha, ele? O jornalista Luis Nassif, essa semana, fez uma reportagem impressionante dando nome aos bois da"quadrilha carioca" - de políticos a empresários, passando por juízes, procuradores até chegar nas Organizações Globo. Mas ele, servindo bem ao seu 'senhor', fica só ali na superfície de fácil apelo, os políticos que a Globo jogou na estrada pra tirar o seu da reta e deixar a população cada vez mais alienada e cheia de ódio no coração.

9 - "E quando Moro faz a condução coercitiva do Lula, dá a ele a oportunidade de virar a chave e criar uma resistência muito mais aguda do que existia até então."

[R]: Quer dizer então que o problema não é a perseguição violenta que o justiceiro de Curitiba faz em Lula, mas (veja como ele é esperto) o problema é que ao cutucar Lula com vara curta, Moro dá a ele um prato cheio para mobilizar a tropa e reverter o jogo. Disso aqui, eu paro todo o tom de brincadeira e só me vem à cabeça uma única palavra: canalha.

2018 vai ser demais!


Esquerda da Ciranda


Arnobio Rocha

Ali no Leblon/Ipanema ou nos Jardins sempre surge umas figuras que reforçam um estereótipo de uma esquerda que não sabe o que é a luta de classes.

Alguns leram orelhas e citações do Kapital, decoram trechos de Lênin e se identificam com a rebeldia antiburocacia de Trotsky. É o máximo de radicalismo que se permitem.

A maioria se orienta pelo medo de desagradar a Globo ou a Folha de São Paulo, incapazes de enfrentar uma conjuntura adversa, preferem as críticas moralistas para não criar problemas com a mídia e classe média.

Gabeira no passado, que se apresentava como o gênio do sequestro do embaixador e ao mesmo tempo a "voz da consciência" da autocrítica, uma síntese em si mesmo.

Agora temos Freixo, a maior liderança do Psol que teve como feito espetacular de ir ao 2° turno do RJ, ao mesmo tempo recusou apoio militante de Lula em seu palanque, uma concessão direta à Globo e ao seu público classe média. Claro que tomou uma porrada do bispo reaça nos setores mais pobres da cidade, não por mero acaso.

Freixo se revela também uma espécie de Gabeira, bem piorado (ainda resta respeito pelo que fez na ditadura). Pois Bem, o articulado deputado das reuniões na casa de Paula Lavigne, se apresenta como o "criador" de Boulos Presidente. Um colosso.

Óbvio que figuras populares surgem na luta, no enfrentamento, dos de baixo, como um Freixo da vida se mostra o criador? Figuras como Lula, bem mais que Boulos por sua origem de classe, não são criação de um vaidoso qualquer, mas frutos da luta de classes.

Vou repetir e, podem me cobrar, em pouco tempo teremos a confirmação de um tipo comum na esquerda:

O traidor esclarecido

Mixel da mixaria


Claudio Guedes

O reajuste no salário mínimo, que acaba de ser divulgado pelo governo, será de 1,81%. Sequer chegará a 2%.

É o menor reajuste em 24 anos.

O governo de Mixel (sic) Temer dá mais um passo gigantesco na direção da total impopularidade. Acho que conseguirá em breve a popularidade zero.

Lula foi o governante da fome zero.

Acho, e posso estar enganado, que hoje Lula ganhou mais alguns pontos preciosos na sua escalada à liderança absoluta no pleito de 2018.

Folha discute a ditadura ideal


Luis Felipe Miguel

A Folha chamou dois cientistas políticos para discutir o “semipresidencialismo”. Triste retrato do mainstream da disciplina, preso num institucionalismo estreito e deliberadamente incapaz de conectar as disputas políticas aos grandes interesses sociais em conflito. Discute-se o número de “veto players” e o exercício do “poder moderador”, mas não há uma palavra sobre a responsividade do sistema às preferências da maioria da população.

