segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O direito à vida

Luis Felipe Miguel

É preciso que fique claro: a questão não é, nunca foi, quando se inicia a vida. A questão é quando se inicia a humanidade. É a humanidade, não a vida, que costuma ser considerada inviolável pelas culturas humanas.

Quando começa a humanidade? Culturalistas podem responder que é quando se dão os rituais da incorporação do novo ser ao mundo humano - por exemplo, com a atribuição de um nome próprio. Cientificistas vão apontar a conclusão do sistema nervoso central. Psicólogos podem pensar na formação do "eu" como identidade pessoal. Filósofos vão falar na capacidade de estabelecer a própria vida como projeto. São muitas concepções diversas. Nenhuma delas indica a fecundação do óvulo como esse momento.

Damos valor à humanidade porque ela nos credencia a agirmos como seres autônomos. É essa autonomia, isto é, o reconhecimento da humanidade da mulher, que o direito ao aborto protege.

Então, a não ser que você seja jainista, pare de falar em "direito à vida desde a concepção". E, antes de ver uma alma imortal na imagem, saiba que se trata do embrião de um cavalo.

A imbecilidade constrangedora de Luís Roberto Barroso

Como o marketing reduziu a economia a um produto de boutique
Luis Nassif
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Nada exprime mais esse vazio, esse falso intelectualismo, do que as manifestações do Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Diz ele que o governo é ruim, mas a equipe econômica é competente. Qual o nível de análise para chegar a tal conclusão? Nenhum. Não analisou a produção acadêmica, não conhece a atuação pregressa de nenhum deles, não demonstra o menor conhecimento para uma avaliação minimamente competente de sua atuação à frente da Fazenda ou do Banco Central. No entanto, opina, e com a carteira de Ministro do Supremo e porta-voz de um iluminismo de butique.

É de uma superficialidade assustadora, uma mera repetição do que ouviu na Globonews e se tornou um bordão de bom pensamento, como uma marca de gravata, uma indicação de um bom livro ou boa música. E diz Barroso, com aquele tom alarmista dos gansos do Capitólio, que o atraso é permanente no Brasil, porque as forças que o sustentam são poderosas.

Mire-se no espelho. O atraso ancestral é decorrente da superficialidade escandalosa de pessoas como ele, que supostamente deveriam representar uma elite letrada, porque um dos grandes juristas do país, mas que se movem no mercado de ideias da mesma maneira que socialites nas colunas sociais, esforçando-se atrás de frases de senso comum para serem in.

No Brazil Forum UK 2016 – feito para especialistas – Barroso apresentou como uma das vantagens do Brasil a estabilidade democrática e um conjunto de condições para o desenvolvimento, dentre os quais, a educação. Para a mídia e o populacho de suas relações sociais, apresenta como saída política o estado de exceção e como saída econômica a PEC 241, analisando as estratégias fiscais com a mesma superficialidade com que se analisa uma conta de padaria.

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Sou burro, e daí?

Cristóvão Feil

Sérgio Moura?

O golpe abriu - de fato - as portas do inferno e o céu dos burros.

Esses, desfilam com o peito arfante:

"Sou burro, e daí?"

A mídia a serviço da extrema-direita


Luis Felipe Miguel

A manifestação do dia 29, contra a PEC 55, não existiu na imprensa. Aliás, a própria votação no Senado foi uma ausência no noticiário. Antes mesmo do desastre da Chapecoense, já havia a votação das "dez medidas contra a corrupção", programada para o mesmo dia, sob medida para desviar a atenção da PEC.

A manifestação não foi anunciada, não foi coberta e só entrou no noticiário depois que a brutalidade policial começou - e aí o tom era a denúncia do "vandalismo" dos manifestantes.

