quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Alguns inimigos de Teori Zavascki





O bombástico senador José Medeiros

Excluindo a morte de Teori Zavascki, qual foi a bomba no JN? Aparentemente a bomba estava no avião e o senador sabia muito antes. Talvez por isso estivesse em reunião com Temer quando explodiu.

Horário da primeira postagem: 10:58


Conspirações à parte, Romero Jucá acertou todas!

Xico Sá

Conspirações à parte, tudo dá certo nesse diálogo do Machado/Jucá. Cacildes!

Paulo Preto

Áudio do Jucá:

1) Tirar a Dilma (OK)
2) Colocar Michel (OK)
3) Entregar o Cunha (OK)
4) Proteger o Renan (OK)
5) Parar o Teori (OK)



Morte de Teori: acidente ou assassinato?

Teoria da conspiração ou paranoia

Jornal GGN - A morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, tomou conta das redes sociais nesta quinta-feira (19). A queda de um avião de pequeno porte em Paraty (RJ), com Teori e mais três pessoas a bordo, abriu espaço para teorias da conspiração em função do papel estratégico do magistrado na relatoria da Lava Jato.

Teori estava em vias de homologar 77 delações da Odebrecht e, possivelmente, retirar o sigilo das informações. Os primeiros vazamentos atingiram em cheio ao presidente Michel Temer - que deverá escolher o novo ministro - e a cúpula do PMDB. 

Nas redes sociais, internautas escreveram que a política brasileira coloca o seriado da Netflix House Of Cards "no chinelo".
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Gregório Duvivier, artista e colunista da Folha, escreveu post conectando todos os fatos que circundam o falecimento do ministro.
"Teori Zavascki, o Ministro indicado ao STF por Dilma, relator da Lava-Jato na Corte, que no telefonema de Jucá e Machado onde se falava em “estancar a sangria” da operação foi tratado como um homem que “não tinha ligação com ninguém, um cara fechado, um burocrata”; que sofreu ameaças junto com sua família, que estava prestes a retirar o sigilo de mil delações em duas semanas, morreu hoje na queda de um avião. Detalhe: o fato ocorreu na mesma região onde também “caiu” o helicóptero de Ulysses Guimarães. E agora, a relatoria da Lava-Jato no Supremo irá para o substituto de Teori que será indicado por... Temer, citado 43x na Lava-Jato..."
A possibilidade de Teori ter sido "tirado do caminho" dos envolvidos na Lava Jato também foi objeto de reportagem da Folha.

O primeiro comentário a cair na rede pouco antes da confirmação da morte de Teori é de autoria de seu filho, Francisco Zavascki. Ele publicou, em maio passado, que a família estava ciente de que algo poderia acontecer com o ministro, pois a Lava Jato mexera com interesses de muitos poderosos. Após repercutir em vários portais noticiosos, a publicação foi deletada.

Quem também decidiu apagar uma mensagem levantando suspeitas sobre a morte de Teori foi o delegado da Lava Jato Márcio Adriano Anselmo. Ele havia escrito, no Facebook, que o "acidente" deveria ser investigado a fundo porque a morte do relator marcava "o fim de uma era".

O vereador Eduardo Suplicy (PT) disse que é "importante que as causas do acidente sejam apuradas". O pleito de Suplicy é o mesmo da Associação de Juízes Federais (Ajufe), que pediu investigação em função do papel de Teori na Lava Jato.

O ex-ministro Renato Janine Ribeiro expressou sentimento de perplexidade e falou sobre a teoria da conspiração. "A hora em que parece mais sensato crer na conspiração (para matar Teori) do que no acaso, no acidente. A hora em que a paranoia parece mais racional e realista do que qualquer outra visão das coisas..."

Enquanto a internet fervia com o resgate de um áudio em que Romero Jucá (PMDB) diz que Teori era um ministro fechado e que, para estancar a sangria da Lava Jato, seria necessário influenciar o Supremo a aceitar um "grande acordo" nacional, veículos da grande mídia, como a GloboNews, se ocupavam de falar das causas naturais que teriam levado ao acidente, como o tempo fechado com chuva em Paraty.

Teoria da conspiração ou paranoia?

Sucessor de Teori será indicado por Temer e aprovado pelo Sindicato dos Bandidos

Senadores mais influentes...
Luis Felipe Miguel

Até o momento, não existe nenhum, absolutamente nenhum indício de que o trágico acidente que matou o ministro Teori Zavascki tenha sido mais do que um acidente.

Isso não quer dizer que seja impensável que os gângsteres que ocupam o poder desta república promovam a supressão de pessoas que ameacem seus interesses e que não pareçam disponíveis para acordos. Pelo contrário, parece bem compatível com seu modo de proceder. Não custa lembrar que as investigações sobre a corrupção em Furnas, por exemplo, estão pontuadas de mortes misteriosas.

Para evitar especulações, diante das implicações da morte de Zavaski (de acordo com o regimento, o ministro que assumir sua vaga herdará suas relatorias, o que inclui a Lava Jato e as delações da Odebrecht), seria fundamental que, com a maior urgência possível, o presidente indicasse e o Senado aprovasse um jurista de independência irretocável para o Supremo. Mas é claro que, para algo assim ocorrer, teria que ser outro Senado. E um presidente de verdade.

