domingo, 19 de fevereiro de 2017

Echoes

David Gilmour & Rick Wright
★ Echoes ★ Live

Freire agrediu Nassar para não ser demitido

Alex Solnik

Desde a fatídica sexta-feira em que cometeu a grosseria e protagonizou o vexame internacional de atacar o escritor Raduan Nassar que chamou o governo Temer de golpista durante a cerimônia de entrega do Prêmio Camões, a agenda principal do ministro da (in) Cultura, Roberto Freire, tem sido justificar-se e reincidir nos ataques, em vez de reconhecer o erro e pedir desculpas ao escritor, ao menos por respeito aos mais velhos.

O mais recente, em que confirma seu estilo "bateu, levou", consagrado, em 1992, pelo assessor de imprensa do presidente Collor está na "Folha" de hoje:

"Quem fala o que quer ouve o que não quer".

Essa insistência em justificar o injustificável e tentar impor a sua versão ao repeti-la ad nauseum (e bota nauseum nisso) dá o que pensar.

A primeira conclusão é que chamar o governo Temer de golpista ainda incomoda. E, se incomoda, é porque a pecha está cada vez mais viva e atual. O governo nasceu de um golpe parlamentar, derrubando uma presidente que tinha maioria de votos no país, mas não no Congresso sob pretextos forjados e continuou nessa trilha ao impor ao país uma agenda de supressão de direitos trabalhistas e sociais que não fizeram parte da proposta da chapa Dilma-Temer durante a campanha eleitoral. O golpe não se esgotou. Está em marcha. Só não se sabe para onde.

A segunda é que o conceito de democracia vem se esgarçando a olhos vistos desde o golpe. Não fosse assim, uma opinião desagradável ao governo não precisaria ser contestada: críticas são absorvidas normalmente num regime democrático. Nem o ministro alegaria naquele momento que "permitimos que ele dissesse o que quisesse". Numa democracia plena não é necessário pedir permissão para criticar.

A terceira conclusão só pode ser compreendida à luz da primeira reunião ministerial de Temer, na qual ele instruiu seus ministros a reagirem imediatamente a qualquer menção a governo golpista, viesse de onde viesse, e de que forma:

"Golpista é você, que está contra a Constituição".

"Não vamos levar desaforo para casa. Não podemos deixar uma palavra sem resposta".

"Se é governo, tem que ser governo".

Freire ainda não era ministro, mas não se esqueceu das instruções. Reagiu ao discurso civilizado de Nassar com uma voadora no peito por medo de contrariar as determinações de seu chefe.

É isso. Freire sentiu que, se as palavras de Nassar repercutissem mais que as suas o risco de perder o emprego seria enorme. Ele precisava deixar claro de que lado está. Do lado dos golpistas, é claro.

Daí a necessidade de voltar ao tema todos os dias. Daí a necessidade de mostrar todos os dias que é um aluno obediente da Escolinha do Professor Temer.

Freire sabe que este pode ser o último bom emprego de seu crepúsculo político. Daí o seu apego à cadeira.

Nas últimas eleições a deputado federal por São Paulo não conseguiu mais que a sétima suplência e só chegou à Câmara dos Deputados graças a manobras de seu santo protetor Geraldo Alckmin – como me alertou meu colega e seu ex-companheiro de PCB, Juca Kfouri.

E bota "ex" nisso: atualmente, Juca nem atende seus telefonemas.

Atom Heart Mother



Pink Floyd - Atom Heart Mother Live@Théâtre du Chatelet HD

Orchestre Philharmonique de Radio France with Ron Geesin

Jugband Blues



A salada do golpe desandou

Jorge Linden

Por mais que caprichassem na elaboração e execução, algumas pontas do golpe não se encaixaram. E a salada desandou! Onde era para aparecer Aécio ou Alckmin, surgiu Bolsonaro. É impensável para todos os envolvidos, da política, da mídia ou da FIESP, ficar na contingência de ter que apoiar Bolsonaro para evitar Lula. Neste momento, é o dilema da direita. E é esse dilema que leva Reinaldo Azevedo a chamar a Joice Hasselmann de "loira de banheiro".

Michel Temer e Roberto Freire discutem mudanças no Prêmio Camões de Literatura


Michel Temer conversa com Roberto Freire sobre mudanças no Prêmio Camões de Literatura.

