quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em defesa do habeas corpus


Os juízes têm uma relação paradoxal com a liberdade. De um lado, são defensores da ordem: apenas a ordem escrita e fundamentada de um juiz legitima que alguém seja mantido preso (artigo 5º, LXI, da Constituição). De outro, eles são defensores da liberdade: sempre que a lei admitir a liberdade, a obrigação do juiz é assegurá-la (art. 5º, LXVI, da Constituição).

O Brasil é um país violento e corrupto. A sociedade clama por reação, ainda que simbólica, especialmente em face de crimes de sangue e corrupção. Não é surpresa que as decisões que privilegiam a ordem, determinando o encarceramento, sejam bem vistas pelo público.

Por outro lado, decisões que afirmam a liberdade são impopulares. O juiz também é um membro da sociedade e, como tal, compartilha o sentimento coletivo. Ainda assim, ao determinar a prisão, deve seguir a lei à risca, evitando encarceramento além do necessário.

Dentre outras maneiras, o sistema jurídico manifesta a preferência pela liberdade por meio da ação de habeas corpus (HC), uma via processual prevista constitucionalmente, destinada a assegurar a liberdade, podendo ser proposta por qualquer um do povo para fazer cessar uma prisão indevida.

O habeas corpus é igualmente valorado pelos tribunais, seja ele escrito pelo advogado consagrado, em papel especial timbrado, seja pelo próprio preso —ou seus parentes— em folhas de caderno.

O HC acaba sendo o meio para coibir interpretações equivocadas e mesmo abusos na prisão. Essa característica de defesa da liberdade o torna bastante impopular entre aqueles que pregam a punição desmedida, gerando reações destinadas a limitar sua utilização.

Um dos projetos de lei elaborados pelo Ministério Público Federal na campanha intitulada "Dez Medidas contra a Corrupção" buscava justamente reduzir o poder dos tribunais para conceder habeas corpus. Felizmente, restou rejeitado pela Câmara dos Deputados.

Em outra frente, discute-se a limitação do poder do Supremo Tribunal Federal de conhecer de ações de habeas corpus, por meio de uma nova interpretação da Constituição.

A inovação seria limitar os pedidos da defesa a apenas duas instâncias. Assim, contra decisões de primeira instância caberia habeas corpus ao Tribunal de Justiça e recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça. O Supremo não poderia ser acionado.

Defendo que a ação de habeas corpus não pode ser limitada. O Brasil tem a terceira população carcerária do mundo, com 726.000 pessoas presas —quase o dobro do número de vagas. Cerca de 40% dos encarcerados não foram julgados em definitivo. Não vamos resolver a impunidade ou a morosidade judicial antecipando penas, muitas vezes injustamente, mas apenas criar novos problemas.

Os presídios servem como agências do crime organizado, verdadeiros escritórios de logística e de recursos humanos das organizações.

Nesse contexto, defender o habeas corpus é defender a liberdade individual, é defender a expectativa de civilidade para todos e cada um, mas também é defender a sociedade contra a propagação desenfreada do crime. A violência e a corrupção não podem ser combatidas fora da lei. A persecução dos criminosos sem o Estado de Direito apenas gera novos crimes.

GILMAR MENDES, ministro do Supremo Tribunal Federal, é presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Esqueçam Euclides da Cunha

"Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo." 
Euclides da Cunha
 Gustavo Conde

Olhem o trecho que explica quem foi o bisavô de Thompson Flores, gentilmente ofertado por ela, a gloriosa Folha de S. Paulo:

"Segundo o site do TRF4, o desembargador é trineto do coronel Tomás Thompson Flores, que teve atuação destacada na Guerra de Canudos, quando foi o comandante de uma das tropas do Exército Brasileiro enviada para o interior da Bahia".

Ou seja: esqueçam Euclides da Cunha. Canudos acaba de virar um genocídio autorizado, comemorado e celebrado. Muito expressiva essa coincidência histórica e a peleguice monumental de um jornal familiar que apoiou a ditadura. Tudo se encaixa.

O futuro não lhes pertence

Claudio Guedes

Em março de 1969, no mesmo dia que Paul McCartney e Linda Eastman se casavam, em Londres, George e Pattie Harrisson foram presos, por porte de drogas, por Norman Pilcher.

Pilcher, detetive da narcóticos, era perseguidor implacável de artistas famosos e já tinha prendido anteriormente John Lennon e os Rolling Stones.