Ministro do STF Teori Zavascki morre em queda de avião no Rio

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki morreu no acidente com a aeronave que caiu no Rio de Janeiro na tarde desta quinta-feira (19/1), no mar de Paraty (RJ). A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

No entanto, segundo o Corpo de Bombeiros, havia apenas três pessoas na aeronave. Chovia muito no momento da queda, que ocorreu a dois quilômetros da cabeceira da pista de pouso. Além dos bombeiros, 50 militares e barcos pesqueiros estão na área do acidente ajudando no resgate.

Segundo o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, outro passageiro era Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano e proprietário da aeronave. Procurada pela reportagem do Metrópoles, a rede Emiliano Empreendimentos e Participações informou que não se pronunciará sobre a queda do avião. “Entraremos em contato quando tivermos um posicionamento”, disse a assessoria de imprensa, por telefone.

Procurada pela reportagem, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que não se pronunciaria sobre a lista de passageiros do avião nem sobre sobreviventes. “Isso é com as equipes de resgate”, informou, por meio de nota.

O presidente da República, Michel Temer, e a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, já foram informados do acidente. A magistrada, que estava em Belo Horizonte, voltará ainda nesta quinta (19) para Brasília para acompanhar as investigações sobre o caso.

Metrópoles

Ministro do STF viajava em avião privado de um grande empresário


O mais impressionante no possível acidente envolvendo que matou o ministro Teori Zavascki é que um ministro do STF estivesse viajando em um avião privado de um grande empresário. Como se sabe, todo grande empresário sempre tem pendências judiciais, que, fatalmente, cairão no STF. Uma das coisas que um ministro do STF não deveria fazer era, em hipótese, alguma aceitar convites ou favores de possíveis partes interessadas em tribunais superiores. E, como se fosse pouco, como é que um ministro do STF, viaja em avião privado, sem qualquer preocupação com a sua segurança? As autoridades neste nível de hierarquia deveriam sempre estar cercadas das devidas medidas de segurança. E uma das mais óbvias e primárias deveria ser a de não embarcar em vôos privados, sem os necessários cuidados prévios para garantir a sua segurança. Definitivamente, o Brasil não é um País que prima pela institucionalidade no comportamento de suas autoridades...

Ministro golpista Teori Zavascki pode ter morrido em acidente aéreo

Um avião de pequeno porte caiu no começo da tarde desta quinta-feira (19) no litoral de Paraty, na região sul do Estado do Rio de Janeiro.

O STF (Supremo Tribunal Federal) informou que nome do ministro Teori Zavascki estava na lista de passageiros de um avião que caiu em Paraty, no Rio de Janeiro, informou a assessoria de imprensa do STF. A corte disse não ter a informação sobre se o ministro estava efetivamente na aeronave. Teori é o relator da Operação Lava Jato no Supremo.

Segundo a assessoria de imprensa da FAB (Força Aérea Brasileira), o avião de modelo Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM, saiu do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, às 13h (horário de Brasília). De acordo com funcionários do aeroporto de Paraty, a aeronave caiu no mar por volta das 13h30, momento em que chovia na região.

Nem a FAB nem os bombeiros informaram sobre quantas pessoas estavam a bordo e sobre o estado de saúde das mesmas.

Segundo informações disponíveis no site da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Beechcraft C90GT tem capacidade para sete passageiros, além do piloto. É um avião bimotor turboélice fabricado pela Hawker Beechcraft. A aeronave PR-SOM está registrada em nome da Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras Limitada.

De acordo com a FAB, uma equipe do Seripa-3 (Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) está a caminho de Paraty para iniciar a investigação sobre o acidente. Integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros prestam assistência no local. (Com informações da Reuters)

Do UOL

Do InfoMoney
STF confirma nome de Teori Zavascki na lista de passageiros de avião que caiu no RJ

A coordenadoria de imprensa do STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou ao InfoMoney que o nome do ministro Teori Zavascki estava na lista de passageiros do avião que caiu no litoral sul do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (19). O STF informa, no entanto, que não recebeu nenhum comunicado das autoridades confirmando o acidente.

Zavascki é o relator dos processos da Operação Lava Jato na Corte. O presidente Michel Temer e a presidente do STF Carmén Lúcia teriam sido informados que o nome dele constava na lista de passageiros da aeronave acidentada, segundo o site especializado em notícias jurídicas Jota.

O filho do ministro, o advogado Francisco Prehn Zavascki, confirmou ao portal Uol que seu pai estava no avião. "A família está aguardando por um milagre", disse Francisco.

Acidente
Segundo a Agência Brasil, o avião bimotor que caiu em Paraty era do modelo King Air. De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a aeronave decolou às 13h01 do Campo de Marte, em São Paulo, com destino a Paraty, com quatro pessoas a bordo. A aeronave pertence a Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras.

O Corpo de Bombeiros informou que o avião caiu no mar, próximo à Ilha Rasa, e está parcialmente submerso. Além dos bombeiros da cidade, homens do quartel de buscas e salvamento da Barra da Tijuca, no Rio, se deslocam para o local para auxiliar nas buscas. Os bombeiros não informaram se há sobreviventes.

Na hora do acidente, chovia forte em Paraty e a região estava em estágio de atenção.

Esquerda e direita

José Geraldo Couto

Diante da notícia de que oito indivíduos detêm o equivalente à riqueza de metade da população do mundo, o homem de esquerda se revolta, quer mudar esse estado de coisas. O homem de direita só lamenta não ser um dos oito.