Já a manifestação de ontem foi propagandeada por semanas, ganhou cobertura ao vivo e hoje está nas capas dos jornais. Longe de qualquer "espontaneidade", seus participantes ficaram bem enquadrados no espectro de posições que os organizadores aceitavam: viva Moro, viva Dallagnol, fora Renan, abaixo o Congresso, cadeia para Lula, intervenção militar já. Nada de "fora Temer", nada de Furnas, de helicóptero do pó, de metrô, de merenda escolar, de Chevron, de propina na Suíça. E nada, obviamente, que fizesse alguém acreditar que o Brasil tem outros problemas além da corrupção.

O comportamento da mídia obedece a dois objetivos, que já ficaram muito claros há tempos. Primeiro, o fechamento da pauta política na questão da corrupção.

Depois, a afirmação da extrema-direita como ator político relevante. Não sei se há de fato a simpatia das empresas de mídia pelo "ideário" de MBL, Vem Pra Rua e assemelhados, se há compromissos assumidos com os financiadores destes movimentos ou se é apenas a maneira de manter viva a brutalidade contra qualquer posição progressista.

Náusea

Nelson Barbosa

Três coisas que me dão náusea profunda:

- Bandeira enrolada no corpo das pessoas
- O verde e amarelo
- Caras de classe média branca jovens ou velhos.

O desmonte da democracia

Xadrez do desmonte da democracia


Peça 1 – Os referenciais para analisar a crise

Os referenciais em torno dos quais montaremos nossos cenários:

1.     O maior agente político continua sendo a massa dos bestificados que saem às ruas impulsionados pelo ódio e pela intolerância exarados pela mídia e pela Lava Jato.

2.     Quase todas palavras de ordem pré-impeachment se esvaziaram. Agora, o alvo da mobilização é o Congresso, com todos seus defeitos, o último setor de manifestação do voto popular. E a turba sendo engrossada por procuradores e juízes, em uma nítida perda de rumo das instituições.

3.     Agora, se tem um Judiciário brigando com o Legislativo, procuradores de Força-Tarefa assumindo a liderança da classe, se sobrepondo ao Procurador Geral, em um quadro de indisciplina generalizada e crescente.

4.     Esse clímax se dará com a revelação das delações da Odebrecht, tornando mais aguda a crise, a desmoralização da política e a busca de saídas milagrosas.

5.     Se terá então a crise econômica se ampliando, o vácuo político se acentuando, e massas raivosas atrás de qualquer solução, por mais ilusória que seja, como esse cavalo de batalha contra a Lei Anti-abusos.

Vamos montar, por partes, esse mapa do inferno.

Peça 2 – O fim de Temer, o breve

A economia se moverá seguindo o roteiro abaixo:

1.     O governo Michel Temer acabou. Trata-se de um político menor e pior do que as piores avaliações sobre ele.

2.     A era Henrique Meirelles também acabou.

3.     O país está à beira de uma depressão, com convulsão social e com um governo sem diagnóstico e sem condição de comandar a recuperação.  Mas o mercado insistirá em uma última tentativa, seguindo o jogo das expectativas sucessivas, conforme você poderá conferir no artigo “Como o marketing reduziu a economia a um produto de boutique”( https://is.gd/WXBqJW).

Henrique Meirelles e sua tropa deixarão de ser a equipe brilhante que salvaria a economia. Daqui para a frente, serão colocados no limbo, e a nova equipe brilhante será a do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que é um Meirelles elevado à tríplice potência.

O problema da equipe econômica que assumiu as rédeas é que o seu objetivo não é o de recuperação da economia, impedindo um desastre social, mas o de destruir qualquer vestígio do modelo anterior, um ideologismo barato e cego, marca, aliás, de boa parte do pensamento econômico brasileiro.

Peça 3 – O governo de transição

Com o fim do governo Temer, aventa-se uma eleição indireta com Fernando Henrique Cardoso, trazendo Armínio Fraga para aprofundar o ajuste fiscal.

Aparentemente, essa loucura não se consumará por dois motivos.