Em 1973, Pilcher foi considerado culpado por falso testemunho e obstrução de provas em caso semelhante e condenado a 4 anos de cana. O juiz o condenou por "envenenar deliberadamente as engrenagens da justiça criminal".

Os que hoje se julgam acima do bem e do mal e manipulam as engrenagens da justiça com objetivos políticos ponham as barbas de molho. O futuro não lhes pertence.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Venha para a Democracia


Coisa de louco


Casal é preso acusado de manter 13 filhos em cativeiro nos EUA

DCM - Na manhã deste domingo (14), a polícia do condado de Riverside, na Califórnia, encontrou 13 pessoas em situação de cativeiro em uma casa na cidade de Perris, muitas delas algemadas e presas a camas com correntes e cadeados.

A idade das vítimas vai de 2 a 29 anos, e seis são menores. De acordo com a polícia, elas eram mantidas em cárcere privado pelos pais, David Allen Turpin, de 57 anos, e Louise Anna Turpin, 49 anos, que foram presos sob a acusação de tortura e abuso infantil.

Uma das vítimas, uma garota de 17 anos, conseguiu escapar do cativeiro e ligou para a polícia por meio de um telefone celular encontrado na casa. O local era escuro e cheirava mal, e os filhos do casal foram encontrados de pijamas, em estado de desnutrição e de pouca higiene, relatou o departamento policial em comunicado.

Segundo apurou o Washington Post, o pai das vítimas, David Turpin, é registrado junto ao Departamento de Educação como diretor da escola Sandcastle Day School, uma escola privada sediada na casa onde morava com a esposa — e mantinha os 13 filhos presos.


Moisés Mendes

A NOSSA VIDINHA

Estão dizendo por aí algo mais ou menos assim. Só num país muito estranho como os Estados Unidos um casal mantém 13 filhos encarcerados e acorrentados, sem que ninguém, nem vizinhos, nem parentes, nem professores, nem lixeiros, nem amigos desconfiem. E a vida continua normal por anos.

Podemos dizer também que só num lugar muito estranho uma quadrilha chega ao poder através de um golpe e mantém todo um pais moralmente encarcerado e sob controle absoluto, sem que ninguém reaja, mesmo que ninguém tenha sido acorrentado. E a vidinha do lixo seco e do lixo orgânico continua.

Mais um justiceiro que se revela


Tatiana De Camargo Aranha Neves

Dizíamos que Fernando Capez era Promotor de Justiça, mas a vontade dele era mesmo fazer parte da Rota. Tinha jeito de capitão do mato. Dono da verdade. Reputação ilibada. Era o papo que rolava entre os alunos na época de cursinho.

Era o típico homem de bem, que abominava a bandidagem e claro, também vomitava sandices como bandido bom é bandido morto.

Em sala de aula, do alto da sua pompa e superioridade intelectual, seu ego se debruçava, sem modéstia alguma, em todo e qualquer espaço do antigo Complexo Jurídico Damásio de Jesus.

Em meio as suas aulas de penal e processo penal, contava historinhas da carochinha, tais como, quando ele esteve com algum amigo delegado, "brincando de Falcon", correndo atrás de algum facínora. E com o peito de pombo estufado, dizia em alto e bom som:

"Tadinho do denunciado! Vocês podem ter certeza que se houve denúncia, é porque a culpa dessa pessoa de "boa índole" é QUASE certa. Se há fumaça, há fogo. A chance do Ministério Público errar é mínima..."

Hoje, após a noticia de sua denuncia por corrupção no caso da Merenda, esse discurso escroto soou como música para os meus ouvidos.

Via de regra, esse povo só aprende a realidade da vida, deitando na cama de espinhos e não apenas explicando como essa cama funciona. Vai entender da maneira mais eficiente que dentro de um QUASE cabe uma vida inteira.

Só não vou ficar mais feliz porque sei que lá na frente, a justiça não tardará em falhar.

Não foi golpe



MPF pediu 386 anos de prisão para Eduardo Cunha, que dizem estar preso, mas isso está mais para lenda urbana pois parece que ele ainda governa o país e manda no Congresso. Mas claro que ninguém sabia de nada antes dele abrir o processo de impeachment, nem o STF que o afastou logo depois. Só que na verdade todos sabiam, por que as denúncias gravíssimas vieram antes, assim como as gravações de Jucá. Todos sabiam que Cunha era Temer e o tipo de governo que estariam colocando no poder pra estancar a sangria. Enquanto isso, Dilma foi tirada do poder por que mesmo? Pedaladas fiscais, que hoje são praticadas. Mas não foi golpe tá gente? Foi impeachment.