— Roberto, que papelão, francamente!
— Ah, desculpa, eu não aguentei, presidente...
— Estou me referindo àquele escritorzinho comunista.
— Ah, sim, o Raduan. Um oportunista, mau caráter.
— Ganhou 100 mil euros da gente e ainda reclama?
— Pois é, presidente, não se pode confiar nunca num comunista.
— Chamei você aqui porque quero fazer algumas mudanças nesse prêmio.
— O senhor manda.
— Vamos começar pelo nome. Quero prestigiar um autor nacional. Alguma sugestão?
— Prêmio Gabriel Chalita?
— É um grande nome, mas ele está com o Haddad agora.
— Que tal Prêmio Merval Pereira de Literatura?
— Ele tem livro publicado?
— Acho que não, mas é membro da Academia Brasileira de Letras.
— Ótimo! A Globo vai adorar. Quero também acrescentar uma nova categoria. Cota pessoal.
— Que categoria seria essa?
— Livros pra colorir. A mãe da Marcelinha quer concorrer. A velha até que tem bom gosto com as cores, sabia?
— Posso imaginar, presidente.

Hipocrisia


Luis Fernando Verissimo

O ministro Celso de Mello tem razão. O ministério dado pelo Temer ao Moreira Franco em nada se parece com o cargo que a Dilma queria dar ao Lula. A principal diferença é que o Temer inventou um ministério exclusivamente para acolher o amigo. Alvejou duas coisas com um decreto só: a ética e a austeridade propagada pelo seu governo. O codinome do Moreira Franco na Polícia Federal é “Angorá”, e Temer o tratou com o carinho que só um bicho de muita estimação merece. O que não deixou de ser bonito, como qualquer manifestação de amizade.

Na sua sentença, o ministro Celso de Mello disse que o foro privilegiado presenteado ao Moreira Franco não impede que ele sofra processos. Esqueceu-se de mencionar que o foro privilegiado beneficia os investigados com a protelação dos processos, o que, na maioria dos casos julgados pelo Supremo, resulta em prescrição ou repasses a instâncias inferiores, ou o desaparecimento. Matéria publicada no GLOBO sobre o assunto, há dias, mostra que a condenação de julgados com foro especial ocorre em apenas 0,74% dos casos. Menos de um por cento! Não se acuse o respeitável ministro Celso de Mello de hipocrisia. Hipócrita é o sistema que permitiu que se chegasse a essa deformação.

Minha anedota favorita: há anos fez muito sucesso um bolero chamado “Hipócrita”. Um bêbado entra numa boate onde se apresenta um cantor. A plateia pede insistentemente que o cantor cante o bolero da moda, gritando “Hipócrita!”, “Hipócrita!”, “Hipócrita!”. O bêbado salta da sua cadeira e também começa a gritar “Filho da mãe!”, “Cretino!”. Está bem, a anedota não é tão boa assim. Eu só queria dizer que quando se começa a chamar até um sistema judiciário de hipócrita, outros epítetos virão. Vivemos hoje, no Brasil, à beira de um cinismo terminal, que aumenta cada vez que um Jucá, um Padilha, um Eunício Oliveira, um Rodrigo Maia um etc. abre a boca. A desmoralização da classe política no Brasil levará algumas gerações para ser sanada, no futuro.

Mas talvez nosso futuro não seja o desejado. Jair Bolsonaro vem aí. Ele foi o segundo colocado, depois do Lula, numa pesquisa recente sobre intenção de voto em 2018. Bolsonaro presidente? Impensável, claro. Como a eleição de Trump nos Estados Unidos. Que você viva em tempos interessantes é o que os chineses desejam ao pior inimigo.

A reação da mídia ao crescimento de Lula nas pesquisas

Leandro Fortes
FLACTOS

Passados quatro dias da pesquisa CNT/MDA, que aponta a vitória de Lula, em todos os cenários, para 2018, a reação da mídia, até aqui, não poderia ter sido mais patética.

Como a Lava Jato não ofereceu a solução de sempre - prender petistas para tirar o foco do noticiário -, a mídia, primeiro, tentou ignorar o fato. Sinal de que as redações ainda estão cheias de gente velha e cabeçuda que ainda não entendeu a força e a dimensão das redes sociais.

Quem buscou a solução mais radical foi a Revista ISTOÉ, que foi catar no hospício um químico de araque para atacar Lula e o PT. É uma dessas investidas do esgoto jornalístico brasileiro que ninguém nem lê, mas se diverte só de saber o tamanho do desespero dessa gente.