Janaína Paschoal é iletrada também em inglês

A Possuída quis mandar um recado aos deputados dos EUA que escreveram carta pública contra o terror fascista que tomou conta do Brasil, mas chamou os coitados de "deputies", palavra que significa assistente, suplente, vice e, em alguns casos, membro de uma assembleia.

O Congresso dos EUA é formado pela House of Representatives, equivalente à nossa (?) Câmara, e pelo Senate, equivalente ao senado.

O integrante da House of Representatives é chamado de Congressman ou Representative, não de Deputy

A matéria abaixo trata justamente de John Conyers, um dos deputados que assinou a carta.
Rep. John Conyers e não Dep. John Conyers


Definição do Merriam-Webster

Deputy
1
: an important assistant who helps the leader of a government, organization, etc.

  • (US) a sheriff's deputy [=an assistant who helps a sheriff enforce the law]

— often used before another noun

  • a deputy sheriff
  • She's now the department's deputy director.
  • a deputy mayor

2

: a member of Parliament in some countries

Sem-teto exposto por João Dólar pensa em processá-lo

“Eu poderia processar ele”: exposto sem autorização no Facebook, o sem teto Gerson espera o almoço que Doria prometeu.


Pedro Zambarda de Araujo, no DCM

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) fica na Rua Libero Badaró, a poucos metros da Prefeitura de São Paulo.

Ali em frente vive o mendigo Gerson, de 41 anos, que ficou famoso após estrelar uma publicação do prefeito João Doria Jr. no Facebook.

Doria passava pela área, viu Gerson e achou que a cena renderia. Câmeras flagraram o “encontro”. Sua equipe fez o resto do serviço.

O nome de sua filha foi citado. “A mãe dela a proibiu de ver o pai por conta do alcoolismo”, lê-se.

O post de 13 de janeiro teve 186 mil curtidas e mais de 40 mil compartilhamentos na rede. Um público equivocado de esquerda pagou mico inventando que ele era “fake”, alguém fantasiado. A realidade é pior.

Gerson não autorizou o uso de sua imagem como peça de propaganda política. Ele contou ao DCM que não gostou do comportamento de Doria, do assédio da mídia e de como a fotografia foi divulgada sem o seu consentimento.

“Quando o prefeito passou por aqui, eu pedi pra ele parar de tirar os moradores de rua. Eu tava bravo porque o ‘rapa’ tava levando os cobertores de todo mundo. Mas, depois, ele disse que me ajudaria”, afirma.

“Nunca pedi nada pro Doria. Só peço dinheiro sempre porque vivo na rua, como peço agora pra você. Ele prometeu almoçar conosco, algo que não cumpriu até agora”.

Gerson possui problemas psiquiátricos e recebe tratamento. “Estou bem melhor hoje porque tenho assistência”, declara.

Tem dois amigos. Um deles é Paulo César Vieira Sousa, que foi também fotografado por Doria sem camisa e ilustrou uma reportagem da Veja sobre doações de sabonete e xampu a abrigos. O outro é o senhor Natalino, o “Natal”.
Paulo César

“Foi só a foto girar na internet que vieram a Globo, o SBT e a Veja aqui. Só que nenhum deles ouve direito a história e chegaram a divulgar que eu era um mendigo falso. Dividimos a comida e temos ajuda da Secretaria de Direitos Humanos”, comenta.

“Eu poderia processar o prefeito por ter tirado foto sem a minha autorização. Mas não vou fazer isso. Dá muito trabalho”.

No Facebook, Doria elogia uns tais “Espaços Vida, que vão ajudar o Gerson e as mais de 16 mil pessoas que vivem nesta situação a terem oportunidades de uma vida mais digna”. Um factoide.

Há um pedido da Secretaria de Direitos Humanos para que o retrato seja retirado do Facebook por causa da exposição indevida de uma pessoa em situação de rua.

A Secretaria de Comunicação teria concordado, mas a imagem continua na rede social. A tramitação do requerimento está emperrada por conta da transição da gestão Haddad para a atual. A equipe de DH deve ser substituída em breve.

Ainda que o apelo de Direitos Humanos chegue ao gabinete do prefeito, é pouco provável que ele seja respeitado. O estilo populista de Doria é baseado nesse tipo de estratégia barata, de vale tudo eleitoreiro.

Os amigos Paulo César e Natal reclamaram que a prefeitura não foi ajudá-los com as chuvas recentes na cidade. “Não fizeram nada por nós ainda. Eu tomei banho é na chuva”.

Coxinhas

Luis Fernando Verissimo
Empilhar criminosos, independentemente do caráter do crime, em cadeias infectas e esperar que eles se entredevorem é um método prático de depuração

O ex-chefe da Secretaria Nacional da Juventude, exonerado do cargo porque lamentou que não houvesse mais chacinas nas prisões, prefaciou sua declaração dizendo que, nesse assunto, era “coxinha”.

Me surpreendi. Sempre achei que “coxinha” fosse o bem-humorado apelido dado às pessoas, na sua maioria de classe alta ou média, que se manifestaram pelo impeachment da Dilma em particular e contra o PT em geral. “Coxinha” era o oposto de petista.

Se eu fosse construir a imagem de um típico “coxinha”, seria um jovem não necessariamente rico, mas bem de vida, com um sincero horror do PT e simpatizantes, convencido de estar defendendo a democracia, além dos seus privilégios.

Jamais imaginaria o bom moço aprovando a guerra de facções e suas terríveis consequências dentro das prisões, para resolver o problema das superlotações. Mas o ex-secretario da Juventude, aparentemente, tem outra definição para “coxinha”. Confessou-se um “coxinha” para justificar uma opinião que só poderia ser de um “coxinha”.