Fantasia surreal para o carnaval


Graças ao governo Temer, o sonho de viajar de ônibus cada vez mais real


Graças ao governo Temer, o sonho de viajar de ônibus cada vez mais real.

A crueldade da política energética dos golpistas



Um simples detalhe da crueldade da política energética dos golpistas de turno para as camadas mais pobres da população. O valor do botijão de gás subiu mais de 44% nos últimos 3 meses. No RJ varia entre 64 e 85 reais pelo que li na imprensa. O salário mínimo no Brasil é de 954 reais e o Brasil possui reservas suficientes de petróleo para, praticamente, garantir o abastecimento da população e importa a metade do gás que consome. Na Espanha, em que o salário mínimo é de 3.237 reais o botijão acaba de ser aumentado para 56 reais e, o que é pior na comparação, a Espanha importa 99% do petróleo e do gás que consome.

Quanto tempo vai durar a denúncia contra Capez?

Tucanos Doria, Moro e Capez.
Léo Bueno

A denúncia contra Fernando Capez vai durar o equivalente ao tempo em que os cientistas conseguem enxergar um Bóson de Higgs. Pelo menos na imprensa.

Agora vai ser a estratégia de contenção de danos. Tudo para que o caso não chegue a quem de direito, Geraldo Alckmin.

(Na imprensa, eles vão falar que é intriga do PT. Mas pergunte a qualquer assessor de Alckmin, durante uma conversa de boteco, quem eles realmente desconfiam que está por trás da denúncia. A resposta SEMPRE será José Serra, o companheiro de partido.)

Vale lembrar que Capez é feito do mesmo estofo dos que o denunciam agora. É essa geração de promotores & procuradores que sonham ser campeões do BBB.

Enquanto isso estou no cartório e, aqui, a sala de espera exibe programação com Augusto Nunes & Marco Antonio Villa.

Haja Dramin pra ser brasileiro.

Garantindo a ordem


Eleição sem Lula é fraude?

Luis Felipe Miguel


(1) Não há nenhuma prova capaz de incriminar o ex-presidente. Toda a acusação é baseada em ilações e em delações interessadas (envolver o nome de Lula era condição necessária para que o delator obtivesse benefícios). Por outro lado, o julgamento despreza as evidências materiais da defesa, que já foram capazes de provar, por exemplo, que ele nunca foi proprietário do bendito triplex.

(2) Não se trata simplesmente de um erro judicial comum, provocado pela incompetência e obtusidade dos magistrados. A condenação de Lula é a culminância de uma devassa em sua vida, levada a cabo durante anos, em busca de qualquer coisa que pudesse servir para incriminá-lo. O aparato policial-judicial foi mobilizado com esse intuito, antes de que existisse qualquer indício que o justificasse, em gritante desrespeito ao império da lei.

(3) É uma perseguição dirigida contra Lula e contra seu partido, não uma campanha de desforra contra a "elite política corrupta", como demonstra o tratamento muito diferente dado a outros líderes políticos sobre os quais pesam suspeitas muito mais sólidas de envolvimento em ilícitos (Aécio Neves, Michel Temer, Geraldo Alckmin, José Serra, Fernando Henrique Cardoso etc.). Há, portanto, uma ação deliberada para prejudicar Lula e o PT.

(4) O TRF-4 já demonstrou que não vai cumprir com isenção seu papel de corte revisora. Atropelou os prazos da tramitação do caso, para adequá-la ao calendário eleitoral. Seu presidente já manifestou de público seu parti pris, chegando ao ponto de declarar que a sentença de Sérgio Moro era "irretocável" (antes mesmo de lê-la). Agora, dedica-se a espalhar boatos que justifiquem uma eventual escalada repressiva em Porto Alegre. Do Supremo de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Carmem Lúcia, tampouco se pode esperar algum passo em defesa da justiça.

(5) O claro objetivo da trama é impedir que Lula volte à presidência. Antes dividida entre as estratégias de minar o prestígio popular do ex-presidente ou proibi-lo de se candidatar, a coalizão golpista agora se alinha com a segunda opção, dado o fracasso da primeira.

(6) Portanto, o objetivo é impedir que o eleitorado possa expressar sua preferência. Eleição sem Lula é golpe. Mas não é um golpe contra Lula; é um golpe contra a possibilidade de retorno do Brasil à democracia. Mesmo adversários históricos do ex-presidente reconhecem este fato.

