segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

You Jane, me...


O populismo de Lula



Uma das grandes ondas recentes dos metidos a racionais é falar mal do populismo. Sob este guarda-chuva, combatem-se todas as políticas de inclusão – que precisam de retórica (de Lulas, digamos). Uma das marcas do populismo seriam as lideranças “carismáticas” (tipo Lula). Acho que sei por que os adversários dos políticos que falam para o povo (tipo Lula), bem como todos os seus aliados, dos intelectuais à mídia, demonizam os “populistas”. Não é que eles não saibam falar para o povo: é que eles não precisam disso, já que selam seus acordos aos cochichos, em pequenos jantares (atualmente, no Jaburu). O povo? Ora, o povo. Segundo o atual líder deles, a falta de popularidade até ajuda.

“Chávez é uma esperança para a América Latina. Acho ele ímpar”, disse Bolsonaro


Em entrevista ao Estadão em setembro de 1999, o deputado Jair Bolsonaro se derramou em elogios a Hugo Chávez.

“Chávez é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que esta filosofia chegasse ao Brasil. Acho ele ímpar. Pretendo ir à Venezuela e tentar conhecê-lo. Quero passar uma semana por lá e ver se consigo uma audiência. (…) Acho que ele vai fazer o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força”, declarou o mito.

“Ele não é anticomunista e também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Nem sei quem é comunista hoje em dia”.


Medo de avião, pavor de Brasil

Leonardo Valente

Nunca tive medo de avião, mas confesso que nas últimas viagens, pequenas turbulências me chacoalharam por dentro muito mais do que deveriam. Racionalmente, nem de longe pareciam anormais, mas meu corpo insistiu em ignorar as evidências e transformou brisas em tempestades, e isso incomodou, fez-me sentir um tanto ridículo, especialmente por conta das horas que tenho de vôo.
Como sempre faço, tentei entender o motivo, uma vez que morrer nunca esteve na lista dos meus maiores medos, sempre tive mais medo de morcego, por exemplo, do que da morte.

A primeira conclusão é a de que perdi a fé e a confiança no Brasil. Não confio nas instituições, nas pessoas, nas empresas, nos políticos, nos motoristas, nos jornalistas e, por tabela, nos pilotos, nos controladores de vôo, nos comissários, nos mecânicos de avião, nos executivos, nas empresas aéreas, nos aeroportos, na ANAC e por aí vai. Tenho a impressão de que os desmandos são generalizados e que em todas as áreas vivemos tempos de lucro e de abusos acima de tudo e de todos. A experiência terrível de ontem no portão de embarque só aumentou minha insegurança. Desde o golpe, a desconfiança é geral, e como desconfio de tudo, também passei a desconfiar até de um leve balanço em uma aeronave.

A desconfiança explica o bloqueio pelo corpo das explicações racionais, justifica o ignorar o "esse sacolejo é normal", mas não explica o medo da morte. Contudo, tenho a impressão, apenas isso, de que não tive medo de morrer, tive medo de parar de escrever. Tenho tanta coisa para pôr para fora que a sensação foi muito mais de um "mas já?" do que o temor da dor ou da ausência de vida. Talvez, quando sentir que não tenho mais nada a registrar, nem o despencar de máscaras de oxigênio me abale mais. Por enquanto, acho que vou seguir desconfiado e com medo, sem parar de voar.