Quantas pessoas se descobririam “coxinhas”, no mau sentido, se precisassem se definir sobre o assunto?

O pensamento nazista é tentador. As experiências de eugenia feitas pelos nazistas para purificação da raça são precursoras do que se faz hoje em matéria de engenharia genética. Com uma diferença: os nazistas faziam suas experiências em crianças, sem anestesia.

A eugenia é um bom exemplo, ou um péssimo exemplo, do que ocorre no Brasil, há séculos.

Há por trás do tratamento dado aqui ao negro, ao pardo e ao pobre, cuja amostra mais evidente é esse sistema carcerário ultrajante, um mal disfarçado intuito de purificação. Empilhar criminosos, independentemente do caráter do crime, em cadeias infectas e esperar que eles se entredevorem é um método prático de depuração. Os campos de extermínio nazista — abstraindo-se a questão moral — eram exemplos de praticidade.

A longa história de descaso das autoridades brasileiras pelo escândalo das cadeias é a abstração moral em pessoa.

Abstraindo-se a questão moral, a receita “coxinha”, no mau sentido, para o problema faz bom sentido. As facções se aniquilam mutuamente, os bandidos sofrem o que merecem — sem anestesia —, e a nação agradece.

Portanto: ignore-se a questão moral.

Em carta, deputados americanos defendem Lula e criticam Moro e Temer

Quadrilha golpista tucana 
Os congressistas também criticam Michel Temer  por tem agido "para proteger figuras políticas corruptas" com objetivo de impor uma série de políticas que nunca seriam apoiadas em uma eleição
Um grupo de 12 deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (18) uma carta endereçada ao embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, onde denunciam o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, de perseguir o ex-presidente Lula com decisões "arbitrárias".

Nela, os congressistas afirmam que estão "preocupados com a perseguição ao ex-presidente, que viola as normas de tratados internacionais que garantem o direito da defesa para todos os indivíduos", de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso ao documento.

"Nos últimos meses, ele tem sido alvo de uma campanha de calúnias e acusações não comprovadas de corrupção pelos grandes veículos privados de mídia alinhados com as elites do país", denunciam, lembrando que "Lula se mantém como uma das figuras políticas mais populares no Brasil de hoje e é visto como uma série ameaça nas urnas por seus oponentes políticos".

"Lula tem sido alvo de um juiz, Sergio Moro, cujas ações parciais e arbitrárias tem ameaçado seu direito de defesa. Por exemplo, o juiz ordenou a prisão arbitrária [a condução coercitiva, em março de 2016] do ex-presidente só para servir de intimação, embora não houvesse nenhuma indicação de que o ex-presidente não quisesse depor na Justiça", segue a carta.

"Exortamos as autoridades federais do Brasil a fazer todo o possível para proteger os direitos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição, como o ex-presidente Lula", prosseguem os deputados.

Eles criticam Michel Temer por tem agido "para proteger figuras políticas corruptas, para impor uma série de políticas que nunca seriam apoiadas em uma eleição nacional e pressionar adversários nos movimentos sociais e nos partidos de oposição".

PCdoB apoia golpista corrupto para a presidência da câmara

Luis Felipe Miguel

Isto é só o PCdoB sendo PCdoB. Mas também é o caminho apontado por boa parte da bancada do PT.

Apoiar Rodrigo Maia não é só apoiar um legítimo representante da nossa elite política medíocre, reacionária e predatória. É apoiar um entusiasta do golpe e um fiel instrumento de todo o desmonte da Constituição promovido pelo governo Temer.

O argumento é que, sem apoiar um favorito, são perdidos cargos na mesa diretora, portanto verbas de gabinete, contratação de assessores etc. Mas ninguém ignora o impacto que esses acertos com os golpistas têm na luta popular. Podemos perguntar: por que a classes trabalhadora, o estudantado, as mulheres, a população negra, a intelectualidade, as periferias têm que resistir, desobedecer, enfrentar a repressão, enquanto quem nos "representa" fica de amigação com o outro lado? Se houve um golpe, como certamente houve, está interrompida a política "normal". Foi criada uma linha divisória forte, entre os que compactuam com o retrocesso e quem luta pelo restabelecimento da plenitude democrática. Qualquer embaçamento dessa linha enfraquece a resistência popular.

Faz lembrar de um velho teórico político conservador, Robert Michels, que há mais de cem anos alertava para o risco da "oligarquização" das organizações políticas com compromisso transformador. Seus dirigentes tornam-se parte da elite, têm privilégios. O enfrentamento com a ordem vigente torna-se, para eles, cada vez menos compensador, já que a permanência no status quo concede tantas vantagens. É o que está por trás da decisão de apoiar Maia. Da ótica de quem está com um mandato na Câmara, perder cargos, verbas e assessores parece um preço alto demais a pagar - pode ser melhor sacrificar a autoridade moral para se pronunciar contra o golpe.

(A obra de Michels peca por simplificações e naturalizações excessivas, mas pode ser lida a contrapelo e contribuir para uma análise crítica da representação política. Para quem se interessar, tenho um artigo sobre o tema (http://www.scielo.br/pdf/rbcpol/n13/a06n13.pdf).