(7) Quem julga que pode se beneficiar da ausência de Lula nas eleições de outubro precisa entender que o veto que o Judiciário brasileiro está impondo não é só a Lula, é a qualquer alternativa que se disponha a interromper o golpe e seus retrocessos. Se Ciro Gomes acha que chegará ao Planalto graças à condenação do ex-presidente ou é um ingênuo ou sabe que sua retórica de esquerda é só fachada.

A volta da febre amarela

Nilson Lage

A volta da febre amarela, que matou meus tios há mais de cem anos, é o marco que faltava no retrocesso do Brasil a uma etapa ancestral da civilização.

Isso foi antes de algum imbecil gringo ter achado que se combatem vetores epidemiológicos espargindo inseticida contra mosquitos adultos.

Constatei, menino, como funcionava a técnica de pingar gotas de óleo fino nas poças e ralos de águas paradas: as larvas morriam asfixiadas e dava para vê-las, em nuvens, nas amostras recolhidas em provetas pelos mata-mosquitos do Ministério da Saúde.

Ponto para o Dr. Oswaldo Cruz.

Indiciamento de Haddad é típico de ditaduras


Leonardo Valente

Haddad foi indiciado por falsidade ideológica e caixa dois na eleição de 2012. A prova? Um vídeo feito para a eleição de...2016, em que o ex-prefeito pede ajuda aos eleitores para pagar dívidas da campanha de...2016. Nos autos? A explicação da acusação de que se Haddad sabia em 2016 que sua campanha ficou endividada, POR INTUIÇÃO, presume-se que sabia das dívidas de 2012.

Não sei o que pensam os juristas, mas do ponto de vista da análise política não é preciso intuição alguma para atestar que a alegação não é diferente das feitas em tantos processos judiciais em regimes ditatoriais. É isso.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Pegaram o Haddad!


— Tava demorando.
— O quê?
— Pegaram o Haddad.
— Tá zoando!
— Sério. Pegaram o Haddad. Já era.
— Que papo é esse? O que você ouviu?
— Indiciado pela Polícia Federal por crime de falsidade ideológica. Esquema pra pagar dívida de campanha envolvendo uma empreiteira, tá bom pra você?
— Caraca, até o Haddad?
— Pois é. Fim da linha pro Malddad. A petralhada chora. Vai, malandra!
— Putz.
— É melhor JAIR pensando no plano C, porque o plano B também deu merda, querida. Quem mandou acreditar em petista? Cadê a saudade do teu ex agora? Ex é assim mesmo: só fode a gente.
— Péra aí, porra. Deixa eu tomar um gole d'água. Agora me conta. O que a Polícia descobriu?
— Falsidade ideológica, caralho. Ficou surda?
— Mas qual a prova? Tem recibo de transferência bancária?
— Não.
— Conta no exterior?
— Não.
— Uma sala cheia de malas repletas de dinheiro vivo?
— Não.
— Já sei: uma pasta cheia de papéis com a anotação "CX2" encontrada no apartamento do Haddad?
— Não, porra.
— Ué. Não tô entendendo.
— O dono da UTC foi quem falou. Abriu o bico. Deu a letra toda.
— Delação premiada?
— Claro. Viva a Lava Jato!
— Mas ele mostrou alguma coisa?
— Ele disse que o Vaccari, aquele salafrário, pediu dinheiro pra pagar a dívida da campanha. Dinheiro desviado, é óbvio. O meu, o seu, o nosso. Só não vê quem não quer.
— E tem áudio dessa conversa?
— Não.
— Vídeo gravado pelo sistema de segurança?
— Não.
— Vídeo de celular?
— Não.
— Puxa vida. Mas o Vaccari confirma a história, né?
— Também não. Tudo parça.
— No mínimo alguma assinatura do prefeito foi encontrada.
— Não.
— O nome dele? Ou o apelido, numa lista de propinas da UTC?
— Nada.
— Mas para a PF indiciar um ex-prefeito... Encontraram ao menos alguma obra superfaturada tocada pela UTC na gestão Haddad?
— Não. A única vez que a UTC venceu uma concorrência era para fazer um túnel na Avenida Roberto Marinho, mas a obra foi cancelada pela administração.
— Uai. Mas esse repasse da UTC entrou na conta do prefeito? Ou na conta da campanha? Vazaram cópia do extrato?
— Nada disso, chuchu. O esquema era forte. A UTC pagou uma gráfica.
— Uma gráfica?
— É. A gráfica imprimiu material de campanha pro Haddad e não recebeu. Aí pediram para a UTC honrar a dívida. Com dinheiro de propina, lógico.
— Vixe. E o dono da gráfica confirma?
— Não.
— Não? O esquema foi operado pelo diretor financeiro da gráfica?
— Não.
— Já sei, foi pelo gerente?
— Não, que mania...
— Péra. Você tá querendo me dizer que a PF indiciou um ex-prefeito com base na delação premiada de um empreiteiro que afirmou ter dado dinheiro para a campanha eleitoral do Haddad através de um pagamento feito a uma gráfica que fornecia serviços para o PT?
— Isso mesmo.
— E que o tesoureiro do PT nega, o dono da gráfica nega, o prefeito nega?
— Exatamente.
— E não tem assinatura, nem rubrica, nem áudio, nem vídeo, nem sala cheia de malas de dinheiro, nem conta no exterior, nem papelada com a anotação "cx 2", nem extrato bancário, nem qualquer outra prova?
— Pra você ver. Os caras são ninja.
— Ninja???
— Coisa de profissional. Roubaram pra caralho e não deixaram nem uma pista sequer. Não é incrível?
— Com certeza. Essa Polícia Federal é realmente incrível.