Conheça a Internet


Lula encerra vitoriosa caravana na terra da Globo e do PSOL




Lula encerra vitoriosa caravana no Rio e o saldo é extremamente positivo. Considerando-se que trata-se do lugar onde a Globo e o PSOL ditam o ritmo e trabalham unidos ao judiciário na agenda do antipetismo e do ataque seletivo ao sistema político, a visita de Lula chacoalhou o povo da Baixada Fluminense, levantou Maricá, com um encerramento emocionante na UERJ. O maior medidor disso é que a mídia golpista acusou o golpe. Lula é notícia em todos os jornais e sites, todos atacando duro pra valer. O Globo, malandramente, tenta associar hoje a sua imagem a Cabral, espécie de bandido de estimação que 'cuida' com bastante zelo, com a forcinha do PSOL carioca. 2018 está aí. Quer queiramos ou não, quer acreditemos ou não, está aí. E Lula está no jogo, aos 72, vivinho da Silva, como ele mesmo disse em Nova Iguaçu, com "cabeça de trinta e tesão de 20" pra partir pra cima deles pro tudo ou nada. Acho que devemos todos, sem exceção, agradecer aos céus por esse homem existir, a partir de agora, guardar as críticas e os senões e apoiar incondicionalmente a luta do maior líder político popular da história do Brasil. A caravana de Lula não é apenas a antecipação do 'bloco na rua' de um candidato com sede de vitória, ela é, ao mesmo tempo - e talvez, até antes de tudo - a única forma de resistência real contra o golpe dado em Dilma que segue hoje sem perdão pra cima do povo brasileiro. #SigamosComLula

domingo, 10 de dezembro de 2017

Escolher o lado



 Contam que num certo grande jornal americano havia um jornalista tão imparcial, mas tão imparcial, que nas matérias sobre a tensão racial nos EUA, ele perguntava aos membros da Ku Klux Klan por que eles queriam agredir e por que, por sua vez, os negros não aceitavam ser agredidos. Isso não é uma piada. O camarada deveria ser tão sarcástico, quanto sádica era a KKK. E vejo que hoje há jornalistas tão sarcásticos quanto os caciques do neoliberalismo.

Sim, os neolibelês foram cínicos até 2008. Toda retórica sobre estado mínimo, austeridade, responsabilidade fiscal, era supostamente para garantir-lhe eficiência no cuidado dos serviços básicos à população. Muita gente boa entrou nessa. Mas a crise fez cair todas as máscaras.

Desde então, os adeptos não cansam de reafirmar sua veia sarcástica. Fazem da economia um cassino, uma pirâmide, e não desmentem mais seu apreço pela servidão, seu desprezo pela democracia, e sua ojeriza a qualquer direito social que não seja o deles de ganhos sem limites. E defendem isso com.um sorriso perverso entre os lábios.

Jornalistas, se acreditam que suas carreiras sejam úteis para uma sociedade menos desigual e perversa, não podem mais fingir imparcialidade. Pois que nesse caso será tão somente a opção pelo sarcasmo.

Um mundo de justiça não será conquistado invertendo a opressão




Chamou atenção duas postagens. Uma de uma militante do movimento negro, com discurso de ódio, dizendo que brancos devem sair das universidades para os negros ficarem. Sigo a timeline e aparece uma feminista sectária destilando ódio e convocando mulheres a uma "guerra contra os homens". Passou uns dias e lá estava na página dos Bolsonazis a menção às duas, mostrando como "exemplo" de que quem prega o ódio é a esquerda. Assim é a extrema-esquerda: tão parecida com a extrema-direita que se abraçam e se complementam, pois um vê no outro a própria imagem. Um mundo de justiça não será invertendo a opressão, com negros explorando brancos e com as mulheres se impondo sobre os homens. Um mundo justo precisa basear-se na igualdade entre gênero e na solidariedade entre os povos e raças. Fica a dica!

Palestras motivacionais do Doutor M.



Um mundo pintado de preto


Paint it Black, canção dos Rolling Stones, foi escrita durante a Guerra do Vietnã. Embora não fosse intenção do grupo, nesta música, abordar o conflito no Sudeste Asiático, as fortes metáforas da letra e a alusão a um mundo pintado de preto expressam bem o trágico momento histórico. Cerca de cinco milhões de pessoas morreram no Vietnã, Laos e Camboja durante a agressão imperialista dos Estados Unidos, que mesmo assim sofreu a segunda derrota militar de sua história -- a primeira foi na Coreia, onde quatro milhões de coreanos e um milhão de chineses morreram na guerra imperialista.


