domingo, 22 de outubro de 2017

Alexandre de Moraes tem toda razão


Troglodita do STF ofende jornalista e usuários do Twitter

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes começou a madrugada de domingo batendo boca com usuários no Twitter.

A confusão teve início quando o magistrado usou seu perfil para xingar o jornalista Josias de Souza, a quem chamou de ignorante e acusou de fazer apologia ao tráfico, após o profissional escrever uma coluna em que critica Moraes.

Foi o suficiente para diversos internautas atacarem o ministro, que não gostou da confusão e mandou que um deles "vá trabalhar", entre outros impropérios.


Juízes e desembargadores do Rio têm restaurante de luxo de graça e ainda recebem R$ 1825 de Auxílio Alimentação

Academia para juízes e parentes custa mais de 4 milhões de reais do dinheiro público

1989 e 2018: direita reforça aposta no analfabetismo político

Luis Felipe Miguel 

A eleição de 1989 foi agitada. Foi a primeira vez que o povo brasileiro foi chamado a escolher um presidente desde 1960. Foi uma eleição "solteira", sem disputa simultânea para outros cargos. Foram 22 candidatos e aqueles lançados pelos maiores partidos - Ulysses Guimarães, do PMDB, e Aureliano Chaves, do PFL - logo mostraram não ter qualquer chance.

A partir de certo momento, ficou evidente que uma das vagas do segundo turno iria para Fernando Collor e a segunda tinha como favoritos Lula e Leonel Brizola. Os três eram desafetos do então presidente Sarney; Collor, em particular, concorrendo na faixa da direita, fustigava muito a incompetência e corrupção da administração federal, envolvendo-se em bate-bocas seguidos com ministros.

Sarney decidiu melar a campanha do pretenso caçador de marajás e articulou o lançamento de um candidato surpresa, já no meio do processo: Silvio Santos, que ocupou o lugar do pastor Armando Corrêa à frente da chapa do nanico Partido Municipalista Brasileiro (PMB). Na propaganda eleitoral, nos poucos segundos de que dispunha, o dono do SBT limitava-se a explicar que, para votar nele, era preciso marcar o nome de Corrêa na cédula (na época, ainda impressa e impossível de ser alterada em tempo hábil). Collor sentiu o baque, já que Silvio Santos ciscava exatamente na sua base eleitoral. Mas agiu com rapidez e, graças a seu então fiel escudeiro Eduardo Cunha, encontrou uma brecha para impugnar a candidatura - a justiça eleitoral detectou irregularidades nas convenções do PMB e extinguiu o registro do partido.

Assim acabou a aventura eleitoral de Silvio Santos. Hoje, algo semelhante está sendo reeditado com as articulações em torno de Luciano Huck. Faz tempo que o jovem apresentador acéfalo, que progredia na televisão exibindo modelos seminuas, optou por construir uma imagem de maturidade. Casou-se com a angelical vendedora de produtos para crianças e construiu uma exemplar família nórdica nos trópicos. Trocou as fantasias de sadomasoquismo light pelo assistencialismo midiático, no melhor estilo do próprio Silvio Santos, seguindo à risca seu modelo: tirar milhões dos pobres e tornar-se um benfeitor ao lhes devolver migalhas. Alinhou-se ao que a política brasileira tem de mais atrasado e, na posição de coxinha nº 1 do país, do brother Aécio a Cunha e de Cunha a Temer, não perdeu um salvador da pátria que tenha passado por sua frente.

Agora, Huck está sendo cogitado a sério como alternativa presidencial por uma direita cujos candidatos potenciais, com o perdão do mau trocadilho, se esfarinham a olhos vistos. A Folha de S. Paulo já publicou dois artigos de campanha assinados pelo marido de Angélica, verdadeiros mostruários do lugar-comum conservador sobre a necessidade de "resgatar valores" e "unir as pessoas de bem". Na prática, ele acena para os fundamentalistas de mercado e tem como guru ninguém menos do que Armínio Fraga, o economista dos olhos injetados pelo ódio ao povo.

A possível candidatura de Huck mostra, uma vez mais, como eleições fazem mal à direita brasileira, incapaz de produzir candidatos viáveis. Seu único caminho é dobrar a aposta no analfabetismo político da maioria da população e acreditar que a ausência de um programa social será compensada pela fraca fachada de benemerência privada que seu candidato tentou construir nos últimos anos.

Crimes da Lava Jato tornaram-se indefensáveis


Abusos da Lava Jato já são debatidos até na mídia amiga de Sergio Moro 

Por Joaquim de Carvalho

Circula pela rede social o vídeo com a entrevista de dois especialistas em direito sobre a operação Lava Jato, a professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Eloisa Machado, e o professor de direito penal da USP, David Teixeira de Azevedo. Muito do que os entrevistados dizem nesta entrevista, o leitor do DCM já viu aqui, na série de reportagens sobre a operação.