Desonestidade jornalística da Folha não tem fronteiras




Quando finalmente decidiu notar a existência de Ahed Tamimi, a adolescente palestina presa por Israel, a Folha o fez numa matéria que é um primor de desonestidade jornalística até para seus próprios padrões. A repórter, que parece mais uma militante sionista, solta que Tamimi vem de uma família de “terroristas” e ignora as chocantes declarações de políticos e influentes jornalistas israelenses pedindo que ela seja morta ou estuprada na prisão. A adolescente aparece como alguém cujo objetivo é “irritar” os pobres soldados israelenses “apenas um pouco mais velhos do que ela” (e também armados com metralhadoras e granadas, mas esse detalhe não é lembrado). Uma fala de Tamimi afirmando o compromisso de dar a vida pela libertação da Palestina é apresentada como um convite ao suicídio. No meio do texto, há uma referência despreocupada à pretensa “indústria de fake news palestina”, uma maneira de deslegitimar, no atacado e sem qualquer discussão, todas as denúncias, comprovadas por observadores e jornalistas independentes, das atrocidades praticadas pelo Estado de Israel contra a população palestina.

Dolores O'Riordan, cantora do Cranberries, morre aos 46 anos



G1

Dolores O'Riordan, cantora do Cranberries, morreu aos 46 anos, segundo o jornal "Irish Times".

O jornal diz que um representante enviou nota dizendo que os integrantes da banda "estão devastados por ouvir as notícias" e pediram privacidade "nesta hora muito difícil".

Não há mais informações sobre a morte. Ela nasceu em Ballybricken, na Irlanda, em 1971, a mais nova de sete filhos.

Dolores Mary Eileen O'Riordan Burton entrou no Cranberries em 1990. A banda emplacou hits como "Zombie", "Linger", "Dreams", "Ode to my family" e "Salvation".

O grupo vendeu mais de 40 milhões de cópias de seus seis álbuns. A estreia foi em 1993, com "Everybody else is doing it, so why can't we?".

O trabalho mais recente de inéditas, "Roses", é de 2012, o único de inéditas após a reunião, em 2010. Antes, os integrantes haviam ficado afastados por seis anos.

Dolores deixa três filhos, Taylor Baxter, Molly Leigh e Dakota Rain, e o ex-marido, Don Burton.

Mais informações

Fanatismo religioso planeja aumento de representação no Congresso


Evangélicos querem eleger 150 deputados e 15 senadores este ano

Valor Econômico

Líderes de igrejas evangélicas e partidos ligados a elas estão traçando uma estratégia para ampliarem suas bancadas na Câmara e no Senado a partir de 2019. O objetivo é aumentar de 93 para cerca de 150 o número de deputados federais e quintuplicar, de três para 15, o total de senadores.

A estratégia, no caso do Senado, é lançar apenas um candidato por Estado, evitando que dois candidatos evangélicos concorram entre si. Neste ano, 54 cadeiras estarão em jogo no Senado, duas por Estado. No caso da Câmara, também há a ideia de fazer uma espécie de "distritão evangélico", com um ou poucos candidatos ligados às igrejas disputando votos em cada região - algo ainda visto como mais difícil de realizar do que na eleição ao Senado.