Agora, a Folha de S.Paulo aparece com um "orientador de carreira" da Odebrecht para o filho de Lula.

Orientador de carreira.

Nesse caso, ao que tudo indica, o repórter confundiu o candidato.

Quebradas pelos agentes americanos, empreiteiras brasileiras colocam tudo à venda

Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, em dificuldades financeiras após a Lava Jato, se desfazem de ativos importantes e buscam compradores para negócios como o estaleiro EAS e as empresas Loma Negra e São Lourenço; a Andrade pretende ser só construtora daqui em diante, enquanto a Camargo quer se tornar holding de investimentos

247 - Deixando a Operação Lava Jato com dívidas, demissões e obras paralisadas, as empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez têm colocado ativos importantes à venda nos últimos meses, aponta reportagem do Estado de S.Paulo neste domingo 18.

As empresas, acusadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras, buscam compradores para negócios como o estaleiro EAS (Atlântico Sul) e as empresas Loma Negra (cimenteira) e São Lourenço (saneamento).

A Andrade pretende ser só construtora daqui em diante, enquanto a Camargo quer se tornar holding de investimentos. Há ainda na lista de vendas hidrelétricas e estádios.

Governo refém (2)


sábado, 18 de fevereiro de 2017

"QUANTO É" publica mais uma mentira contra Lula


Esta semana, mais uma vez, a revista Isto É, conhecida em círculos jornalísticos como "Quanto É", publicou na sua capa uma mentira contra o ex-presidente Lula. Desde que aconteceu o golpe, a revista Isto É foi uma das publicações que teve os maiores aumentos proporcionais de verbas governamentais. A publicidade do governo federal no semanário subiu 340% desde que Michel Temer, eleito pela revista "O Brasileiro do Ano", chegou ao poder. Dinheiro dos seus impostos. Ou seja: o novo governo federal corta na saúde, na educação, mas multiplica os recursos para uma revista mentirosa que ataca Lula porque ele aparece nas pesquisas vencendo a eleição de 2018, e para espalhar propagandas onipresentes defendendo corte de direitos dos trabalhadores e aposentados e mudanças no ensino para os jovens.

A revista já publicou sandices como a de que Lula teria uma mansão no Uruguai (loucura desmentida até pelo global Alexandre Garcia, que odeia Lula) e de que Lula teria recebido dinheiro vivo, todas acusações inventadas e absolutamente sem provas. Desta vez, ouve uma pessoa sem equilíbrio ou credibilidade, com uma história maluca, sem checar ou ouvir o outro lado e joga declarações sem base ou prova em sua capa para tentar difamar Lula. Difamação paga com recursos públicos que o governo diz estarem em falta.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

O que significa retirar História, Sociologia e Filosofia e Geografia da grade obrigatória do ensino?

Claudio Daniel

O que significa retirar História, Sociologia e Filosofia e Geografia da grade obrigatória do ensino?

1) enfraquecer a formação cultural, a consciência política, a visão crítica e os direitos de cidadania dos jovens brasileiros;

2) aumentar o índice de desemprego dos professores, sobretudo na rede pública;

3) reduzir a escola ao papel de formação básica sobretudo para cursos técnicos;

4) enfraquecer os cursos universitários da área de humanas, que poderão ter menos alunos, já que a perspectiva profissional será reduzida;

5) golpear o movimento estudantil e os sindicatos de professores;

6) emburrecer mais e mais a sociedade brasileira, para que ela aceite passivamente o projeto de destruição nacional.

Conheça o demente Davincci Lourenço, fonte da revista Quanto É para atacar Lula



Conheça melhor o doente mental usado pela Quanto É em seu Facebook

A direita xucra em frenesi


É curioso ver Reinaldo Azevedo em brigas. Muda o adversário, mas o roteiro que ele segue é sempre o mesmo. Zero em originalidade.

Desta vez, o alvo foi a jornalista Joice Hasselmann, com quem ele conviveu algum tempo na falecida TV Veja.

Num vídeo, ela o acusou de ter mudado. Joice pareceu especialmente magoada com uma expressão que Azevedo usou para designar o pessoal que vestia camisa verde-amarela e ia para as ruas contra Dilma: direita xucra.

Joice feriu com um vídeo e com outro vídeo foi ferida. Azevedo foi o mesmo Azevedo de todas as polêmicas.