A posição contrária ao semipresidencialismo é defendida com o argumento de que, com o instrumento do impeachment a ser usado sempre que der na telha, não há necessidade de qualquer outro mecanismo para equilibrar a política brasileira. O texto se autofolcloriza, dando um jeito de elogiar as “ótimas reformas” advindas do golpe, em sintonia com a persona do autor, um dos coleguinhas que apostavam que o PMDB conduziria a regeneração ética do Brasil. Mas mesmo o texto favorável “com ressalvas”, assinado por Octavio Amorim Neto, que é um pesquisador respeitável, parte das premissas de que a contenção da soberania popular é uma necessidade, de que o jogo político se faz entre elites e de que o desenho das instituições se explica nele mesmo.

Esperando o PÇOL


Fernando Horta

Agora temos números.

O golpe diminuiu o salário mínimo de 1009 para 954 reais.

Fechou 12.000 postos com carteira assinada.

Foi responsável por uma queda de quase 3 pontos percentuais no PIB.

E aumentou o déficit público, que agora chega a mais de 39 bilhões. Só em novembro, foram 909 milhões, o pior resultado brasileiro.

Ele terminou com a CLT e pretende vender a Eletrobras, a Embraer e a Petrobrás.

Qual seria o momento apropriado, segundo o Freixo, para as esquerdas se unirem?

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Doria aumenta a tarifa de ônibus depois de prometer que iria congelá-la

Do DCM:

Do G1

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu durante a campanha de 2016 que congelaria a tarifa de ônibus. Em entrevista realizada 12 dias antes da eleição, o tucano disse que não mexeria nas tarifas. Um dia após ser eleito, porém, mudou o discurso e afirmou que garantia a passagem a R$ 3,80 apenas no primeiro ano de sua gestão –como de fato manteve.

Reportagem da rádio CBN (ouça a reportagem) mostrou que, em 20 de setembro de 2016, durante visita a um hospital na Zona Leste da capital, o então candidato à Prefeitura foi questionado sobre o tema por um jornalista: “O senhor vai manter a proposta de não aumentar a tarifa durante quatro anos?” Doria respondeu: “Nós não vamos mexer nas tarifas. As tarifas serão mantidas nas condições em que se encontram neste momento.”

Em outros momentos da campanha, Doria havia prometido manter a tarifa, mas sem precisar um período. Em 26 de agosto daquele ano, por exemplo, disse: “Não vamos modificar a tarifa de ônibus. Ela será mantida. Aumentar a passagem de ônibus não é a solução. Se for necessário, podemos aumentar os subsídios.” Dias depois, em um debate com a então candidata do PMDB Marta Suplicy promovido pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, afirmou: “Não faremos nenhum tipo de alteração nas tarifas de ônibus”.

Em 2 de outubro de 2016, o tucano venceu a eleição em primeiro turno, com 53,29% dos votos válidos. No dia seguinte, em uma de suas primeiras entrevistas como prefeito eleito, mudou o discurso e disse que a promessa valia apenas para 2017: “Cada dia com a sua agonia. Vamos falar do primeiro ano. No primeiro ano, nenhuma mudança. Eu preciso estar vivo também, vamos devagar. Não posso responder por quatro anos. Posso responder por este primeiro ano. Não vamos mexer na tarifa.”

(…)

This Flight Tonight



This Flight Tonight
Joni Mitchell

"Look out the left" the captain said
"The lights down there that's where we'll land"
Saw a falling star burning
High above the Las Vegas sand

It wasn't the one that you gave to me
That night down south between the trailer
Not the early one that you wish upon
Not the northern one that guides in the sailors

You've got that touch so gentle and sweet
But you've got that look so critical
Can't talk to you, babe, you know I get so weak
Sometimes I think that love is just mythical

Up there's a heaven, down there's a town
Blackness everywhere a little light's shine
Blackness, blackness draggin' me down
Come on light a candle in this heart of mine

Starbright, starbright, you've got the lovin' that I like
Turn this crazy bird around
Should not have got on this flight tonight

I'm drinkin' sweet champagne, got the headphones up high
Can't numb you, can't drum you out of my mind

They're singin'-"Goodbye baby,
Baby bye-bye,
Ooh! love is blind"

Up go the flaps, down go the wheels
Hope you got your heat turned on, baby
Hope they've finally fixed your automobile
Hope it's better when we meet again, babe

Starbright, starbright, you've got the lovin' that I like
Turn this crazy bird around
Should not have got on this flight tonight
Should not have got on this flight tonight


Ainda bem que não é o Barba...