Quando estas mesmas colocações são feitas no canal de televisão que foi decisivo na promoção de Sergio Moro a herói, o resultado foi o embaraço de quem fez as perguntas e a entrevista teve dupla importância: pelo que os entrevistados disseram e pela reação da apresentadora.

O roteiro estava dado, logo na abertura do programa, quando a experiente Mônica Waldvogel disse:

“A impunidade dos poderosos sempre foi um símbolo do atraso e da desigualdade no Brasil, daí o apoio popular à Lava Jato e a relevância deste momento, em que o combate à corrupção bate de frente com autoridades com foro privilegiado”.

Só que, desta vez, os entrevistados não se portaram como cordeiros a atender a linha editorial da Globo, e deixaram a apresentadora, em vários momentos, sem ter o que dizer. Foi visível o desconcerto.

Criminalista, David Azevedo discordou de Mônica logo na primeira resposta, a respeito da decisão do Senado que contrariou o Supremo Tribunal Federal, no caso das medidas cautelares de Aécio Neves.

— A Constituição sai perdendo, não? — perguntou Mônica.

— Eu acho que a Constituição saiu ganhando — contrapôs  David de Azevedo. Eu acho que o equilíbrio entre os poderes saiu ganhando. Eu acho que a divisão de poderes sai prestigiada. O artigo 53 da Constituição Federal diz que um senador só pode ser preso em flagrante delito por crime inafiançável. É isso o que diz a Constituição. O crime é inafiançável? Não. Havia flagrante delito? Não. O Supremo poderia mandar prender ou dar qualquer outra medida restritiva? Não.

Mônica Waldvogel fez uma concessão:

— A Lava Jato está provocando inovações além da conta?

— Está e não só a Lava Jato — respondeu Eloisa. Quando a gente pensa nas maiores críticas da Operação, que é o uso abusivo das prisões preventivas, o episódio das delações, a gente tem que levar em consideração que o Judiciário brasileiro, em geral, prende muito e prende mal, condena mal.

A conversa segue para o que a Lava Jato teria de bom. Mônica antecipa:

— O balanço é formidável nesses três anos e meio.

Mônica pondera que as “inovações”da Lava Jato seriam necessárias para chegar aos poderosos.

O comum na imprensa é que, diante da senha da apresentadora, o entrevistado concorde. Quase sempre acontece isso. Mas não foi o que Azevedo fez:

— Eu acho que os poderes do Estado sofreram uma degradação. O que se quis e o que se quer com a Lava Jato e o que se está fazendo é uma espécie de degradação, uma espécie de socialização da miséria. Assim como os menos favorecidos, os da base da pirâmide, tinham uma justiça injusta, tinham prisões ilegais, sofriam as misérias de um processo penal, a visão da Lava Jato é: devemos dar igual tratamento àqueles que estão no vértice da pirâmide, ou seja, devemos também suprimir-lhes a garantia, devemos também decretar-lhes a prisão, de modo a que, se estabelecendo uma ética pragmática, os fins justifiquem os meios. Ou seja, o combate à corrupção justificará prisões processuais ilegais.

David Teixeira de Azevedo observa que as prisões da Lava Jato têm objetivo de forçar a delação, o que é ilegal. Mônica defendeu Moro:

— O Sergio Moro disse ao Gerson Camarotti, na entrevista aqui na Globonews, que a imensa maioria desses colaboradores estavam em liberdade.

Eloisa respondeu:

— Eu não tenho dúvida de que houve abuso nas prisões preventivas.

David de Azevedo acrescentou:

Muitas delações foram fechadas em razão de conversas — eu posso citar nomes — com o Ministério Público que ameaçava, com o envolvimento criminal, esposa, filhos, eventualmente sócios da empresa, mesmo sabendo que não havia envolvimento, isso ocorreu, e muito. Moro diz que as decisões dele foram confirmadas. Os acordos de delação, quando eram fechados, implicavam, ilegalmente, a desistência dos recursos. (…) Esta estatística que o Moro faz é uma estatística falsa. (…) Este é o cenário da Lava Jato.

Mônica recorreu a Eloisa:

— Você tem conhecimento de informações assim tão assustadoras, a ponto de a gente se alarmar com a lisura do processo?

— Nós tivemos episódios que foram gravíssimos. O vazamento dos áudios do Lula é um consenso.

Azevedo lembrou ainda que, quanto à legalidade das delações obtidas na Lava Jato, dois juristas portugueses, José Joaquim Gomes Canotilho e Nuno Brandão, deram um parecer para o governo português que consideram as colaborações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef ostensivamente ilegais e inconstitucionais.

“Ferem o ordenamento jurídico brasileiro e ferem o ordenamento jurídico português. Ferem a ordem pública portuguesa porque, nesses acordos, existe absoluta ilegalidade. Qual é a ilegalidade? O Ministério Público, no acordo, o magistrado homologando, criando condições que não estão previstas na lei, criando uma legislação própria para a delação, isto é ilegal”, afirmou.