O que ele sempre faz:

1) diz que não acompanha o trabalho do oponente, num gesto de desprezo superior. “Um amigo me mandou e blablablá”.

2) se autolouva loucamente. Na resposta a Joyce, disse que é ouvido por “40 milhões” de pessoas na Jovem Pan.

Antes, fazia questão de dizer que inventara a palavra “petralha”, “dicionarizada”. Pelo menos até onde vi em seu vídeo dirigido a Joyce, ele não reivindicou a autoria de “petralha”, talvez porque a palavra caiu em desuso.

3) Desce às minúcias para se promover e rebaixar o outro. Joice disse que ele estava ao lado dela nas manifestações contra Dilma.

Ele corrigiu, irritado ao ponto de chamá-la de louca e maluca mais de uma vez: era ela que estava a seu lado.

Qual a diferença entre uma coisa e outra? Ele deixa claro que tem a precedência porque é o “Reinaldo Azevedo” e Joice uma desconhecida até ser chamada para a TV Veja.

A Veja deu a ela “visibilidade”. Verdade. Joice era conhecida apenas regionalmente, no seu Paraná de origem.

Mas um momento: não ocorreu o mesmo com ele próprio? Azevedo era um jornalista de segunda linha até que a Veja lhe deu notoriedade como blogueiro.

Enfim, são aqueles três os pontos centrais invariavelmente de Azevedo nas polêmicas.

De resto, era presumível mesmo que a direita, depois de atingido o objetivo comum de derrubar Dilma, se dividisse.

É nesse quadro que o conflito entre Joice e Azevedo deve ser entendido.

A direita está em frenesi diante do confronto. Rodrigo Constantino logo tratou de se manifestar. Tomou o partido de Joice.

Azevedo mudou mesmo, de acordo com Constantino. Virou um “tucano”.

Num texto publicado no Facebook, Constantino informou até o número de visualizações de cada vídeo até o momento. Vitória de Joice: 80 mil acessos contra 20 mil.

Constantino notou ainda que Azevedo desativou comentários em seu vídeo.

Nem aí Azevedo surpreendeu: em seu blog ele deleta qualquer comentário que não seja favorável.


Conheço pouco de Azevedo, e quase nada de Joice. Mas o que sei é o suficiente para dizer que, essencialmente, os dois se merecem. São ícones, os dois, da direita xucra.

Mendonça Filho confirma que HAVERÃO mudanças no ensino médio



Prepare seu coração

Palmério Dória

"Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão e o resultado da última pesquisa pode não lhe agradar."

(Lula)

Fantasia de otário está em promoção

Lula Marques

Galera tem promoção do uniforme dos coxinhas patéticos. Vamos sair no carnaval fantasiado de Otários!!!!
Humberto Capellari

Morena de Angola (remix)

Coxinha gabola que tem o rabo entuchado / com a panela
Será que ele bate a panela pro rabo piscar / com essa balela
Será que ele vai batucar a panela e xingar / os mortadela
Será que a ficha caiu e restou enfiar a / velha panela


No reino do PMSDB

Weden Alves

Hoje Temer anunciou a promulgação da lei que permitirá a venda de terras brasileiras a estrangeiros, uma medida que nenhum país desenvolvido autorizaria. Também hoje Doria anunciou o corte de 700 mil crianças do Programa de fornecimento de leite, coisa que nenhuma nação civilizada faria; e ainda hoje Roberto Freire agrediu Raduan Nassar, em plena entrega do Prêmio Camões, atitude que ninguém de caráter ousaria.

Youtuber de Temer é a cara do golpe

Luis Felipe Miguel

​Só a ingenuidade nos faz sentir espanto ao ver que o youtuber de Temer é caricatamente racista, misógino e homofóbico. Essa é a alma do golpe, cujo projeto é revogar tudo, absolutamente tudo que conseguimos produzir de avanço civilizatório de 1500 até hoje.

Um tuíte do rapaz é interessante: aquele em que ele acusa os nordestinos de "pensar com a barriga" e por isso votar em Dilma. Por que "pensar com a barriga" e votar de acordo é tamanho pecado? O burguês que pensa com o bolso e subordina sua ação política às vantagens que pode obter é louvado como um modelo do eleitor racional. Mas do pobre se exige um altruísmo sem par. Ele deve ignorar seus próprios interesses em nome do "bem comum" que - fatal coincidência! - é o bem dos que o exploram.