I see a red door and I want it painted black
No colors anymore I want them to turn black
I see the girls walk by dressed in their summer clothes
I have to turn my head until my darkness goes

I see a line of cars and they're all painted black
With flowers and my love both never to come back
I see people turn their heads and quickly look away
Like a new born baby it just happens every day

I look inside myself and see my heart is black
I see my red door and it has been painted black
Maybe then I'll fade away and not have to face the facts
It's not easy facin' up when your whole world is black

No more will my green sea go turn a deeper blue
I could not foresee this thing happening to you
If I look hard enough into the settin' sun
My love will laugh with me before the mornin' comes

I see a red door and I want it painted black
No colors anymore I want them to turn black
I see the girls walk by dressed in their summer clothes
I have to turn my head until my darkness goes

Hmm, hmm, hmm

I wanna see it painted, painted black
Black as night, black as coal
I wanna see the sun blotted out from the sky
I wanna see it painted, painted, painted, painted black

Este Brasil

Janio de Freitas

"É difícil desenvolver a compreensão desse Brasil, tão inculto, tão controvertido, tão amalucado. Esse Brasil exultante com as ações contra a corrupção e indiferente à ocupação de sua Presidência por uma declarada quadrilha de corruptos. 
O Brasil é você. O Brasil somos nós".



"Ninguém, parece mesmo que ninguém, tenta pensar o Brasil em seu pleno sentido e em seus possíveis amanhãs. É um país sem estratégia, sem ideia do que é e conviria vir a ser no mundo. Na grande tecitura internacional, não vive do que faça para uma inserção desejada, mas do que cada dia lhe traz. Segue adiante porque os dias se sucedem. Condicionado integralmente pelo mundo exterior, perplexo, lerdo, segue.

Com uma gama invejável de minérios, tantos outros recursos e grandes necessidades de consumo, nunca teve uma política industrial. País de latifundiários e fazendeiros, suas políticas agropecuaristas são mera distribuição discricionária de dinheiro e privilégios, de uso à vontade. E nem isso, para uma ciência coordenada com objetivos nacionais e contingências externas.

É difícil pensar um país assim. É difícil pensar mesmo o Brasil atual, o país de hoje. Já a partir do mais grotesco e rudimentar na situação imediata: como explicar, por exemplo, o convívio familiar entre a empolgação generalizada com os êxitos contra a corrupção e, de outra parte, a tolerância indiferente com a Presidência da República ocupada e usada por um político acusado de corrupção, formação de quadrilha, obstrução de justiça, e salvo de processos mediante a corrupção de deputados com cargos e verbas do Orçamento?

Presidência povoada por notórios como Moreira Franco, marginais como Geddel Vieira Lima, acusados como Eliseu Padilha, e deputados, senadores e ministros com lastros semelhantes na polícia e na Justiça?

É difícil pensar um país assim, capaz de contradição tão corrosiva.

Mas esse país é o da contradição em que militares americanófilos e a classe dominante deram um golpe em nome da democracia e por 21 anos aprisionaram a nação na ditadura. Muitos dos artífices dessa contradição ali completavam uma outra, de que foram parte quando em 1945 derrubaram o Getúlio para o qual deram um golpe e impuseram uma ditadura.

Convertidos à democracia, como diziam, em sua pequena convivência com oficiais americanos na Itália da Segunda Guerra, os derrubadores de Getúlio ajudaram a entrega do poder, por via de "eleição democrática", ao general que sustentou a ditadura até a queda. A vasta fraude que contribuiu para o resultado eleitoral, movida pelos "coronéis" do interior, foi silenciada a pretexto de não se desmoralizar a primeira eleição da "democracia".

Contradição em cima de contradição. O normal no país em que os primeiros bafejos de democracia vieram de uma ditadura, com a legislação social de Getúlio –inclusive as Leis Trabalhistas agora estupradas.

É difícil desenvolver a compreensão desse Brasil, tão inculto, tão controvertido, tão amalucado. Esse Brasil exultante com as ações contra a corrupção e indiferente à ocupação de sua Presidência por uma declarada quadrilha de corruptos.

O Brasil é você. O Brasil somos nós".