Motivo 1 – FHC refugou.

Em duas manifestações seguidas, FHC admitiu o óbvio: sem a recuperação do voto, através de novas eleições diretas, será impossível a implementação de qualquer programa econômico minimamente consistente. Na verdade, FHC tem noção de suas próprias limitações. Em momentos menos graves – como no processo inicial de consolidação do Real e no início do segundo mandato – FHC foi incapaz de uma ação proativa sequer. Limitou-se a seguir o receituário de seus economistas, de um enorme aperto fiscal, que contribuiu, nos dois casos, para uma economia estagnada durante seus dois mandatos.

Motivo 2 – a aposta errada no aperto

Além disso, caiu a ficha da classe empresarial sobre a loucura de persistir nessa política suicida. Mesmo no mercado, a sensação é que a persistência do quadro recessivo não permite ganhos a ninguém, mesmo ao mercado. E abre o risco de algum populismo de direita, que transforme o mercado no bode expiatório.

A discussão que se iniciará agora é sobre o momento e a oportunidade das novas eleições diretas, uma discussão que levará em conta o potencial eleitoral de Lula e do PT e as alternativas do atual grupo de poder.

O fator Nelson Jobim

Com o PSDB pedindo para afastar de si este cálice, o nome mais forte aventado – lembrado pelo Xadrez de algumas semanas atrás – é do ex-Ministro da Defesa e ex-Ministro do Supremo Nelson Jobim. Tem bom trânsito junto ao PSDB e ao PT e familiaridade com as Forças Armadas, pela condução do Plano Nacional de Defesa.

Como presidente, será uma incógnita. Como candidato potencial, é a melhor aposta até agora.

Mas todas essas alternativas caminham sobre o pântano, representado pelo estímulo fascista às manifestações de rua. Abriu-se nova temporada de estímulo à violência, mostrando que a marcha da insensatez se abateu também sobre os operadores da lei.

Peça 4 - Sobre a irresponsabilidade dos golpistas

Não era surpresa para quem tem um mínimo de visão e de responsabilidade institucional. O golpe desmontou definitivamente a democracia brasileira, o modelo que garantiu o equilíbrio político do país desde a Constituição de 1988. Uma mescla de aventureirismo, oportunismo, despreparo, covardia promoveu a abertura da Caixa de Pandora.

Agora, a democracia está desmontada, a economia caminhando para uma depressão. E, no momento, o que se tem é o seguinte:

·      O Executivo liquidado.
·      Uma campanha pesada visando inviabilizar o Congresso.
·      Uma briga de foice entre instituições, com uma cegueira generalizada sobre a gravidade do atual momento.
·      E a ultradireita sendo definitivamente bancada pela parceria Lava Jato-Globo.

O fato de um mero procurador regional ousar afrontar o Congresso em nome pessoal, ameaçando “pedir demissão” de uma força-tarefa para o qual ele foi indicado, mostra a desmoralização institucional do país e a quebra total de hierarquia no próprio Ministério Público Federal. Qualquer deslumbrado, com um metro e meio de autoridade, e uma tonelada de atrevimento, coloca em corner não apenas o Congresso, mas o próprio Procurador Geral.

Até onde irá esse clima? Difícil saber.

Com a delação da Odebrecht, os procuradores da Lava Jato insuflando as manifestações, a crise se aprofundando, o caldeirão das ruas entrará novamente em ebulição, sem que haja uma saída institucional à vista.


A crise começou seu trabalho de espalhar um pouco de bom senso. Mas ainda é uma gota em um oceano de insensatez.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Se Moro desconfia da Justiça, por que alguém confiará?


Brasileiro é o povo mais imbecil, diz estudo


Markos Oliveira

1º carro defende a Lava Jato
2º quer intervenção militar
3º quer monarquia
4º quer Brasil-colônia
5º quer período escravagista
6º....

Quem paga a propaganda de Moro: CIA, crime organizado, Globo?