Gente ligada ao Aécio teria delatado uns depósitos feitos em Cingapura!! São só 50 milhões de dólares! Estariam de alguma maneira envolvidos na patranha um amigo do Senador, um certo Accioly, sócio dele numa rede de academias, a Bodytech, da qual também é (seria?) sócio Luciano HULK, o presidenciável. Não me espanta. Quase nada me espanta. Nem mesmo que nenhum jornal dos grandes – tipo GLOBO ou FOLHA – mencione os dois últimos nomes. Se fosse vocês sabem quem, o nome estaria nas manchetes.

71% dos juízes recebem acima do teto

Judiciário atrai indivíduos incultos, mas ambiciosos e esforçados


Gustavo Conde

Quando a gente lê trechos do texto da ação encaminhada pela procuradora-geral Raquel Dodge e a respectiva decisão da ministra Cármen Lúcia, a gente percebe que esse segmento da sociedade brasileira é um dos mais prejudicados pela péssima qualidade de escrita e leitura adquirida.

Fato é que a carreira de magistrado atraiu esse tipo de fenômeno: maus leitores. Porque o custo para ingressar no ministério público é altíssimo. Abdica-se de tudo: namoro, cinema, carnaval, música, vida social, sono, literatura popular, ida aos mercadões. Tudo isso para estudar até o cérebro rachar ao meio e passar no concurso público, carreirinha garantida, lotada de privilégios e imune à exoneração.

O excesso de estudo prejudica o cérebro, mata o bom senso, assassina a sensibilidade. Basta ver um Deltan Dallagnol, um Sérgio Moro, uma Cármen Lúcia, um Gilmar Mendes, um procurador do estado que confunde Hegel com Engels, uma Raquel Dodge.

Raquel Dodge. Hoje, ela é completamente desmoralizada por um jornalista da Folha de S. Paulo (vejam vocês que nível de desmoralização), Ricardo Balthasar. Ela alegou que o indulto de natal prejudicaria a Lava Jato. Balthasar pergunta: mas como, se o indulto seleciona condenados que já cumpriram 20% da pena e nenhum condenado pela Lava Jato está nessa situação?

De quebra, ele desmoraliza a já desmoralizada presidente do STF. O argumento que ela acolheu é exatamente o mesmo.

Parece que essas magistradas não leem, não têm senso de ridículo, muito menos, compromisso com nada, quiçá com a constituição, essa entidade linchada diariamente por todos os poderes da república, verdadeiro fantasma na sala de um país em convulsão social ainda silenciosa.

Fica minha solidariedade a essas figuras tão prejudicadas intelectualmente. Há de se fazer, um dia, algum processo de inclusão para elas (e para a classe média brasileira que, a julgar pelo que produz em termos de conteúdo, corre o risco de morrer de inanição e fome em futuro próximo). Vamos ajudar essa gente despossuída.

PSOL vs. PSOL

Gilberto Maringoni

PELA DIVISÃO DAS ESQUERDAS

Confesso que, em 40 anos de militância, nunca vi um líder progressista fazer a afirmação externada pelo deputado Marcelo Freixo, em entrevista à Folha de S. Paulo. Para ele - numa conjuntura de golpe e de brutal regressão política e social - não é hora de buscar unidade, mas de acentuar diferenças entre as esquerdas!

Freixo não fica por aí. Se coloca como o "inventor" da candidatura de Guilherme Boulos a presidência da República. Esta teria nascido de uma conversa no café da manhã com sua companheira, em casa. Não é algo surgido de baixo para cima, como a plataforma "Vamos".

Há mais. O teste de viabilidade da postulação presidencial se dá não nas ruas, mas em reunião no apartamento de Paula Lavigne.

O conjunto da obra mostra uma original formulação política. Não é nova, mas é original no Brasil de hoje.

Freixo é a principal figura pública do PSOL e tem uma atuação política admirável. Pela entrevista da Folha, conhecemos mais uma qualidade rara em um político: sua extrema sinceridade.