A modéstia da Folha de S. Paulo


A Folha, vestindo a carapuça.

Alberto Villas


Salto de qualidade tucano



Não se pode negar que os tucanos deram um salto de qualidade em matéria de civilidade lá em  Brasília. A tarde foi de cadeiradas voadoras entre a militância.  As punhaladas, de preferência pelas costas, ficam reservadas à cúpula partidária

Relatório sobre universidades do país parece dizer que há elefantes no céu



Lira Neto

"Se você diz que há elefantes voando no céu, as pessoas não vão acreditar", observava Gabriel García Márquez. "Mas se você disser que há 425 elefantes alados, as pessoas provavelmente acreditarão."

Expoente do chamado realismo mágico, o escritor aludia ao recurso literário de construir narrativas com alto nível de detalhamento, a ponto de fazer os leitores "acreditarem" nelas. Instaurar um pacto no qual a irrealidade, apesar de manifesta, é aceita em nome da fruição e, quase sempre, da alegoria.

Para além do campo literário, amparar supostas verdades com base em números e estatísticas, manobrando dados e fontes de informação, é truque de ilusionismo político. Em vez de artifício estético, trata-se de manipulação da fé alheia.

O relatório apresentado há poucos dias pelo Banco Mundial ao governo brasileiro, no capítulo destinado a traçar o diagnóstico de nossas universidades, tenta fazer a opinião pública acreditar que há paquidermes planando no céu. É o caso de lembrarmos que elefantes, obviamente, não voam.

"Um estudante em universidade pública custa de duas a três vezes mais que um estudante em universidade privada", sustenta o relatório, sacando números da cartola: o custo médio anual por estudante em universidades privadas seria de até R$ 14,8 mil; em federais, 40,9 mil.

A comparação é escalafobética. Nas universidades públicas, ao contrário do que ocorre na maioria das instituições privadas, a vida acadêmica não se resume à sala de aula. Abrange o indissolúvel trinômio ensino, pesquisa e extensão, por meio de ações sistemáticas junto à comunidade. Daí a necessidade de investimentos sólidos em hospitais, clínicas, museus, teatros e laboratórios, entre outros equipamentos.

Além disso, professores de instituições públicas possuem maior qualificação e, assim, salário minimamente compatível com a relevância social do ofício. Como observa o físico Peter Schulz, em artigo no "Jornal da Unicamp", 39% dos docentes da rede pública têm formação de doutorado, contra 22,5% da privada. Como dado extra, 85% dos professores das universidades públicas trabalham em regime de tempo integral. Nas privadas, 22,5%.

O salário dos docentes, aliás, está na mira. "Os professores universitários brasileiros ganham muito acima dos padrões internacionais", alardeia o relatório, com astúcias de prestidigitador. Dito assim, nossos mestres e doutores parecem nababos de diploma.

Contudo, um gráfico contido no próprio documento desmente a pegadinha: mesmo o salário dos professores que atingem o topo da carreira, no Brasil, situa-se em nível bem inferior ao dos colegas estadunidenses, italianos, australianos e franceses, por exemplo.

O maior ardil do relatório procura alimentar uma lenda urbana que cerca a academia: "Embora os estudantes de universidades federais não paguem por sua educação, mais de 65% deles pertencem aos 40% mais ricos da população".

A informação não procede. Pesquisas do Fonaprace (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis) e da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) apontam o contrário. Apenas 10,6% dos alunos das universidades públicas vêm de famílias com renda superior a dez salários mínimos. Com a democratização introduzida pelo sistema de cotas, o índice de estudantes oriundos de famílias com renda abaixo de três salários, atualmente em 51,4%, só tende a crescer.

Amparado no relatório, o Banco Mundial propôs ao governo dois caminhos: "limitar os gastos por aluno" e "introduzir tarifas escolares". Em bom português, sucatear a universidade e cobrar mensalidades.

Os que não puderem pagar pelos estudos, tratem de recorrer a empréstimos. Nos Estados Unidos, onde o modelo impera, milhões de jovens recém-formados acumulam dívidas impossíveis de serem pagas.