Por fim, Mônica Waldvogel perguntou:

— A Lava Jato valeu a pena?

— Nada com violação ao devido processo vale a pena — respondeu Eloisa.

— Nem desmanchar um esquema pronto?

— Não, não. Como advogada de direitos humanos, que viu muita gente torturada, não, não vale nunca a pena violar o devido processo legal para se atingir um fim específico.

Na sua resposta, David lembrou Joelmir Betting, que era bom para explicar casos complicados com metáforas de fácil entendimento:

— Para acabar com os carrapatos, vamos matar as vacas. Lava Jato é alguma coisa parecida. Para acabar com o carrapato da corrupção, matemos as vacas, sacrifiquemos as garantias e os direitos fundamentais, utilizemos uma ética pragmática, uma época de resultado. Não hesitemos em prender, prender sem fundamento legal, desde que se alcance um resultados. Penas altíssimas, descompassadas com a culpa, para estimular outros a delatarem.

A Operação Mãos Limpas, na Itália, em que se inspirou Moro, produziu um resultado muito pequeno em relação à corrupção. Ou seja, segundo ele, o custo de suprimir direitos é muito alto pelo resultado que pode produzir.

Esta entrevista mostra que, diante dos abusos crescentes da Lava Jato, a velha mídia já não consegue controlar o que dizem os entrevistados. E talvez esteja encontrando dificuldade para encontrar quadros qualificados que referendem os pontos de vista da veículo em relação ao juiz Sergio Moro e seus parceiros na República de Curitiba.

O contra-ataque está em curso. A entrevista de Moro a Gerson Camarotti parece fazer parte de um esforço para recuperar o apoio de setores da sociedade brasileira que viam Moro como um super herói. A coordenador da Força Tarefa, procurador Deltan Dellagnol, já tinha dado entrevista para o Blog de Josias de Souza, da Folha.

São representantes do que eles poderiam chamar de imprensa amiga.

Moro e Dallagnol têm um compromisso agendado com outro veículo dócil para a próxima terça-feira, num evento reservado do jornal O Estado de S. Paulo. Eles vão participar do Fórum Estadão Mãos Limpas, juntamente com dois dos magistrados que coordenaram a Operação Mãos Limpas, na Itália – Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo.

São todos da imprensa amiga, que fez de Moro um ídolo na campanha para derrubar Dilma Rousseff. As autoridades de Curitiba sabem disso e se recusam, sistematicamente, a conceder entrevista para a imprensa independente.

Eu mesmo já solicitei entrevista com Sergio Moro e também com Deltan Dallagnol.

Dallagnol respondeu uma vez, por escrito, no caso da compra de dois apartamentos do Minha Casa, Minha Vida, em Ponta Grossa. Num encontro que tive com ele, pessoalmente, em uma churrascaria de Curitiba, eu pedi entrevista, ele me direcionou para a assessoria de imprensa. Fiz a solicitação e até agora nada.

Continuarei insistindo. Sempre propus perguntas com respostas sem cortes. É preciso esclarecer muitos pontos da Lava Jato.

A hora chegou.

A Abraham Lincoln é atribuída a autoria de uma frase que define bem o que já está acontecendo:

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.

Tudo indica que, para Moro, o jogo acabou.

O momento exato em que tudo começou a desandar

Janela
Antonio Prata

Abro a janela do escritório a caminho do computador, o sol bate no meu rosto e me detenho ali, de pé, por um instante. São nove horas da manhã, é um sol bom, certamente aprovado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, o céu está azul e uma brisa adia o calor que já começa a dar as caras neste final de outubro. Na laje do prédio em frente, recostado no para-raios, um porteiro de calça marrom e camisa bege fuma seu cigarro, o olhar perdido sobre o vale do Pacaembu. Lá longe, catorze andares abaixo, um amolador de facas anuncia sua chegada, parecendo vir diretamente de 1983: trrruiiiiiiillllll, trrruiiiiiiillllll, trrruiiiiiiillllll.

O mundo está se acabando, mas por um instante estou dentro de uma crônica do Rubem Braga.

Lá longe, catorze andares abaixo, o presidente do Brasil acaba de flexibilizar as leis contra o trabalho escravo, em nome da estabilidade –e não é essa a nossa estabilidade? Nos Estados Unidos um defensor dos combustíveis fósseis, colocado na agência que deveria combater os combustíveis fósseis, promove a queima de carvão. A "New Yorker" publica o perfil de um dos organizadores da manifestação de Charlottesville, um supremacista branco cuja razão de viver é provar que os negros são intelectualmente inferiores e que tratá-los como iguais é uma estratégia dos banqueiros judeus para disseminar a desordem e reinar sobre a terra. Essas notícias deveriam soar absurdas, mas o que parece irreal, agora, é o sol batendo no meu rosto, a brisa, o céu azul, o porteiro descansando,
o silvo do amolador de facas.