Bem-Estar Social ou barbárie

Menos Estado de bem-estar social leva a mais Estado penitenciário

A proteção aos mais vulneráveis sempre pode caber no Orçamento, mas o genocídio jamais caberá na civilização.
Depois de 134 mortes registradas nos últimos 15 dias em prisões brasileiras, o presidente Michel Temer anunciou na terça-feira (17) a liberação das Forças Armadas para atuar em presídios estaduais, lembrando os tempos da monarquia, que reservava ao Exército tarefas típicas dos capitães do mato, como a prisão de escravos em fuga.

Além da falta de preparo dos militares para esse tipo de situação, a medida recebeu a mesma crítica que o anúncio da abertura de novas vagas em prisões feito anteriormente: nenhuma delas ataca a origem do problema.

Como bem descreveram Julita Lemgruber e Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo no artigo "Show de horrores" publicado nesta Folha em 10/01/2017, não há solução estrutural para o problema prisional que não passe pela redução do número de presos provisórios, cuja maior parte está presa ilegalmente, e pela revisão da atual política de drogas, que, além de superlotar presídios com usuários e pequenos traficantes, confere cada vez mais poder a facções criminosas.

A experiência internacional aponta uma terceira precondição para evitar o problema da superlotação carcerária, algo que certamente não está no horizonte do governo Temer ou, o que é ainda mais grave, do debate político-econômico brasileiro atual.

Conforme sugere o estudo empírico seminal dos sociólogos Katherine Beckett e Bruce Western, que utiliza dados dos Estados norte-americanos entre 1975 e 1995, a taxa de encarceramento costuma ser maior onde o Estado de Bem-Estar Social é mais fraco.

A conclusão dos autores é que a redução dos programas sociais nos EUA durante os anos 1980 e 1990 refletiu a emergência de um novo sistema de administração do que chamam de "a marginalidade social".

O achado vai na linha do que havia exposto o sociólogo Loïc Wacquant em "As prisões da miséria".

Em vez da redução da intervenção estatal na vida social, a opção por "menos Estado" econômico e social, que é a própria causa da escalada generalizada da insegurança objetiva e subjetiva nos vários países, leva à necessidade de "mais Estado" policial e penitenciário.

As evidências apresentadas por Richard Wilkinson e Kate Pickett no best-seller "The Spirit Level", publicado em 2009, parecem conferir generalidade a tais argumentos. Os dados compilados para um conjunto de países ricos indicam que, quanto maior o nível de desigualdade, maior também é a taxa de encarceramento por habitante.

O cruzamento de dados mais recentes de encarceramento apresentados pelo ICPR (Institute for Criminal Policy Research) com o índice de Gini divulgado pelo Banco Mundial sugere que essa relação positiva vale para o conjunto de países do G20 e que o Brasil não foge à regra.

Em uma sociedade como a nossa, que nunca deixou de estar entre as mais desiguais do mundo, a opção por medidas de redução estrutural da rede de proteção social, em vez da via da tributação mais justa e do fortalecimento do Estado de bem-estar social, renova a escolha por uma abordagem exclusivista e punitivista de administrar a marginalidade social.

A proteção aos mais vulneráveis sempre pode caber no Orçamento, mas o genocídio jamais caberá na civilização.

Enquanto a insustentabilidade do sistema previdenciário em meio à elevação da expectativa de vida for vista pela maioria como mais dramática do que a insustentabilidade de um sistema penitenciário em meio à produção de um número cada vez maior de excluídos, estaremos condenados à barbárie. 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Janot encontra-se na Suíça com paraguaio acusado de contrabando e tráfico de drogas

Horácio Cartes, fotos e digitais colhidas quando ele foi preso, em 1989
Em Davos, Janot foi festejado por presidente paraguaio acusado de tráfico de drogas, evasão de divisas etc. 

Rodrigo Janot está entusiasmadíssimo com sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.

O personagem que surge das entrevistas que deu sobre a viagem guarda uma semelhança com o pintado por seu ex-amigo, atual desafeto, Eugênio Aragão, subprocurador e ex-ministro da Justiça.

Segundo Janot, o convite se deveu “à curiosidade quanto ao exercício no Brasil de combate à corrupção”.

Ao Valor, teceu considerações sociológicas sobre modelos econômicos. “O que se quer é evitar o capitalismo de compadrio, a cartelização, assegurar a concorrência, a eficiência econômica e o desenvolvimento tecnológico”, disse.

“A Lava Jato é pró-mercado”, cravou. Um salve para você que achou que era pró-Constituição e pró-Estado de Direito.

Janot estava lá representado um governo afundado em escândalos, com presidente citado mais de 40 vezes em delação e seis ministros a menos em oito meses.

Mas a maior contradição, e especialmente emblemática do passeio, foi a cena do encontro caloroso com um personagem sul-americano controvertido.

Clóvis Rossi, em reportagem baba ovo na Folha, escreveu que o Fórum “abraçou” a Lava Jato.

Reproduzo um trecho:
O abraço foi tão apertado que o chanceler paraguaio Eladio Loizaga fez questão de puxar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma “selfie” com seu chefe, o presidente Horácio Cartes.

Pouco antes, Cartes qualificara de “histórica” a Lava Jato, em um debate sobre o futuro da América Latina em que Janot nem sequer estava inscrito para falar.
De acordo com Clóvis, o procurador geral da República citou a cooperação com países latino americanos como uma das chaves de seu sucesso. Destacou o Paraguai.