É sintomático: ao longo das 17 páginas do documento relativas ao tema, em nenhum momento os repasses para o setor educacional são definidos como "investimento". Em contrapartida, a palavra "gasto" aparece nada menos de 77 vezes.

Impossível dissociar a leitura do relatório e a escalada autoritária que busca criminalizar a arte e a cultura, bem como espezinhar qualquer manifestação do pensamento complexo e do espírito crítico. Virtudes que encontram na universidade pública um de seus últimos territórios de excelência.

O profundo humanismo de Karl Marx


Carlos D'Incao

De todos os pensadores da História da humanidade, nenhum foi tão humanista como Karl Marx.

Porém, para fazermos tal afirmação devemos antes passar por uma difícil, porém inevitável questão: O que seria exatamente o “humanismo” ou “ser humanista”?

E essa questão é difícil porque nos obriga a esclarecer um conceito fundamental, qual seja, a concepção de ser humano que Marx possuía.

Vejamos.

Desde seus primeiros escritos Marx procurou definir os elementos centrais que determinavam a humanização desse peculiar animal que a zoologia chama de Homo sapiens. Para realizar essa definição, Marx centrou sua análise nas relações sociais do atual modo de produção, isto é, no capitalismo.

Sua primeira análise centrou-se na alienação, ou seja, de como o Homem no sistema capitalista está alijado por completo de todos os meios para a sua produção e reprodução como indivíduo.

O sistema de exploração do capital retira toda e qualquer autonomia do trabalhador frente à produção, reduzindo-o a uma força de trabalho que produz riquezas destinadas a outrem. Ao trabalhador cabe sempre e tão somente o seu salário, ou seja, a sua ração diária para poder continuar com forças suficientes para, no dia seguinte, servir aquele que o explora.

Para muitos críticos (alguns inclusive da esquerda), Marx teria aqui uma validade limitada, uma vez que as próprias lutas sociais dos trabalhadores os conduziram a uma vida mais confortável em alguns países, sendo que seus salários não ficaram apenas restritos a uma simples “ração” para sobreviver a mais um dia de exploração.

Mas o grande erro desses críticos é justamente tomar Marx como um pensador simplista, incapaz de observar que já em sua época havia trabalhadores que ganhavam mais do que o “pão nosso de cada dia”. Há aqui mais do que uma leitura equivocada de Marx, mas uma incompreensão sobre o método de análise científica que necessita do exercício da generalização conceitual abstrata para atingir a compreensão do real.

Marx constata que, se a alienação do trabalhador - como expressão hegemônica do capital - o reduz a um animal quase que selvagem, que vive para trabalhar, comer e se reproduzir, isso só pode significar que sem essa relação de alienação o trabalhador poderá se humanizar plenamente e se realizar como indivíduo livre e autônomo.

Com isso, Marx conclui ao mesmo tempo que é o trabalho o elemento humanizador desse animal chamado Homo sapiens e que também são as relações de alienação impostas pelo capital aquelas que impedem a emancipação de toda a espécie humana.

A partir daí, Marx se detém no profundo significado da atividade do trabalho. Para ele, trata-se de uma relação única que coloca em conformidade consciente a natureza e o próprio ser humano. O ser humano, assim, é um ser distinto de todos os demais: é um “ente-espécie”, uma espécie capaz de compreender-se como parte da natureza, ou seja, uma espécie que é a própria natureza em sua forma consciente.

Porém, se o trabalho é alienado socialmente, teremos o fenômeno da ruptura entre o Homem e a Natureza. Ruptura produto da alienação que é por si só também ruptura entre trabalhador e sua produção em seus sentidos mais profundos.

Assim sendo nas relações do capital o Homem está destinado a não se reconhecer como natureza e mais: está impelido a se opor a ela de forma hostil, da mesma forma e intensidade em que se dão as relações de trabalho nesse sistema. Afinal de contas, se nas relações do capital os Homens são capazes de destruir e menosprezar o fruto mais evoluído da própria natureza (isto é, ele mesmo) como poderá respeitar outras espécies e o meio ambiente em geral?