Sei o momento exato em que tudo começou a desandar: foi aos 23 minutos do primeiro tempo de Brasil x Alemanha, na Copa de 2014, com o gol de Kroos, um minuto após o gol de Klose, aos 22. Aos 25 Kroos fez de novo, e aos 28, Khedira; não muito depois a economia brasileira ruiu –a Nova Matriz Econômica, sabemos agora, era tão sólida quanto a "Família Scolari"–, Bolsonaro, defendendo a tortura, passou a ser uma figura política relevante, os criminosos investigados pela Lava Jato tomaram o poder para acabar com a Lava Jato, Trump venceu as eleições nos EUA, o tráfico retomou o controle do Rio de Janeiro, o MPL, movimento que levou milhares às ruas pelo transporte público, abriu as portas para o MBL, movimento que levou milhões às ruas e ajudou a eleger em primeiro turno o aumento da velocidade nas marginais. É como se aqueles quatro gols em seis minutos tivessem criado um buraco negro, um bueiro cósmico, um ralo no espaço-tempo que, desde então, vem engolindo qualquer possibilidade de bom senso.


Se eu tivesse nascido na Somália ou na Maré talvez não estivesse surpreso, para a maioria esmagadora da população mundial a vida sempre foi um 7 a 1 constante, uma luta para fugir da guerra, encontrar água, alimentar os filhos, mas eu nasci em São Paulo, numa família de classe média, cresci num curto período em que as coisas pareciam estar melhorando. Foi uma exceção? Ou exceção é o que estamos vivendo agora? A história tem alguma lógica ou é mesmo essa patacoada cheia de som e fúria, sem sentido algum, contada por um idiota?

O porteiro termina seu cigarro e some por um alçapão, já não ouço o amolador de facas, mas o sol continua, e eu sigo na janela por mais uns minutos, seis, que sejam, me agarrando à brisa bragueana.

Luciano Huck é uma lata velha


247 - Em sua coluna neste domingo, o jornalista Bernardo Mello Franco abordou as pretensões presidenciais do apresentador Luciano Huck.

Confira abaixo alguns trechos do texto:

"Foi-se o tempo em que Luciano Huck recorria a modelos seminuas para empinar a audiência. Esperto, o apresentador farejou a mudança do vento e trocou o chicote da Tiazinha pelo marketing da caridade. Passou a distribuir dinheiro, reformar casa, promover casamento. Deu uma cara nova ao velho assistencialismo televisivo.

Agora Huck flerta com outro personagem: o de presidenciável. 

O apresentador se movimenta sem muita discrição. Ele tem conversado com quatro partidos: DEM, PPS, Rede e Novo. Nas últimas semanas, recebeu ao menos dois ministros do governo Temer. Um interlocutor diz que ele é cauteloso, mas demonstra "muita vontade" de se lançar. A ideia ganhou força com o desgaste de João Doria, que surfou a onda da antipolítica em 2016.

(..)

Os entusiastas da ideia dizem que o apresentador daria um rosto simpático ao discurso impopular das reformas. Seria uma boia para os náufragos do governo Temer e do PSDB. Ao mesmo tempo, ele teria potencial para "entrar no Nordeste" e disputar votos nas bases do lulismo.

A aventura seria mais arriscada para o próprio Huck, que teria que abrir mão de contratos milionários e da paz das celebridades. Nos últimos dias, ele já passou a ser cobrado pela proximidade com figuras como Aécio Neves, Sérgio Cabral e Eike Batista. Explicar essas amizades numa campanha pode ser mais difícil do que consertar uma lata velha na TV."

Estrelas da Patolândia


Três aspectos do episódio da independência catalã

Nilson Lage

Três aspectos do episódio da independência catalã:

1. A tendência de esfacelamento da "Europa pobre", à beira do Mediterrâneo, com a formação de uma constelação de estados pequenos, de Gibraltar até os países árabes. 

Formados pela incorporação de umas regiões por outras - plurinacionais, portanto, do ponto de vista étnico e histórico -, os países da região são vulneráveis ao processo de fragmentação que, em tese, beneficia a Alemanha e a burocracia de Bruxelas. 

A burguesia alemã teria conseguido, por via do domínio financeiro, conquistar quase toda a Europa Ocidental, coisa que Hitler não alcançou pelas armas; o furo neste script é que a Alemanha está militarmente ocupada e seus bancos subordinados a uma ordem financeira global que não controlam.

2. A memória da Revolução Espanhola, que contrapôs, há 80 anos, a república, de Barcelona - com a simpatia e débil apoio dos progressistas de todo o mundo - ao reino de Espanha, empolgado pelo fascismo de Franco e contemplado com o suporte econômico e militar nazista. Em Madri há ainda um rei e o sonho de restaurar o império de Castela.