Uma vez fortalecidos, os evangélicos pretendem puxar ainda mais uma agenda conservadora: antiaborto, contra liberação das drogas e do jogo, e em prol do que chamam de "família natural" (homem e mulher). Dessa coordenação, também pode surgir apoio a um candidato a presidente- algo mais provável em um eventual segundo turno. Na economia, a preferência dos líderes é pelo modelo que definem como liberal adotado no governo Michel Temer. Um desafio é conquistar o eleitor evangélico das regiões Norte e Nordeste, ainda muito fiel ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Conversas nesse sentido começaram a se intensificar desde outubro. Participam representantes das igrejas batistas, além da Assembleia de Deus, Evangelho Quadrangular, Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Mundial do Poder de Deus, Terra Nova, Fonte da Vida e Sara Nossa Terra, entre outras.

As articulações são costuradas pelo senador Magno Malta (PR-ES) e os deputados João Campos (PRB-GO), Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ) e Antonio Bulhões (PRB-SP). Também conversam com esse grupo membros da Frente Parlamentar Mista Católica Apostólica Romana, como o deputado Givaldo Carimbão (PHS-AL), que têm agendas em comum com a dos evangélicos.

Outra frente de mobilização está na Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), presidida pelo bispo Robson Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra.

Apesar da força que ganharam na pauta do Congresso nos últimos anos, líderes religiosos e políticos da Frente Parlamentar Evangélica se acham sub-representados. Citam pesquisa Datafolha, que em dezembro de 2016 estimou em 29% o total de evangélicos no país. "Temos de 28% a 33% de representatividade na população, mas somos apenas 15% do Congresso", diz Rodovalho.

O problema da baixa representatividade é mais agudo no Senado, onde o grupo ocupa apenas 3 das 81 cadeiras da Casa - além de Magno Malta, são evangélicos atuantes apenas Eduardo Amorim (PSDB-SE) e Eduardo Lopes (PRB-RJ), suplente do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e, como ele, bispo licenciado da Universal. "Estamos muito descobertos no Senado, com apenas três senadores", afirma Sóstenes Cavalcante.

Segundo o deputado, os evangélicos carecem de um político com perfil articulador no Senado. Do grau de sucesso da articulação entre as diferentes igrejas depende o futuro de lideranças importantes, como o deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

"Meu sonho é o Senado. Mas, se não houver uma boa articulação [entre as igrejas], não vou trocar o certo pelo duvidoso", diz Feliciano, que foi eleito para a Câmara em 2014 com 398.087 votos, o terceiro mais votado em São Paulo.

Ele classifica, no entanto, como "utopia" a ideia do "distritão evangélico". "Por maior que seja a denominação, não tem como impedir que outras pessoas [evangélicas] saiam candidatas".

Rodovalho, por sua vez, discorda. "O conselho de pastores tem condição de mapear [as regiões], saber onde dá para eleger um ou dois [deputados]", afirma.

Rodovalho diz que esse "mapeamento" dependerá da conformação de alianças nos Estados, e uma definição só deve ocorrer em maio ou junho.

Resposta de Haddad ao ataque da Milícia Fascista

Fernando Haddad

Não há o mínimo indício de qualquer participação de Fernando Haddad nos atos descritos por um colaborador sem credibilidade, cujas declarações já foram colocadas sob suspeita em outros casos. O uso descuidado do indiciamento sem elementos concretos de prova banaliza o instituto que deveria ser reservado para situações em que ao menos haja indício de envolvimento de alguém em atos ilícitos. 

O delegado desconsiderou o depoimento do dono da gráfica, o empresário Francisco Carlos de Souza, que negou ter recebido recursos da UTC para quitar dívida de campanha do ex-prefeito Fernando Haddad. 

O delegado também desconsiderou as provas apresentadas que atestam a suspensão da única obra da UTC na cidade, o túnel da avenida Roberto Marinho, em fevereiro de 2013, data anterior portanto ao suposto pagamento. 

Da mesma forma que outras ações do delegado João Luiz de Moraes Rosa foram bloqueadas pela Justiça, temos a confiança que esta terá o mesmo destino.

Assessoria do ex-prefeito Fernando Haddad

O rentismo que nos habita


Artur Araújo


Marcia Dessen é titular de uma coluna de autoajuda. Semanalmente, conta aos leitores da FSP o que fazer para brincarem de J. P. Lehmann.

Hoje, com certeza sem querer, expõe o jogo que se joga de fato.