Há muito o que criticar nos governos do PT. Dizer que eles adotaram políticas que falaram à barriga dos mais pobres é o melhor elogio que se pode fazer a eles.

A direita está certa

Marco Antonio Araujo

É tão simples, o Raduan Nassar, o Chico Buarque, o Valter Hugo Mãe, o Antônio Cândido, a Marilena Chauí, a Letícia Sabatella, o Wagner Moura e toda a fina flor da inteligência e artes brasileiras (fora os agregados de peso internacional) estão errados.

E o Alexandre Frota, o Lobão, o Marcelo Serrado e o Kin Takategori estão certos.

Ó, cêis golpistas tão de parabéns. E assim vão permanecer, pelo visto.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Golpista Temer deu 65 mil para YouTuber homofóbico, misógino e racista defender "reforma" do ensino médio


Um vídeo no YouTube que explica "tudo que você precisa saber sobre o ensino médio" já tem mais de 1,6 milhão de visualizações. Com conclusões positivas sobre a reforma, o material tem a aparência de espontaneidade, mas trata-se de publicidade disfarçada do MEC (Ministério da Educação).

O governo Michel Temer pagou R$ 65 mil para o canal Você Sabia falar bem da reforma. Comandado por dois jovens, o canal no YouTube conta com 7,1 milhões de assinantes.

No vídeo, publicado em 31 outubro de 2016, os youtubers Lukas Marques e Daniel Molo explicam benefícios da reforma. "Com esse vídeo você aí deve estar dando pulo de alegria. Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança eu ficaria muito feliz", diz um deles.

Nada no vídeo diz que se trata de conteúdo pago. Pelo contrário. "A gente achou o tema bastante interessante, uma galera [estava] discutindo nas redes sociais, e então falamos: deixa com nós que a gente explica direitinho", reforça um deles no final.

Justiça: o ministério que não faz falta

Weden Alves

Desde que o Careca do Barco da Orgia saiu do Ministério da Justiça, cargo que jamais assumiu de fato, há um vácuo neste elo da Esplanada. Hoje Velloso disse não. Há umas três semanas o país não tem um ministro da Justiça. E o mais incrível é que até agora ninguém se deu conta. Ninguém sentiu falta. Mesmo durante a Revolta contra o Arrocho que levou 140 vidas embora no Espírito Santo. Uma sugestão para o Suposto: Governo Golpista não precisa de Ministério da Justiça. Seria uma contradição em si mesma. É melhor economizar.

Isso lembra a história de um panaca da Ditadura brasileira que perguntou a um presidente boliviano, "por que cargas d'água, um país sem mar tem Ministério da Marinha". E recebeu como resposta outra pergunta: "Pelo mesmo motivo que o Brasil tem Ministério da Justiça".

É só pra constar.


O intelectual Raduan Nassar e o político hipócrita Roberto Freire

Claudio Guedes 

O intelectual e o político hipócrita.

Hoje, 17/02, ao receber o prêmio Camões, o escritor Raduan Nassar usou o espaço que tinha direito para fazer um pronunciamento político. Intelectuais fazem política à sua maneira e aproveitam os momentos em que são homenageados para soltarem "o verbo". É praxe, é da democracia.

Em seu discurso de apenas duas páginas, concluído com a frase "O golpe estava consumado. Não há como ficar calado", Raduan fez uma dura crítica à política no país. Matéria do UOL/Folha traz os detalhes do discurso e da reação que provocou no representante do governo ao evento.

O primeiro criticado por Raduan foi o ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes. Ele acusou Moraes de ser o responsável pela invasão de escolas ocupadas, pela prisão recente de Guilherme Boulos e de "violência contra a oposição democrática" que se manifesta nas ruas.

"Esta figura exótica agora é indicada ao Supremo Tribunal Federal", disse o autor. "Esses fatos configuram por extensão todo um governo repressor. Governo atrelado ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração de riqueza."

"Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal", afirmou o autor, criticando ainda a decisão do STF que permitiu a Moreira Franco virar ministro.

"Em sua decisão, o ministro [Celso de Mello] acrescentou um elogio superlativo a Gilmar Mendes por ter barrado Lula para a Casa Civil. Dois pesos e duas medidas."

Raduan ainda elogiou a ex-presidente Dilma, a quem chamou de íntegra. "Não há como ficar calado", concluiu.