3. A ressurgência de contradições herdadas do Império Romano e de sua repartição entre Roma e Constantinopla; da divisão da Península Ibérica em califados e do longo processo de recristianização; da prosperidade dos portos da Itália, da Grécia e de Chipre. Os mortos sempre comandam os vivos

Folha empresta de novo suas viaturas para a ditadura perseguir a oposição

Gustavo Conde

O episódio envolvendo Danilo Gentilli, Diego Bargas e a Folha de S. Paulo é de uma violência inédita no jornalismo brasileiro. É um dispositivo novo que deveria ser devidamente tipificado como crime: incitar usuários de rede social. Gentili incitou seus seguidores a praticar cyberbullying contra o jornalista da Folha - a ombudsman do jornal faz essa leitura hoje e condena a prática de maneira veemente. Em sociedades democráticas e com lei, Gentili estaria respondendo a um processo do ministério público. A Folha, que já publicou matéria sobre cyberbulling, não só ignorou a violência praticada contra seu jornalista como o demitiu. É um escândalo. Paula Cesarino Costa, a ombudsman da Folha, deixa claro em sua coluna de hoje que o clima de terror está na redação: todos estão com medo de terem suas opiniões pessoais veiculadas em redes sociais escrutinadas - e a Folha já avisou que assim o fará. Como se vê, o fim da democracia não é mais uma metáfora e habita aquilo que deveria ser o exemplo mínimo de liberdade de expressão, a imprensa. Não obstante, a Folha mantém em seu quadro de funcionários uma população de jornalistas que se manifesta em rede social com extrema desenvoltura política em toda a corda bamba do espectro ideológico: Reinaldo Azevedo, Clóvis Rossi, Juca Kfouri, André Singer, Demétrio Magnoli, Gregorio Duvivier, Luis Felipe Pondé, Rogério Chequer, Ronaldo Caiado, Reinaldo Figueiredo etc. O que ela vai fazer? Vai demitir todo mundo? Ou só os que sofrerem cyberbulling?

Bullying contra jornalista

Episódio típico da conflagração política atual envolveu a Folha, o humorista Danilo Gentili e a demissão de um repórter do jornal durante a semana que passou.

Na sexta-feira, 13 de outubro, a Ilustrada dedicou uma página ao novo filme de Gentili -"Como se Tornar o Pior Aluno da Escola".

Sob o título "Comédia juvenil ri de bullying e pedofilia", a reportagem em questão é descritiva. Ao final, cita que "gerou comentários" a cena em que um dos personagens pede a adolescentes que o masturbem. O texto registra que Gentili não quis responder a uma pergunta sobre piadas com pedofilia.

Na mesma página da Ilustrada, a crítica feita por outra profissional (Marina Galeano) avaliava o filme como ruim: "Vale qualquer coisa para transgredir e tentar arrancar risadas da plateia", definiu. Em seguida, exemplifica: "diálogos chulos; enxurrada de palavrões; cenas escatológicas; piadas sobre minorias, religião e até pedofilia".

A crítica era mais dura com o filme do que o texto de apresentação. Às 10h14 do dia da publicação, Gentili iniciou no Twitter uma espécie de cyberbullying: "Matéria mente. Postarei em breve vídeo da entrevista na íntegra (eu filmei). Pesquisem DIEGO BARGAS. Qual a chance de fazer matéria isenta?".

Às 11h05, divulgou o vídeo com a íntegra da entrevista e, às 13h14, reproduziu postagens antigas do repórter no Facebook, que Gentili classifica como petistas. Não havia mentira alguma do repórter, mas Bargas se viu no furacão das redes sociais. Trancou suas contas no Facebook e no Twitter e avisou seu chefe direto sobre o que estava acontecendo.

Algumas horas depois, a Folha colocava seus advogados à disposição para defender Bargas do cyberbullying, mas lhe comunicava que estava sendo demitido do jornal por desrespeitar a orientação reiterada de "evitar manifestações político-partidárias" nas redes sociais.

(...)

A Folha deveria ter analisado com mais discernimento os posts e ter ouvido as justificativas do repórter. Poderia ter optado por advertência profissional, espécie de alerta para as responsabilidades de cada um. As falhas técnicas do jornalista deveriam ser enfrentadas. Se não corrigidas ou minoradas em tempo razoável, a demissão poderia vir a ser a solução natural. Mas o ataque sofrido pelo profissional que atuava em nome da Folha não poderia ter sido tratado com naturalidade, sem resposta firme.

Da forma como procedeu, uma onda de insegurança se ampliou entre profissionais e leitores. Qual o respaldo que os jornalistas obtêm no exercício do seu trabalho? Qual o limite entre cobrança pública legítima e o cyberbullying? São questões que permanecem em aberto.

Caetano Veloso e a pedofilia


Léo Bueno

Essa encrenca entre Caetano e o MBL é boa para entender um pouco por que a esquerda nunca engrena.