O estuprador de Taquari



Ayrton Centeno

Vereador do PP de Taquari, Clovis Bavaresco, foi às redes sociais lamentar que a deputada Maria do Rosário não tenha sido “estrupada” com violência ao ter seu carro roubado. Na verdade, o único estuprador no episódio foi o próprio Bavaresco. A vítima foi esta senhora chamada Língua Portuguesa, estuprada com violência na sua postagem.
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Moral não está na pauta do Judiciário


Nilson Lage

Associação dos juízes confessa:
"Moral não está em nossa pauta"

Editoriais...


PSOL continua sua louca caminhada. Pra quê? Pra nada.


Luis Felipe Miguel

A entrevista de Marcelo Freixo hoje, na Folha, em que a defesa da "radicalidade" emenda com reuniões na casa da Paula Lavigne e sobra elogio até para Bolsonaro, em que a disputa eleitoral de 2018 aparece como o alfa e o ômega da estratégia política, mostra que a esquerda pós-petista a ser construída no Brasil não há de partir do PSOL.

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GAÚCHO

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Estrondos, luzes e bestialidade


Cadu de Castro

As pessoas fazem coisas estúpidas. Fazem outras coisas muito estúpidas. E, algumas delas, de tão estúpidas que são, estereotipam o autor como sendo uma espécie de idiota perene. Uma destas coisas é a queima de fogos.

Questiono se o fazem por hedonismo, palavra que vem do grego hedonikos, que significa “prazeroso”. O hedonismo determina que o bem supremo, isto é, o fim último da ação, é o prazer. Compreendo que haja prazer em ver o céu explodindo em luzes de diferentes formas por alguns míseros segundos, no entanto, as pessoas se perguntam sobre o preço que pagamos por isso? E não me refiro à precificação monetária, mas às consequências deste prazer efêmero.

Antes de discutirmos sobre estes "efeitos colaterais”, é importante ressaltar que a maior parte dos fogos de artifício consumidos atualmente apenas geram barulho, ou seja, sua explosão causa uma fortíssima poluição sonora, e segundo especialistas atinge a média de 120 decibéis, que é o limiar da dor para o ouvido humano. Portanto, causa danos à audição do idiota perene que o solta, bem como de todos que estiverem no entorno, sem dizer que dependendo da geografia e da urbanização do local o som pode viajar por quilômetros.

O estrondo traz incômodo à vizinhança, e pode causar desconforto em pessoas que estejam doentes ou assustar bebês e crianças pequenas. Além disto, deixa os animais domésticos nervosos, com medo ou assustados, podendo gerar acidentes ou até mesmo a morte de bichinhos.

Em termos ambientais, os fogos são uma tragédia, os impactos à fauna são catastróficos, alterando a rotina e o comportamento de animais, e muitas vezes provocando a migração de algumas espécies. Já pensou sobre o efeito negativo da queima de fogos em locais próximos a áreas naturais preservadas?

Além disso, os foguetes liberam no ar uma substância altamente tóxica denominada estrôncio, e dióxido de carbono em latas concentrações. Desta forma, a poluição do ar cresce substancialmente em áreas onde acontecem a queima de fogos. O COI (Comitê Olímpico Internacional) estuda abolir os fogos de artifício das aberturas e encerramentos dos Jogos Olímpicos e competições internacionais, no intuito de não contribuir para o recrudescimento da poluição.

Não bastasse os impactos acima mencionados, o material utilizado para fazer os fogos é dificilmente reaproveitável, pois as substâncias tóxicas dificultam o processo de reciclagem. Outra questão é que o seu manuseio pode ser danoso a saúde e os índices de acidentes com trabalhadores que fabricam fogos são altíssimos.

Também não são raras as explosões de locais que armazenam fogos de artifício clandestinamente, causando mortes e perdas materiais. Esta semana, uma explosão num mercado de fogos no México deixou 31 mortos e 72 feridos.

Em 2015, A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), lançou uma campanha de conscientização denominada Fogos de Artifício - um Espetáculo Perigoso. A campanha é decorrente de um estudo feito em todo o país, que aponta 122 mortes decorrentes de queima de fogos, nos últimos 20 anos, sendo 48 no Nordeste, 41 no Sudeste, 21 no Sul e 12 nas regiões Norte e Centro-Oeste. Além de graves sequelas causadas por queimaduras e amputações.