Primeiro adverte a moçada que há abissal diferença entre juro nominal e juro real, consolando os desconsolados com "a rentabilidade de seus investimentos, que caiu pela metade em pouco mais de um ano".

É um louvável serviço de utilidade pública desfazer a ilusão monetária com a compensação da inflação embutida na taxa nominal. Estranho que seja necessário fazê-lo para um leitorado pretensamente sofisticado, diferenciado, estudado e com dindim sobrando, mas... ela deve conhecer seu gado.

O segundo ponto está na categoria "sincericídio de Homer Cado":

"A taxa de juros real, apurada quando se desconta a inflação, é a taxa que interessa, a taxa correta para medir, avaliar e projetar seu capital no longo prazo.

Repense e celebre, pois essa, a taxa de juros real, continua elevada, generosa, na casa dos 4% ao ano, raramente encontrada em outros países do mundo.

A inflação medida pelo IPCA em 2017 atingiu 2,95%. Com a Selic de 7%, a taxa real é de 3,93%. Com a Selic de 7,5%, antes do corte mais recente e considerando a mesma inflação, os juros reais eram 4,42%."

Claro que o quanto isso é destrutivo para as finanças públicas, para a produção, para os investimentos, para o consumo, para o Brasil, enfim, não merece uma linha. Homer Cado e Marcia Dessen são do #teamThatcher: "Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos."

Celebrem, brazileiros, celebrem!

O cerco ao PT

O tipo de gente que confia na PF

Claudio Guedes


Há uma semana do julgamento do ex-presidente Lula, pelo TRF-4, na ação farsesca e forçada movida pelo juiz Sérgio Moro e os procuradores comandados pelo pastor Deltan Dallagnol, a PF de são Paulo foi retirar de parte da delação do ex-dono da UTC, Ricardo Pessoa, na Lava Jato, uma ação na qual pede o indiciamento de Fernando Haddad por suposto crime da falsidade eleitoral, o popular Caixa 2, na eleição de 2012 para a Prefeitura de SP.

Coincidência?

Claro que não. Investigam Haddad há muito tempo. Buscando algo. Todos, na política ou na justiça, sabem que ele é um político seríssimo, correto e honesto.

Se a PF for buscar problemas de Caixa 2, ou indícios do mesmo por causa de despesas pagas sem NFs, em eleições no país, teria que indiciar todos os políticos brasileiros, provavelmente todos os mais de 5 mil prefeitos e parlamentares.

Não. Não é coincidência. É ação coordenada. O objetivo é emparedar o PT. O objetivo é cassar todas as lideranças petistas, impedindo-as de participar dos processos eleitorais.

O objetivo é entregar o poder político no país aos corruptos do PMDB, aos vivaldinos tucanos e seus aliados do DEM (a Arena e PFL com disfarce de democratas, o que nunca foram).

O poder judiciário e a polícia brasileira estão em franca regressão aos anos da República Velha, quando faziam a triagem dos políticos que podiam ou não participar dos processos eleitorais.

Uma vergonha!

Delegado da PF diz que só é verdadeira notícia que sai no jornal



A Folha foi buscar em Curitiba, um delegado especializado em crimes cibernéticos, que dá a receita para averiguar a veracidade da notícia: conferir se ela saiu em grandes jornais.


As notícias falsas de maior impacto da última década surgiram nos jornais. Exemplo:


* o grampo sem áudio, da conversa entre Gilmar Mendes e o ex-senador Demóstenes Torres, capa da Veja, e que custou a cabeça do delegado Paulo Lacerda;

* o suposto grampo em uma sala doSupremo;

* os dólares de Cuba, que teriam sido transportados em garrafas de rum para a sede do PT em São Paulo;

* o financiamento das FARCs para candidatos a prefeito, capa de Veja;

* a ficha falsa de Dilma, furo da Folha.

* o lobista que não conseguiu um financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES para uma empresa de fundo de quintal, alegando que teria se recusado a pagar R$ 5 milhões em propinas.


Por outro lado, as seguintes notícias verdadeiras só saíram em veículos alternativas, blogs e portais.


* a comprovação da falsificação do grampo no Supremo;

* o questionamento da veracidade do grampo sem áudio;

* o desmentido dos tais dólares de Cuba;

* o desmascaramento dos tais dólares das FARCs;

* o desmascaramento da ficha falsa de Dilma;

* o furo de que o tal lobista dos R$ 5 milhões havia saído há um mês da cadeia;

* a denúncia dos parentes de procuradores que atuam como advogados nas delações da Lava Jato;

* os inquéritos contra a Globo no caso FIFA;

* as denúncias de corruptos que foram liberados sem explicação pela forçava tarefa da Lava Jato.