Para quem não sabe, o músico e sua mulher, Paula Lavigne, estão processando o movimento protofascista, acusando-o de chamar a ele de 'pedófilo'.

A base é uma entrevista que Paula Lavigne concedeu em 1998 para a revista Playboy, na qual disse que Caetano tirara sua virgindade quando ele tinha 40 anos - e ela 13.

Só que Lavigne REALMENTE disse isso à revista.

Ela se casaria com Caetano mais tarde e de repente a carreira do músico daria uma guinada.
Do porra-louca mezzo-hippie mezzo-Noel que era ('tropicalista' era o verdadeiro rótulo), ele se converteria numa figura controversa - e milionária.

Porque Lavigne tomaria conta da carreira de Caetano, assim como a famosa mulher de Ozzy Osborne faria com o marido.

E a partir de então os ideais artísticos de Caetano, expressos em suas músicas e em textos do Pasquim, entre outras publicações, passaram a ser ideais empresariais.

Ideais do tipo 'Madonna', como quando ele, então um milionário, e por pura jogada de marketing, foi a uma exibição do filme 'Orfeu' numa favela mascarado de traficante e fazendo cara de mau. Uma frivolidade inaceitável de tão desrespeitosa.

Essa é a maluquice: um esquerdista empedernido é convertido ao mercado pela esposa cuja virgindade ele teria tirado quando ela estava na idade de uma vítima de pedofilia.

Por ironia, o MBL entra em vantagem na contenda. Porque Caetano teria cedido a desejos inaceitáveis e porque, sobretudo, cedera ao mercado, representado exatamente na ninfeta que ele transformou em mulher cedo demais e que o transformou em fóssil no adiantado da hora.

Por mais ironia ainda, os defensores do mercado são processados por uma mulher que usou o mercado para transformar um esquerdista em produto mercadológico numa situação em que, ao precipitar o fim da inocência dela, ele, então um senhor, usou-a supostamente como a um produto - ou seja, como no mercado.

E é esse um dos erros da esquerda desde que foi inventada: no fundo, grande parte dela deseja o sucesso no mercado, e não desmercantilizar as pessoas.

sábado, 21 de outubro de 2017

Entre os PMs de Deus e os traficantes evangélicos

Mãe de santo atacada por traficantes evangélicos está na Suíça, onde pretende pedir asilo 
"Voltamos à época da escravidão", diz a mãe de santo Carmem Flores.

Do UOL, através do DCM:

É no recente autoexílio na Suíça que a mãe de santo Carmem Flores, 66, tenta reencontrar a paz que lhe foi tirada há cerca de um mês em Miguel Couto, bairro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Na tarde de 13 de setembro, o templo da sacerdotisa do candomblé sofreu um ataque de traficantes evangélicos, que a obrigaram a destruir todas as guias e estátuas do terreiro.

“Nunca passei por uma coisa dessas em 35 anos de casa aberta. Nunca passei por isso no Brasil. Nunca tive problemas com ninguém”, desabafou a ialorixá, também conhecida como Mãe Carmem de Oxum, em entrevista ao UOL por telefone. Ela também confirmou que, mesmo no exterior, ainda recebe ameaças.

“O capeta-chefe tá aqui. Taca fogo em tudo, quebra tudo, o sangue de Jesus que tem o poder (sic)”, diz um dos sete homens que participaram do ataque num vídeo divulgado pelos próprios traficantes, enquanto a vítima quebra os pertences do templo de candomblé.

Segundo ela, os agressores foram cumprimentados por vizinhos evangélicos do terreiro –o centro funcionava no local havia quatro anos, mas ela viveu no bairro por 35. Depois do ataque, Mãe Carmem e seus filhos de santo ainda ficaram no terreiro para garimpar o que se salvava em meio aos escombros.

Juntou o que pôde e conseguiu um abrigo temporário num imóvel desocupado de uma amiga. Mas não por muito tempo. “Havia uma ordem, não sei de quem e não sei de onde, de que esse chefe [do tráfico] não queria mais candomblé na comunidade. Perdi o imóvel, está fechado”, lamenta.

Como já tinha viagem marcada para a Suíça, resolveu se mudar até dezembro, mês em que o visto de permanência no país expira. Ela planeja pedir asilo político ao governo suíço por um período de seis meses. Em seguida, deve ir para os Estados Unidos –tudo com o apoio dos filhos de santo que moram no Brasil e no exterior.

Carmem de Oxum também diz que não pretende voltar à comunidade de Nova Iguaçu, tampouco ao Rio de Janeiro. “Está cheio de comunidades e de traficantes evangélicos. É como eles mesmos me disseram enquanto me atacavam: ‘Tá tudo dominado, é tudo nós mesmo, não queremos macumba e tambor'”.

(…)

Culto da piscina ungida




Qual é a diferença entre um corrupto e um juiz moralista?