Ora, considerando todos os riscos e os amplos prejuízos decorrentes da queima de fogos de artifício, o que explica se “queimar" dinheiro por ruídos estrondosos ou luzes espocando no céu por míseros segundos? Hedonismo? Idiotia?

O objetivo deste artigo é o de propor reflexões sobre ações inconsequentes ou práticas grosseiras. Ainda que a tradição do uso de fogos de artifícios tenha origem na China há dois mil anos, é passada a hora de ser abolida. Há alguns séculos alguns povos sacrificavam virgens em homenagens a deuses, atitude que hoje seria considerada hedionda. A queima de fogos também deve ser vista como algo obsoleto, anacrônico para as mentalidades contemporâneas, bestial.

Comemore suas alegrias! Festeje! Mas sem agredir a vida.

O trabalhador intermitente


Jorge Linden

O trabalhador intermitente, a mais grotesca das formas que o capitalismo brasileiro criou para se servir da força de trabalho, não é formal e não é temporário. Então, formulo a pergunta, que espero seja considerada com seriedade:

— Como as estatísticas de emprego definem o intermitente? Como o catalogam em seus números? O intermitente está empregado? Existe a figura do trabalhador mais ou menos? Do trabalhador de repente?

Folha apoia os golpistas com o Quadrilhão, com o Supremo, com tudo


Moisés Mendes

Editorial da Folha diz que Lula está insuflando os militantes contra a Justiça. Mas a Folha pode insuflar os milicianos do Judiciário seletivo contra Lula e os golpistas contra Dilma, com o Supremo, com Marun, com o Quadrilhão e com tudo.

Subemprego em massa


Sírio Possenti

Posso estar errado. Quero estar. Mas acho que há mais do que casualidade na cifra de demitidos (mais de 12 mil “negativos”) com carteira de trabalho assim que entrou em vigor a nova legislação trabalhista. Meu palpite – nunca “penso positivo”, e quase nunca erro – é que as demissões se devem a facilidades permitidas pela nova legislação – nada de sazonalidade, como têm dito os “especialistas”. Talvez esses mesmos trabalhadores até sejam recontratados logo (se for verdade que a economia se mexe), mas seus salários e direitos serão outros.

A senha de Frias


Claudio Guedes

A Folha de S. Paulo, em Editorial hoje, 28/12, acusa o ex-presidente Lula de se insurgir contra a Justiça. E, claro, defende a farsa de Curitiba montada sobre a história "sem pé nem cabeça" do triplex do Guarujá.

Não é um editorial inocente. É uma senha. A Folha possui os números que atestam a impressionante subida de Lula nas pesquisas para 2018, tem também acesso aos números que mostram que cresce, de forma contínua, a contestação aos métodos e à perseguição que o juizado de Curitiba move contra o ex-presidente - o apoio ao juiz Sérgio Moro é decrescente.

A senha é: Lula além de merecer a condenação por corrupção, não pode se revoltar contra a condenação porque ao fazê-lo está contestando a Justiça - que segundo a Folha é digna e honesta - portanto estaria cometendo um novo crime. É mais uma espada armada sobre a cabeça de Lula.

É o desespero de Otávio Frias, o publisher (ele gosta de ser assim chamado) do jornal, um dos sustentáculos na imprensa do cerco de Curitiba contra o líder petista. Ao perceber que a farsa está se revelando à maioria da população, busca novos argumentos para emparedar o petista.

A Folha tomou partido na batalha do dia 24/01. O dos algozes. É um jornal que, na sua linha editorial, não merece o respeito dos democratas brasileiros.

O líder Aécio


Janio de Freitas

As informações que situam o senador Aécio Neves como recordista de arrecadação no mercado de subornos –e nem por isso contêm todo o seu histórico– têm múltiplos efeitos. Pessoais, claro, mas também políticos, com decorrências agravantes na cisão do PSDB e desgastantes para Geraldo Alckmin e sua candidatura.

Tomar R$ 50 milhões em um único ataque é um feito que não consta nem no currículo de Geddel Vieira Lima, cujas embalagens diferentes indicam que os seus R$ 51 milhões em dinheiro vieram de vários achacados.