Do DCM
Divinópolis
 Goiânia
Taubaté

Da prisão, Dirceu escreve carta de despedida a Fidel

Jornal GGN - Em uma carta emocionada, José Dirceu se despede de Fidel Castro. Preso no Complexo Médico Penal desde agosto de 2015 e recentemente condenado a 23 anos de três meses de prisão, maior pena da Lava Jato dada pelo juiz Sérgio Moro até o momento, Dirceu rememora na carta quando conheceu o líder cubano, há mais de 40 anos, quando chegou a Cuba como um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado em 1969.

Dirceu conta que Fidel recebeu os presos políticos "jovial, alegre e emocionado".

"Chegávamos a Cuba vindos do México, para onde fomos ao sair das prisões da ditadura brasileira trocados pelo embaixador norte-americano. Foi o primeiro de muitos encontros durante minha vida em Cuba e, depois, como petista, deputado, ministro e, por fim, ex-ministro e de novo perseguido e exilado dentro do meu próprio país."

O ex-ministro elogiou o ex-presidente cubano, destacando que ele esteve presente em importantes lutas de independência e contra ditaduras nos anos 60, 70 e 80 na América Latina e África. "Enfrentou e não se rendeu à maior potência do mundo, os Estados Unidos da América", destacou.

O político pontuou que nunca lhe faltou da parte de Fidel "solidariedade e apoio", completando que esse apoio se manifestou com plenitude já fora do governo, em meio as perseguições políticas do Mensalão e Lava Jato.

"Sempre quando eu mais necessitava - de novo banido e caluniado nos anos do mensalão e também depois da minha condenação e prisão em 2013. Anos de infâmia, quando Fidel e Cuba continuaram solidários".

Dirceu concluiu assinando como "Daniel", nome que usou quando exilado em Cuba, e pelo qual foi chamado até o último encontro que teve com o revolucionário. 

Leia na íntegra

José Dirceu se despede de Fidel

Acabo de saber da morte de Fidel. São 9h15 da manhã de sábado. Ontem, dia de visitas aqui no Complexo Médico Penal, eu pedia para que transmitissem a amigos meus cumprimentos pelos seus 90 anos celebrados em 13 de agosto, o que não pude fazê-lo pessoalmente por estar preso.

Coincidentemente, hoje, recebo a triste e infelizmente esperada notícia, já que Fidel vivera e sobrevivera a uma longa enfermidade. Não só lutou contra ela e resistiu, mas passou por essa longa jornada sempre trabalhando e lutando, escrevendo e estudando, pesquisando e recebendo os companheiros de luta de todo o mundo.

Fidel era um sobrevivente de inúmeros atentados e tentativas de assassinato, hoje comprovadas pelos próprios documentos oficiais do governo dos Estados Unidos - da luta estudantil, do ataque a Moncada, do desembarque do "Granma", da guerrilha e, depois, vencendo a batalha de Girón e enfrentando a longa luta para consolidar a revolução nos anos 60/70.

Um líder revolucionário e estadista, colocou Cuba e seu povo na história do século 20. Participou e foi protagonista, mesmo governando uma ilha de 100 mil km² e 10 milhões de habitantes, de todos os grandes acontecimentos mundiais e esteve presente em todas as grandes lutas de independência e contra as ditaduras nas décadas de 60, 70 e 80, na América Latina e na África.

Enfrentou e não se rendeu à maior potência do mundo, os Estados Unidos da América.

Como ninguém, encarou a aspiração do povo cubano e latino-americano à independência e à soberania, seguindo a herança do pai de Cuba, José Martí, e dos grandes da América Latina, como Bolívar. Foi um símbolo de esperança e fonte de inspiração para os pobres, deserdados, explorados e oprimidos de todo o mundo.