Fernando Horta

O que faz um corrupto?

O corrupto usa de meios públicos (sua posição, seu poder de decisão ou rechaço, seus contatos e etc.) para fazer preponderar a sua ética e a sua visão de mundo. Nela, ele, o corrupto, é diferenciado de todos os demais seres na sociedade e precisa receber por isto um incentivo desta sociedade, que no caso é dinheiro (propina) e poder.

O que faz um juiz moralista?

O juiz moralista usa de meios públicos (sua posição, seu poder de decisão ou rechaço, seus contatos e etc.) para fazer preponderar a sua ética e a sua visão de mundo. Nela, ele, o juiz moralista, é diferenciado de todos os demais seres na sociedade e precisa receber por isto um incentivo desta sociedade, que no caso é dinheiro (salários acima do permitido e vitalícios) e poder.

Não há diferença entre quem pune e quem é punido se tudo o que separa um corrupto fora da lei e um juiz fora da lei é a toga.

Arte degenerada: homem nu no meio da praça



Dólar cai, Bolsa sobe


Livraria bem organizada



Velho Oeste é a sociedade ideal da direita



Diante da tragédia de Goiânia, a direita tupiniquim, como sempre macaqueando seus confrades dos Estados Unidos, diz que o problema é que não estavam armados os professores (e, quiçá, as outras crianças). É uma posição que ofende a lógica e que nega os estudos sérios sobre o assunto. Não é por acaso que o lobby das armas trabalha para impedir que o governo estadunidense financie pesquisas sobre o impacto da posse de armas na violência.

É a posição, também, de quem projeta o Velho Oeste como sociedade ideal - cada um por si com seu revólver na cintura. Não por acaso, quem defende o armamento generalizado costuma também lutar contra as medidas que contribuiriam para distensionar o ambiente escolar, vendo, por exemplo, a preocupação com o bullying como "mimimi" ou a discussão sobre os estereótipos e a violência de gênero como uma ameaça às bases da civilização.

Preguiça é mal nacional



Um mal nacional parece ser a preguiça. Por exemplo, vamos supor que eu não soubesse nada de política. Quem eu ia procurar saber a opinião pra me informar na hora de votar, pedir impeachment ou dançar na Paulista? Alguém mais informado que eu, ou mais inteligente que eu. Um cientista político, um sociólogo, um jurista... O Brasil procurou o Frota, o Danilo Gentilli e a Rachel Sheherazade. Deu no que deu.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Derrubaram Presidente na Farsa da Pedalada e agora se "indignam" com gambiarras? Hello!!


Bob Fernandes

Para suspender o mandato de Eduardo Cunha o Supremo usou uma gambiarra. Inventou um saída legal.

Cunha já era Cunha. Mas só depois de Cunha dar largada para o impeachment a gambiarra do Supremo o afastou.

Aécio Neves é acusado de crimes. Deve ser investigado e, depois, declarado culpado ou inocente.

Crime incontestável cometido por Aécio, de conhecimento geral, foi político. Foi não aceitar a derrota em 2014 e arrastar o país para o que vivemos hoje.

Teve gente fina, elegante e sincera nas ruas. Mas também teve gente ingênua. E espertalhões e corruptos bradando moralismo caolho, de ocasião.

Para suspender o mandato de Aécio, nova gambiarra do Supremo. Para tentar consertar, devolução da gambiarra aos senadores. Que protegeram Aécio para proteger a si mesmos.

Com Aécio e Delcídio Amaral, telefonemas gravados e casos assemelhados. Mas o que valeu para Aécio não valeu para Delcídio. Gambiarra.

Muita gente apoiou o jogo de Aécio que levaria ao impeachment.

Muita gente que apoiou aquele jogo hoje busca purgação bradando contra Senado e Supremo.

Sempre hipocrisia e cinismo. Agora há quem escreva, alardeie espanto com a penúltima medida do governo em direção ao século 19: "Regras para Trabalho Escravo".

Daqui por diante, só com flagrante da polícia se poderá caracterizar Trabalho Escravo. Trabalho degradante, jornada excessiva, não é mais Trabalho Escravo.

Só o ministério do Trabalho poderá divulgar, ou não, a lista dos Patrões de escravos.

Para salvar o pescoço, mais esse favor de Temer à bancada ruralista. Uma das BBBs: bancadas do boi, da bala e da bíblia.

Espantoso é jornalista não ter entendido ANTES quais forças pilotavam o impeachment. Quem, o que e como tomaria o Poder.

Espantoso é quem é do ramo não saber das consequências. Ou pior: fazer de conta não saber a que rumos e gambiarras a gambiarra "pedalada fiscal" nos arrastaria.

Presidente da República se tira nas urnas, não com Farsas. Só agora alardear espanto e revolta com gambiarras?...Hellô!!!