“O que está acontecendo no Brasil com o Ministério Público é um exemplo para o mundo”, saudou Cartes. Clóvis registra que o paraguaio foi acusado de ser o principal responsável pelo contrabando de cigarros falsificados para o Brasil. “Mas o ruído amenizou bastante depois da posse e nos anos mais recentes.”

O ruído amenizou (!?!), mas a ficha corrida não desapareceu com o vento. O cidadão que festejou efusivamente Rodrigo Janot está envolvido em uma nuvem de contravenções barra pesada.

Um dos homens mais ricos do Paraguai, filiado ao conservador Partido Colorado, Cartes é presidente de um conglomerado que produz bebidas, cigarros, charutos, roupas e carnes, além de gerenciar centros médicos.

Em 2000, a polícia encontrou um avião com registro brasileiro em sua fazenda, levando um carregamento de cocaína e maconha. A presidente de seu partido, Lilian Samaniego, sugeriu que ele tinha vínculos com o narcotráfico.

É suspeito também de lavagem de dinheiro através de operações em seu banco, conforme vazamentos do Wikileaks.

Em abril de 2013, a Istoé publicou uma matéria sobre sua parruda ficha criminal, “conservada em absoluto sigilo há quase dez anos na residência de uma autoridade da Justiça daquele país”.

Ela inclui “prisão por evasão de divisas e processos por falsidade ideológica, falsificação de documentos e estelionato”.

Como soi acontecer, é um bastião da moralidade. Durante a campanha, declarou que “atiraria nos próprios testículos” se tivesse um filho gay.

Levar um abraço apertado e um sorriso dobrado de Cartes não parece a coisa mais recomendável. 

Nem em Asunción.

PSDB faz reunião de emergência


FHC, Serra, Aécio, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin convocam uma reunião de emergência no Ici Bistrô, em Higienópolis. Na pauta: o candidato do partido em 2018.

FHC: Chegou todo mundo?
ALOYSIO: Não. Falta o Geraldo. Hoje é dia de encontro da Opus Dei lá no Palácio.
SERRA: Carola filho da puta. Vamos iniciar sem ele. É até melhor.
ALOYSIO: Não começa a dar chilique, Serra.
SERRA: Todo mundo sabe qual é a minha opinião. Vou pra Fazenda e fim de papo.
AÉCIO: Só por que o Armínio não quis...
SERRA: Cala a boca, moleque! “Pó pará, hein!”.
FHC: Calma, gente. Assim não, pô!
AÉCIO: Vou ao banheiro. Com licença.
SERRA: Isso, vai lá, mas não exagera.
ALOYSIO: Serra, não se empolgue muito. O Temer pode cair. Aí vão convocar novas eleições.
FHC: A gente precisa de uma chapa forte. Gente nova. O povo quer renovação.
ALOYSIO: Que tal Luciano Huck e Ronaldo de vice?
FHC: Quem é Ronaldo?
ALOYSIO: Ronaldo, o Fenômeno. O jogador de futebol.
FHC: Não conheço.
SERRA: Isso é uma palhaçada. Vou pra Fazenda e serei o candidato em 2018. Está decidido. Se precisar sair do partido eu saio.
ALOYSIO: Você nunca será FHC. Nunca será!
SERRA: Vai tomar no cu, Aloysio! Nem pra terrorista você serviu. Chofer do Lamarca!
ALOYSIO: Do Marighella! Me respeita, Serra! Olha que eu chamo a Katia Abreu para dar um jeito em você.
FHC: Pô, pessoal, assim não dá! Todo jantar é a mesma coisa.
Geraldo Alckmin chega:
– Que gritaria é essa, minha gente? Cadê o Aécio?
FHC: Tá no banheiro. Há meia hora.
Geraldo: Esse rapaz precisa conhecer a palavra de Deus.
ALOYSIO: Leva o Serra também. Vampiro ducaralho.

Branco no Brasil

Graffiti é crime



Graffiti, grafite?

Grafitegrafito ou grafíti (do italiano graffiti, plural de graffito) é o nome dado às inscrições feitas em paredes, existentes desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade.

Wikipedia

Depois do colapso, virá o FMI

Nilson Lage

Profecia:

O Brasil poderia ter usado as reservas que acumulou para, sabiamente, efetuar o pouso suave para a nova condição econômica a que o confinou a queda do preço das commodities.

Poderia ter usado as dezenas de bilhões de dólares para manter a posse de campos de petróleo, e refinarias, seguir em ritmo mais lento com obras de infraestrutura ou, terminar projetos importantes em fase de conclusão, como os canais do São Francisco.

Poderia, em última hipótese, ter-se armado, já que há o risco de isso terminar a ferro e fogo.

Mas não. Gasta as reservas aos poucos para manter o dólar em custo baixo e, com base nas importações, controlar pelo maior tempo possível a inflação interna - além de viabilizar as férias em Miami para sujeitos abonados, como juízes e procuradores...

Já fez isso antes.

Quando acabarem as reservas, pedirá dinheiro emprestado.

Banco, como se sabe, empresta barato quando não se precisa, e cobra tanto quanto mais necessitado você esteja.

Virão comissões do FMI e do Banco Mundial, saudadas alegremente pela imprensa mais escrota do universo.

Economistas darão sábias explicações.

Também já vimos isso.

Comandando o espetáculo o maestro Ilan Goldfarm, conhecido agente bancário, que tem ouro até no nome, além da vaga conotação rural.