Roberto Freire, ministro da Cultura e presidente do PPS, não gostou do que ouviu. Sempre deselegante, quase sempre grotesco, resolveu repreender o homenageado. Primeiro ao inverter a ordem dos discursos, pois a norma é o homenageado encerrar o evento. Sempre. É da liturgia urbana, civilizada. Depois por contestar o discurso do homenageado em termos inapropriados.

A festa era do intelectual, que tem o direito de se manifestar da forma que quiser. "Permitimos que o agraciado dissesse o que quisesse e imaginasse", rebateu Freire, que ainda qualificou o protesto de Raduan como "histriônico".

Um homem pequeno, um medíocre, Roberto Freire, se julga um poderoso da República. Observem os termos: "Permitimos que o agraciado ...". Por que um intelectual premiado precisaria da permissão dele para dizer o que pensa sobre o momento do país?

Por quê?

É a lógica dos golpistas, dos que escracharam a democracia no país. Freire dirige um pequeno partido, que foi criado no desaparecimento do Partidão, e o transformou em linha auxiliar dos tucanos paulistas. É cúmplice e sócio destes nas artes & artimanhas que permitem a manutenção de longa hegemonia em SP e posição relevante no país.

Hoje mostrou sua face desprezível, querendo censurar o pronunciamento de um intelectual aclamado.
Roberto Freire e seus defensores são figuras que não merecem respeito, são a face sórdida da hipocrisia dominante no país.

As vaias que recebeu no Museu Lasar Segall são a prova que ele "et caterva" cada vez enganam menos as pessoas.

Capacho, Roberto Freire vive da desonestidade

Luis Felipe Miguel

Estive com Roberto Freire uma ou duas vezes, décadas atrás, quando era da juventude do antigo PCB. Ele era uma estrela em ascensão, mas não deixava boa impressão - ruim no trato com as pessoas, vaidoso em excesso, algo grosseiro. Mas era reconhecidamente um cara inteligente. Pouco mais tarde ficaria claro que sua "flexibilidade" na prática política era só oportunismo e falta de princípios.

A estrela em ascensão se tornou um velho político decadente, pronto a encarar qualquer serviço sujo em troca de um cargo. Freire e o PPS vivem da desonestidade, vendendo uma desgastada chancela de "esquerda", que julgam que seu passado autoriza, a políticos de direita.

Não sei se a vaidade permanece - deve ser difícil sustentar a vaidade ganhando a vida como capacho. A inteligência certamente foi embora. Poucas coisas são mais estúpidas do que a nota que o Ministério da Cultura lançou hoje contra Raduan Nassar.

O corajoso discurso do escritor é apresentado como "prática do Partido dos Trabalhadores em aparelhar órgãos públicos". Protestos contra o golpe são "ataques para tentar desestabilizar o processo democrático". O fato de que o Ministério da Cultura é um dos patrocinadores do prêmio Camões é enfatizado na nota, dando a entender que se trata de um cala-boca, que deveria comprar o silêncio dos galardoados. A nota revela o mais absoluto desprezo pela democracia e pela cultura.

Já Helena Severo, que colabora com o governo golpista na condição de presidente da Biblioteca Nacional, refugiou-se na conversa de que "não era um momento de luta política, era a entrega de um prêmio literário". Não convence, mas é menos vexatório do que a nota de seu chefe. 

Ponto para Raduan Nassar, que sabe que a cultura não pode ficar alheia à luta pela democracia.

Ao denunciar o golpe, Raduan lava alma do Brasil

Raduan Nassar: 'Vivemos tempos sombrios'


Em seu pronunciamento na entrega do Prêmio Camões de literatura, o escritor critica o golpe, o governo Temer e o STF; leia íntegra


O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica, recebeu nesta sexta-feira (17/02) o Prêmio Camões, concedida pelos governos de Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa.

Após o discurso do escritor, o ministro da Cultura do governo Michel Temer, Roberto Freire, se irritou e criticou Nassar, chamando-o de "histriônico" e dizendo que "quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura".

Freire chegou a sugerir que o escritor deveria ter recusado o prêmio. Durante sua fala, o ministro foi vaiado e ouviu gritos de "Fora, Temer!" (leia mais aqui).

Leia, abaixo, a íntegra do discurso de Raduan Nassar:


"Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.

Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua. 

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

Portanto, Sr. Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado".

(Publicado originalmente em Carta Capital)

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