Se houvesse essa tal Lei do Fakenews, a opinião pública não teria sido informada desses episódios, a imprensa que atua na contracorrente não teria esclarecido temas relevantes. À esta altura, estaria ocorrendo com cada blogueiro independente o mesmo que aconteceu com o blogueiro que teve a casa invadida por ordem de Sérgio Moro, e foi conduzido coercitivamente até a Polícia Federal.


Pergunto: é sério o que propõe o delegado?

Salas do inferno


Carta aberta ao Lula

Carlos D'Incao

CARTA ABERTA AO LULA

Caro Lula

Escrevo-lhe na qualidade de Historiador e de um cidadão que, por mais de 30 anos, tem militado pelas causas populares e progressistas.

O que tenho para lhe dizer é breve e objetivo.

Dia 24 de janeiro, como você mesmo já deve prever, você será condenado em segunda instância pelo TRF da 4ª vara do Rio Grande do Sul. Assim sendo, você se tornará inelegível para as próximas eleições de 2018.

Ao seu lado, nesse exato momento, há certamente uma quantidade significativa de analistas opinando qual será a melhor forma de você acolher mais esse revés judicial e político.

Entretanto, tenho dúvidas sobre a efetividade e assertividade dessas vozes. Muitas podem estar vendo nesse processo uma oportunidade para ocupar espaços vazios ou até mesmo se valer de uma injustiça para se promover de maneira político-eleitoral.

A verdade, porém, é simples: sua condenação é uma gigantesca vitória para os setores reacionários e para o capital internacional. E não se trata de uma “breve vitória” passível de ser revertida ao longo desse ano. Essa será uma vitória definitiva.

Sob qualquer cenário, uma eleição presidencial sem a sua presença significa a edificação de todo o processo golpista. Ainda que você apoie um outro candidato e ele vença, nenhuma outra personalidade política terá forças para reverter o descalabro já realizado desde o golpe de 2016.

Na História há alguns raros momentos em que um indivíduo se torna a síntese necessária para colocar todo um sistema político e social conservador em questionamento. E quis o processo histórico brasileiro que esse indivíduo fosse hoje você.

Outra liderança com o prestígio e popularidade internacional e nacional como a sua não se constrói de uma hora para outra. E, a depender das classes dominantes, nunca mais surjirá outra com a mesma força.

Assim posto, a sua condenação é necessária - sob a ótica dos donos do poder - e inaceitável - sob a ótica da classe trabalhadora.

E o que fazer então?

Simples.

Você precisa se insurgir contra essa condenação. Não aceitá-la e anunciar em alto e bom som que o sistema judiciário brasileiro rompeu com o pacto constitucional, com a democracia e com o Estado de Direito.

A sua insurgência é a única forma de mobilizar as massas para reverter esse verdadeiro descalabro nacional que fragmentará a nação e dizimará as vidas de dezenas de milhões de famílias brasileiras que passarão a viver na miséria extrema e na desesperança perpétua.

Vale aqui lembrar que aceitar os ditames das classes dominantes nunca se reverteu em vantagens para o povo brasileiro. Ainda assim, os setores progressistas nacionais possuem uma larga e lamentável tradição em se submeter a eles...

Foi assim em 1984, foi assim em 1964, foi assim em 1962, foi assim em 1954, foi assim em 1937, foi assim em 1932 e foi assim em uma série incontável de eventos em que aqueles que lutavam pelas causas populares acabaram sendo apunhalados pelas elites brasileiras.

A sua insurgência é necessária e é a única forma de manter o seu legado vivo. Caso se submeta ao jogo dos golpistas, você será condenado não apenas agora, mas sucessivamente por outras mentiras e outros processos judiciais fraudulentos.

E a História, não tenha dúvidas, será contada pelos vencedores que colocarão seu nome na infâmia, quando não, no esquecimento. Outros grandes homens e mulheres já passaram por isso. Não seja mais um deles.

Faça parte daqueles que se rebelaram diante da injustiça e da tirania. Esses nunca tiveram seus nomes esquecidos. E é disso que o povo brasileiro necessita: que sua principal liderança política dê um basta a tudo isso e imponha uma nova ordem onde a democracia e o Estado de Direito sejam cláusulas verdadeiramente pétreas em nosso país.

Cordialmente,

Carlos A. D’Incao
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