Orar é a melhor maneira de não fazer nada e achar que está ajudando


Peçam pra sair

Moisés Mendes 

Quem é servidor público e vem votando em candidatos da direita, incluindo legisladores, que assuma os danos que ajuda a promover. O desmonte dos serviços públicos não se dá apenas com corte de verbas.

As instituições federais (as estaduais já estão se indo) serão extintas nas próximas etapas do golpe. As universidades públicas serão estranguladas até não terem mais condições de funcionamento.

O desmonte mira SUS, educação, previdência, Justiça do Trabalho. Mas tem gente de muitas dessas áreas que apoiou o golpe e continua votando na direita. Porque deve ter outras formas de sobrevivência e não está preocupada com a sobrevivência da maioria.

O ataque aos bens públicos e à democracia não é culpa apenas do jaburu, do pato da Fiesp, de Aécio e de Gilmar Mendes. É também de muitos servidores públicos que sustentam os que ameaçam o que os próprios servidores fazem.

Servidor público que conspira contra a sua atividade, apoiando o projeto de destruição do Estado, deveria se transferir para a atividade privada, de preferência para os que exploram os serviços que os governos abandonam para entregar aos amigos. É uma questão de coerência.

Planos de saúde e previdência, organizações tabajara do ensino superior e defensores do escravismo podem acolher servidores que, ao invés de defender, insultam e desqualificam o Estado e as pessoas que os sustentam.

Luciano Huck: quero e vou participar do processo de renovação política no Brasil


Venezuela: ditadura ou democracia?


Breno Altman

O povo venezuelano acabou de eleger os governadores de seus 23 Estados. Duas grandes coligações disputaram a direção dessas regiões: o Grande Polo Patriótico, liderado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), conquistou 18 Executivos estaduais, contra cinco da oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD).

Mais de 61% dos eleitores inscritos participaram do pleito, contra 53% em 2012. A esquerda conquistou 54% dos votos totais, enquanto os partidos de direita receberam os restantes 46%.

Foi a 22ª consulta popular desde a primeira vitória de Hugo Chávez, em 1998, se somarmos 17 eleições e 5 referendos, com 20 vitórias da situação e 2 de seus adversários.

Cumpriu-se, outra vez, uma das mais libertárias Constituições do planeta, com seus criativos mecanismos representativos, revogatórios e plebiscitários. Esses dados deveriam bastar para comprovar o caráter democrático da revolução bolivariana: nenhum outro país foi tantas vezes às urnas em tão pouco tempo.

Mas certos críticos se empenham em denunciar o sistema político local como rara variante de ditadura baseada em soberania popular, pluripartidarismo, liberdade de expressão e imprensa sem censura.

As forças reacionárias costumam apelar a esse discurso para tentar derrubar, na marra, o governo constitucional. Aliás, como ocorreu em abril de 2002, quando um golpe cívico-militar, revertido pela resistência social e de oficiais legalistas, apeou Chávez por dois dias.

Diante de protestos insurrecionais, que tomaram o país por quatro meses em 2017, o Estado exerceu a obrigação de defender o ordenamento democrático.

O governo de Nicolás Maduro, por exemplo, ainda que enfrentando escalada de violência, atuou relativamente com mais moderação que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, responsável por brutal repressão às pacíficas manifestações catalãs e a quem nenhum veículo de comunicação chama de ditador.

A origem da situação atual está no conflito de Poderes estabelecido quando a oposição, em 2015, conquistou maioria na Assembleia Nacional. Foram tomadas seguidas decisões, muitas ilegais, devidamente barradas pela Corte Suprema, para desestabilizar o governo e complicar a difícil vida econômica.

O presidente, porém, rechaçou qualquer tentativa de fechar o Parlamento. Não enviou tropas militares para dar cobro à dualidade institucional. Sua decisão foi convocar nova Constituinte, com o objetivo de dirimir a crise e reformar o Estado, para a qual votaram oito milhões de venezuelanos.

Um tirano recorreria ao voto e ao poder originário para superar impasses tão graves, ainda por cima com seu país vitimado por sanções econômicas e sob ameaça de intervenção militar? A verdade é que, reconfirmada a via institucional, com o chamado a uma solução pacífica, cessaram os motins, e as ruas voltaram à normalidade.

Quarenta e cinco dias depois da votação constituinte, a oposição lançou seus candidatos a governador, o recorde de participação foi batido, e o chavismo demonstrou que a maioria segue ao seu lado.

Mesmo detendo o monopólio da força militar e o respaldo do Poder Judiciário, o governo Maduro mantém o compromisso de Chávez, preservando as instituições e os direitos através dos quais o povo, de forma direta ou delegada, faz valer sua vontade soberana.

Esse mesmo compromisso não apresentam os democratas de ocasião, contumazes em denunciar fraudes, sem apresentar provas, apenas interesseiras convicções, toda vez que as urnas decidem contra suas aspirações.

BRENO ALTMAN é jornalista e fundador do site Opera Mundi
Web Analytics