Um governo do fim do mundo

Sérgio Salomão Shecaira
Punir mais, como quer o ministro da Justiça, é querer alimentar a insegurança dos cidadãos. E tem um custo muito alto que nosso Estado falido não consegue suportar.
Definitivamente o ministro Alexandre de Moraes não é do ramo. Já foi presidente da CET (Companhia de Engenharia de Trafego) e secretário municipal de Serviços e de Transportes de São Paulo. Falta-lhe, no entanto, estofo para enfrentar o cotidiano do Ministério da Justiça. Sua gestão permitia supor uma tragédia anunciada. E as tragédias ocorreram.

Os avanços pontuais –e que não foram tantos– do Ministério da Justiça foram destruídos. A nem tão progressista política de drogas foi varrida pelas imagens de um ministro cortando pés de maconha e declarando guerra às drogas.

Até a ONU está percebendo que tal guerra não está dando muito certo. Basta ver o poderio econômico do tráfico no Brasil e no mundo. Se o Brasil tem um dos maiores incrementos de população carcerária do planeta é porque a guerra inunda os presídios com pequenos traficantes. E não resolve o problema da criminalidade. Bem ao contrário.

Políticas preventivas como o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania foram trocados por sinalizações repressivas. O tradicional indulto de Natal, gestado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, com trâmite pelo Ministério da Justiça e assinado pelo presidente da República, ignorou o trabalho do conselho, que o elabora com audiências abertas à comunidade jurídica.

Em sentido contrário à moderna política criminal, que vê no indulto instrumento de garantia de direitos humanos e de mitigação das dores do cárcere, fez-se tábula rasa da proposta, apequenando o sentido humanizador do indulto, em demonstração evidente do caráter repressor assumido pelo ministro. Ninguém foi poupado. Criminosos comuns e até idosos, tetraplégicos e cegos tiveram indulto dificultado.

O Estado, avassalado pelo novo regime fiscal, parece querer fazer caixa com o dinheiro de miseráveis condenados. Extinguiu-se o indulto da pena de multa, existente desde 2008. O conjunto de medidas dispostas no decreto 8.940/2016, que trata do indulto natalino, foi uma clara mensagem de que bandido bom é o bandido morto.

Vá lá. Tudo isso seria admissível na lógica da ideologia punitivista. O que não se admite, contudo, é a pura burrice. Não permitir que se faça o encaminhamento do indultado ao Sistema Único de Assistência Social, modelo de gestão criado pela lei 8.742/93, é querer condenar o egresso do sistema à profecia da reincidência que se autorrealiza.

Se ainda há quem acredite que o objetivo da pena é mitigar a reincidência e reinserir o condenado na sociedade, o ministro da Justiça conseguiu, de uma penada, dizer que o Estado deve perseguir até a morte o criminoso. Javert não conseguiu fazer tanto com Jean Valjean.

Mas a responsabilidade do titular da Justiça é maior. Falar em criminalidade organizada no Brasil, como se fosse algo nascido fora da prisão, é ignorar a realidade. As facções criminosas nasceram entre nós como uma resposta ao comando punitivo exacerbado dos cárceres.

Punir mais, como quer o ministro da Justiça, é querer alimentar a insegurança dos cidadãos. E tem um custo muito alto (concursos, treinamento etc.), que nosso Estado falido não consegue suportar.

Com a política de terra arrasada feita pelo ministro Alexandre de Moraes, e com o número de mortos que excede ao massacre do Carandiru, ele já ganhou seu lugar na história: é o Pedro Franco de Campos (secretário de Segurança à época do massacre em SP) do governo federal.

SÉRGIO SALOMÃO SHECAIRA, professor titular da Faculdade de Direito da USP, presidiu o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça de 2007 a 2009 (governo Lula)

O que Obama não disse em seu último discurso

Mais do mesmo
Análises mainstream enxergam na figura de Barack Obama um presidente pacifista. Porém, pergunte às vítimas de Washington…

Por Diego Araujo Gois, no Outras Palavras

A poucos dias de encerrar o seu mandato como presidente dos EUA, Barack Obama fez na noite de 10 de janeiro o seu discurso de despedida em Chicago. Palavras de ordem como “Yes we did” (sim nós fizemos) ditaram o tom do pronunciamento, que além de destacar o estado da democracia americana também chamou a atenção para os feitos de sua administração nesses oito anos. Temas como geração de empregos, casamento entre pessoas do mesmo sexo, acordo nuclear com o Irã, nova página nas relações com Cuba e até mesmo uma referência à morte de Osama Bin Laden foram lembrados por Obama, passando a mensagem de que “A América é um lugar melhor e mais forte hoje do que era quando começamos”.

Um aspecto marcante quando a mídia e até mesmo analistas fazem menção ao governo Obama é destacar as suas virtudes e os seus predicados pessoais. A imagem de líder comprometido com o multilateralismo e com a diplomacia, o fato de ter sido o primeiro presidente negro da história dos EUA, boa oratória, estudou em Harvard, recebeu o prêmio Nobel da paz em 2009, o fato de ter discursado na universidade do Cairo, ter visitado Hiroshima, etc… Todos estes itens elevaram não só a admiração pela sua personalidade, como também a expectativa em torno da sua capacidade de transformar a política americana e mundial. O lema “Yes we can” encheu de esperança não apenas eleitores do Partido Democrata, mas também, pessoas de diversas regiões do mundo.