Aqui chegamos a uma linha importante de conclusões: o capital destrói o sentido do trabalho. Com isso o capital destrói o sentido de “ser humano”. E uma sociedade desumanizada destrói a própria natureza e o meio ambiente.

Com isso, nenhum trabalho será expressão da vontade de toda a humanidade enquanto houver as relações do capital. Da mesma forma, nenhum sentido terá a vida enquanto existirem as relações do capital. Na mesma direção, nunca haverá paz na humanidade enquanto existirem as relações de capital. E por fim, nenhuma consciência ambiental poderá salvar o Planeta Terra enquanto houver as relações do capital.

E como falamos tanto em capital, lembremos que o mesmo não é um conceito abstrato, “perdido no espaço”, mas uma relação real que possui frutos reais. O capital é a mais desenvolvida forma de exploração do trabalho. Se é uma relação social, ela é conduzida por Homens que vivem do trabalho alheio. Se esses Homens não trabalham, também estão alienados da humanização plena, ou seja estão em estado de barbárie e, apenas nesse estado de barbárie conseguem manter uma relação de espoliação na qual uma esmagadora maioria deve trabalhar em benefício de alguns poucos.

E esses Homens que se beneficiam das relações do capital, materializam suas riquezas sob a forma mais anti-natural e alienada que a História já produziu: a propriedade privada. Pois na realidade toda a riqueza foi produzida de forma coletiva mas - como em um passo de mágica - toda essa riqueza se converte em propriedade privada... Como vimos, na realidade não existe propriedade privada uma vez que todo fruto do trabalho é coletivo. Assim, o que temos no capitalismo é o mascaramento da propriedade social, humana e coletiva sob uma forma jurídica mantida pela força policial, que chamamos de “Propriedade Privada”.

A humanidade só será livre quando abolir a propriedade privada e estabelecer o sentido real da propriedade, ou seja, torná-la o que ela é de fato: fruto do trabalho e esforço coletivo de toda a humanidade para a realização de todos.

Isso obviamente não significa a abolição de bens pessoais. Bens pessoais é uma coisa bem diferente de propriedade privada. Como no capital as leis de propriedade são elaboradas para confundir o verdadeiro sentido das coisas, é comum encontrarmos as mesmas leis de propriedade privada misturadas com a defesa da possessão de bens pessoais.

Ter um carro, uma casa, roupas, televisão, etc, é possuir bens pessoais. Ter fábricas, latifúndios, empresas extrativistas, rodovias, hospitais, bancos nas mãos de uma pessoa ou de um grupo de sócios - isto sim é propriedade privada e que deve ser abolida como condição de libertação da humanidade. Percebemos até aqui o quanto Marx possui não apenas uma visão profunda do que é o ser humano, como também dirige toda a sua análise filosófica para a libertação da humanidade a qual apenas ocorrerá com a superação das atuais relações do capital.

Quais são os passos para essa superação e libertação, são temas que Marx e outros filósofos vão posteriormente debater.

O que importa nesse momento é lembrar e demonstrar que nenhum outro pensador foi tão humanista como Marx. E isso é fundamental em um momento onde o ódio e a divisão reinam na nossa sociedade e, em especial, no nosso país. Um momento em que Marx, o marxismo e o comunismo (que é a expressão política dessa filosofia) são difamados como nunca.

É preciso lembrar, enfim, que Marx é atacado não por seus supostos defeitos, mas por suas virtudes e seu humanismo. Esse humanismo é tão profundo e verdadeiro que se converte espontaneamente em um brutal ataque a todos os que estão no poder e que querem manter na escravidão do capital toda a raça humana, ao custo da destruição de todos nós e de toda a natureza.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Não existe nada mais imundo e animalesco que um paulista fã de MMA


Tom Cardoso

Nunca vi uma luta de MMA. Gosto é de roda de capoeira. Na última, em Botafogo, vi um subestimado japonês rastafari, tranquilo e infalível como Bruce Lee, aplicar um maculelê num negão desengonçado, para minha alegria e do mendigo da praça.