Os R$ 30 milhões tomados da Odebrecht e os R$ 20 milhões da Andrade Gutierrez, em troca de fortalecê-las na licitação para a hidrelétrica de Santo Antônio, começam por derrubar a defesa de Aécio e sua irmã Andréa para os R$ 2 milhões tomados de Joesley Batista. O caixa tão fornido destrói a mentira de que Aécio precisava de "um empréstimo" para pagar sua defesa no que eram as primeiras denúncias.

Ainda no plano pessoal, o detalhamento das operações, feito pelas duas empreiteiras até com alguns recibos de depósito, lança no caldeirão o mais próximo e, há muito se diz, o mais confiável amigo de Aécio. Alexandre Accioly, controlador (ao menos aparente) de negócios bem sucedidos, apenas raspara na Lava Jato.

Os repórteres Bela Megale e Thiago Herdy, de "O Globo", encontraram agora citações a Accioly como receptador de Aécio e contas, para isso, em Cingapura e nas Ilhas Marshall, Oceania.

A negação de Accioly, desde muito citado no Rio como cobertura do sócio oculto Aécio Neves, não chegou a esclarecer nem ao menos a polêmica sociedade das academias BodyTech, também citadas em receptações sob investigação.

Menos obscuras, como componentes do golpe em Furnas, as relações de Aécio e seu protegido Dimas Toledo ampliam-se nos relatos dos milhões por Santo Antonio. A gravidade desta transação, com a persistente presença dos dois amigos de fé, suscita a expectativa de que afinal se desvendem outros casos já bastante citados e nunca publicáveis, por falta de provas.

Esse é o Aécio Neves que a cúpula do PSDB prestigiou, há três semanas, contra o cofundador do partido Tasso Jereissati, na disputa entre os aecistas e os desejosos de reabilitar o desmoralizado peessedebismo.

Como presidente incumbido da restauração que não fará, Alckmin significou uma proteção para Aécio Neves, então já assoberbado com acusações. Ao menos em favor da própria face, o novo "presidente" precisava ter dito ou feito algo que marcasse a sua e a nova propensão do partido na discussão, intensa, sobre o caso Aécio no peessedebismo. Alckmin, é de seu hábito, preferiu omitir-se.

O pequeno tempo desde então foi suficiente para multiplicar a gravidade do caso Aécio.

Alckmin quis a responsabilidade de presidir o partido e sua restauração política e ética. Até o momento de quarta em que escrevo esta nota, ele continuava alheio aos fatos. Alheio ao país. Que lhe falte talento político, não precisa comprovar.

Mas sobretudo não precisa mostrar que, por falta de outras coisas, faz no PSDB o papel de mais um testa de ferro de Aécio Neves, que continua no controle de fato.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A velhice de três canalhas


Moisés Mendes

Imaginem Fujimori, Maluf e José Maria Marin fazendo balanços não do ano, mas de vida. Cada um falaria dos seus crimes. Fujimori poderia dizer se o pedido de perdão pelo que fez inclui a matança de adversários políticos. 

Marin finalmente poderia falar de detalhes da sua decisão de delatar Vladimir Herzog aos militares (como se fosse um perigoso elemento da esquerda) e condená-lo à morte na prisão. Quantos mais teria delatado?

E Maluf poderia dizer que, mesmo sendo representante da ditadura, nunca sujou as mãos, porque os outros sujavam por ele.

São três lacaios da direita caindo aos pedaços. Fujimori foi o único a chegar à prisão antes de envelhecer. Os outros são trastes que já não servem para mais nada para o reacionarismo criminoso.

Fujimori sai da cadeia, enquanto Maluf e Marin estão chegando. Eu repito: eu trocaria Fujimori, Marin e Maluf por um Aécio.

A que ponto o Brasil chegou!



Um capataz de gângster, como esse Marun, o aparelhamento dos bancos públicos para uma chantagem escrota como ele mesmo, com o patrocínio de Temer, o marginal-presidente.

A que ponto o Brasil chegou!

Veja cenas do natal em Los Angeles, Califórnia


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