Entretanto, o foco excessivo nas características pessoais de Obama costuma levar a maioria das pessoas e analistas a uma espécie de miopia quando se trata de olhar para as ações do seu governo. Alguns fatos nos permitem observar com mais clareza as ações que fizeram parte de seu governo e perceber que algumas tendências estruturais, opostas aos ideais pacifistas, foram mantidas e intensificadas no seu mandato. Por exemplo, o governo Obama deportou, nos seus primeiros quatro anos, o dobro de imigrantes ilegais que o seu antecessor George W. Bush nos seus oito anos de mandato. Além de espionar aliados, inclusive o Brasil e ainda manter em funcionamento a prisão de Guantánamo, contrariando uma das suas promessas de campanha.

O especialista em Segurança Internacional Michael Zenko, que escreve para o Council on Foreign Relations, apurou nos arquivos do Pentágono que só em 2016, os EUA lançaram 26.172 bombas em sete países. Foram 12.192 bombas lançadas na Síria, 12.095 no Iraque, 1.337 no Afeganistão, 496 na Líbia, 35 no Iêmen, 14 na Somália e 3 no Paquistão. Zenko ainda destaca que a doutrina Obama, apesar de reduzir o número de militares no Iraque, aumentou o uso de ataques aéreos, principalmente através de drones. Esse aspecto, segundo Medea Benjamin colunista do The Guardian, pode ter significado a redução de soldados americanos mortos em combate, porém “não temos ideia de quantos civis foram mortos nos bombardeios maciços no Iraque e na Síria”. Um exemplo disso foi o trágico bombardeio ao hospital da organização humanitária Médicos sem Fronteiras, em Kunduz no Afeganistão, deixando 42 mortos e 37 feridos e que foi, posteriormente, reconhecido como um “erro” pelo exército americano.

Um outro aspecto nada pacifista que marca o governo Obama é o fato de que foi o seu governo o que mais vendeu armas desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso americano, a maioria das armas negociadas sob a gestão Obama acabaram no Oriente Médio, incluindo mísseis terra-ar, tanques e aviões de combate supersônicos. O valor total negociado no período de 2008-2015 foi superior aos 200 bilhões de dólares. Cole Bockenfeld, que é diretor do projeto Middle East Democracy disse que “o que mudou durante o governo Obama é que o aumento da venda de armas tornou-se um componente padronizado da diplomacia em todos os níveis do governo, não apenas no departamento de defesa, para que os diplomatas dos EUA se tornem vendedores, esse foi um novo elemento que realmente aumentou as exportações”.

Ao mesmo tempo em que Obama simbolizava uma mudança substancial na política externa americana, não foi capaz de se opor a estrutura do establishment político-industrial-militar. Ou seja, a forma como são conduzidos os assuntos rotineiros de política externa e militares dos EUA não se alterou com os exercícios de retórica do então presidente. O lobby da indústria de armas e o papel que as forças armadas exercem na burocracia estatal são elementos que fazem parte do cotidiano da política americana estando acima das divergências partidárias e das qualidades individuais dos presidentes.

Personificar o debate sobre o legado do governo de Barack Obama pode nos levar a uma visão fantasiosa da realidade. Os aspectos simbólicos do seu governo e do seu discurso muito provavelmente estarão em evidência nas análises e explicações dominantes na grande mídia. Porém, o perigo de concentrar o olhar nestes recursos explicativos é negligenciar as ações que de fato vão construindo a política e o mundo real.



Diego Araujo Gois é mestrando do Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP) e pesquisador do GECI

Quem são e onde estão os grandes traficantes

Cadu de Castro

O tráfico de drogas e de armas é apontado como a atividade mais lucrativa do mundo, isto é, a que gera mais riquezas. No entanto, as mídias hegemônicas insistem desonestamente em localizá-lo nos subúrbios, nos cortiços, nas favelas. Ora, como uma atividade que gera tanta riqueza pode estar circunscrita a ambientes de pobreza e miséria? Lá está só o varejinho.

Os grandes traficantes são proprietários de mega-empresas, jornais, rádios, tevês, latifúndios, bancos, igrejas e outros negócios onde lavam o dinheiro podre. São os que financiam e elegem políticos que representam seus interesses em câmaras e no Congresso Nacional.

Os grandes traficantes não estão em celas fétidas e superlotadas dos falidos presídios do país. Os grandes traficantes são chamados de “doutor" e figuram nas colunas sociais. São admirados e exaltados pelas mídias e por parte da população como exemplos da meritocracia: trabalhadores dignos e homens de bem.

Eleição de Trump piora situação do Brasil?


A imprensa global interpreta a realidade como se fosse única. E, no caso brasileiro, prevê o pior para o Brasil com a chegada de Trump ao poder. Depende. Enquanto estiver nas mãos dos golpistas de turno o Brasil não tem nenhum futuro, qualquer que seja o presidente dos Estados Unidos. Porque, atualmente, quem manda no Brasil não tem nenhum projeto de País. Ao contrário, está mais preocupado em desmontar o que existe, em não deixar pedra sobre pedra. Entregar tudo! 

O fato é que a chegada de Trump não é nada boa, sim, para os golpistas de turno. Porque estavam preparados para incluir o Brasil nos planos traçados para o Império para uma presidência de Hillary Clinton. E, com certeza, com Trump serão outras as prioridades.... 

O futuro do Brasil, independentemente de quem assuma a Casa Branca, passa por derrotar os golpistas, eleger um governo democrático e representativo da vontade dos brasileiros e comprometido com um projeto de desenvolvimento que distribua renda e oportunidades pra todos.

Rio de sangue


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