Senti saudades dos tempos de capoeirista da Baixa do Sapateiro e do meu mestre, João Pequeno de Pastinha. 

Voltando ao MMA. Leio no UOL que um lutador americano, vaiado por parte da platéia, durante um luta em São Paulo, chamou os brasileiros de "animais imundos".

Fui ler os comentários, esperando uma reação inflamada dos internautas, essa gente que chama Caetano de pedófilo e Chico Buarque de comunista da Lei "Luanê".

Todos os comentários, sem exceção, elogiavam a fala do lutador, invejando o fato de São Paulo não ser Miami. Dei também uma olhadinha no vídeo da confusão. Não acreditei no que vi: xingada pelo americano, parte da platéia o aplaudia. 

No fim, acho que concordo com o lutador, que merece o prêmio de "Antropólogo do Ano": não existe nada mais imundo e animalesco que um paulista fã de MMA.

A vitória histórica de Michel Temer


Julianna Sofia

A demissão de 1.200 professores do país pelo grupo de ensino superior Estácio, quando as novas regras trabalhistas nem sequer completaram o primeiro mês de vigência, não deixa de despertar calafrios. São profusas as dúvidas sobre a aplicação do novo regramento à realidade laboral.

Vitória histórica de Michel Temer, a reforma trabalhista libera demissões massivas sem que sindicatos de trabalhadores sejam consultados previamente pelas empresas. Professores demitidos pela Estácio, alguns com mais de 20 anos de casa, foram surpreendidos e informados sobre a decisão ainda dentro de sala de aula.

A Justiça do Trabalho do Rio suspendeu dispensas no Estado e requisitou termos de rescisão, relação dos desligados e dos profissionais que serão contratados para substituí-los. O Ministério Público do Trabalho afirma estar vigilante.

Assim como no —escasso— debate sobre as mudanças trabalhistas, a atuação do ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) beira a nulidade. Ele diz que, se comprovada alguma ilegalidade no desligamento dos professores, será combatida. Até agora, tratava como boato uma esperada onda de demissões pós-reforma.

O grupo Estácio, que tem ações na Bolsa e cresce alavancado no ensino à distância, argumenta que os salários estavam distorcidos, tornando o negócio insustentável. Promete novas contratações pela CLT, com remuneração média de mercado.

A CLT repaginada oficializa o trabalho intermitente, em que o funcionário é acionado só quando há demanda e com ganho proporcional. A regra permitirá, por exemplo, que um professor ganhe menos que o salário mínimo e precise tirar do bolso parte da contribuição à Previdência. Não à toa, a modalidade é foco de boa parte das 967 emendas do Congresso à medida provisória editada para modular a reforma trabalhista.

É hora de os sindicatos provarem se, sem a verba do imposto sindical, ainda sabem arregaçar as mangas.

Não debato com criminosos, diz Moro

Nélia Lins‏ 

Não debato com criminosos, diz o juizeco da panela de Curitiba. Aquele que adora tirar selfie com políticos corruptos e processados, cuja mulher está envolvida no escândalo da Apae e que recebeu dinheiro de Tacla Durán, juntamente com o seu amigo e padrinho.

Não debato com criminosos, diz Moro. #sqn apenas troco juras de amor: 🎶🎵Amor I love you🎶🎵

A cena do crime


Globo: 'Um caminhão de pernil é atacado no RJ; polícia teme novos casos até o Natal'; Zero Hora (RS): 'Passageiros de ônibus estão desaparecendo';  Folha de S.Paulo: Após aumento de gás, desempregada usa galhos em fogão a lenha improvisado (via @folha_mercado).


Alckmin: 'Lula quer voltar à cena do crime' --'crime' para o candidato raspa-do-tacho do mercado é o Brasil sem fome e com  pleno emprego https://t.co/X03zlMOvGu

A coragem de Sérgio Moro


Dogwars


Reforma da Previdência



Novos heróis brasileiros


Em busca do primeiro lugar



Nem tudo pode ser vendido


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