Tive, já em 1969, ao chegar a Cuba, a surpresa de encontrá-lo pela primeira vez. Jovial, alegre e emocionado, foi nos dar as boas-vindas e nos prestar solidariedade. Chegávamos a Cuba vindos do México, para onde fomos ao sair das prisões da ditadura brasileira trocados pelo embaixador norte-americano. Foi o primeiro de muitos encontros durante minha vida em Cuba e, depois, como petista, deputado, ministro e, por fim, ex-ministro e de novo perseguido e exilado dentro do meu próprio país.
Nunca me faltou com a solidariedade e apoio - ele e Cuba - e se manifestou em sua plenitude, não quando eu estava no governo, e sim sempre quando eu mais necessitava - de novo banido e caluniado nos anos do mensalão e também depois da minha condenação e prisão em 2013. Anos de infâmia, quando Fidel e Cuba continuaram solidários.

Ao tomar posse como ministro, em 2003, agradeci em meu discurso a solidariedade do povo cubano e seu líder Fidel Castro durante a ditadura. Hoje rendo minha humilde homenagem ao comandante e ao herói do povo de Cuba. Presto minhas condolências ao povo e ao governo de Cuba e me despeço de Fidel sem poder estar em Havana para fazê-lo pessoalmente, assinando com o nome que recebi quando os perigos e as ameaças da ditadura e seu tutor, os Estados Unidos, nos obrigavam a usar pseudônimos.

Daniel

Sociopatas fascistas saem às ruas em defesa de bandidos de toga a serviço dos EUA











Burrice é declarada patrimônio imaterial de Brasília





Manifestação de vagabundos nazistas em Brasília quer Jeová na presidência

Brasil é para vagabundo viver. Eles vivem no Brasil.
Legislativo louvado por eles meses atrás é corrupto.
Executivo ao qual eles não se opõem, muito pelo contrário, é corrupto.
Declaram o Judiciário corrupto e exigem impunidade para juízes e promotores.

Troque seu golpista covarde por uma ditadura militar

video


Se não tiver outro jeito, assista AQUI

Morre o colunista sujo José Ribamar Ferreira, vulgo Ferreira Gullar


Nelson Barbosa (12/09/2016)

Eu às vezes tomo um Omeprazol com Dramin e dou uma sapeada nas crônicas dominicais do golpista Ferreira Gullar, na não menos golpista Falha de S.Paulo.

Não porque eu tenha um desejo mórbido de sentir nojo ou de vomitar as tripas, mas porque, como professor de literatura e sua teoria, me sinto na obrigação de atestar a indigência moral deste indivíduo caso algum eventual aluno me pergunte sobre ele e eu só tenha impressões negativas para dizer - ossos do ofício, talvez.

Pois não é que o indigente diz que políticas sociais de Lula/Dilma levaram o país a uma crise econômica estratosférica? E eu pergunto, por onde andou este estrume até agora, no alto de seus oitenta e tantos anos, que nunca viu que o Brasil, ao longo de seus 500 anos, só viveu crises econômicas para enriquecer as elites (incluindo seu patrão, o frias) e nunca - antes na história desse país - havia inserido o pobre no seu orçamento como fez o PT? E de que crise econômica este escroto quer falar?

Tá aí mais um que se um dia escreveu poesia o fez apenas para encher os bolsos, como o faz agora se metendo a comentarista econômico para exaltar o herdeiro que lhe puxa as rédeas todo domingo oferecendo-lhe feno para sua velhice apodrecida.

Juremir Machado da Silva (05/01/2012)

Nada mais conservador do que um ex-comunista. É a síndrome do ex-fumante ou do ex-drogado, o cara que cria uma fundação para pregar a moral que não viveu.

Para ser colunista nos jornalões brasileiros, é preciso, em geral, ser muito conservador ou transferir capital de um bolso para outro, usando a fama de uma atividade como base para o exercício de outra.

A direita domina amplamente os chamados espaços de formação de opinião na imprensa. Há jovens que sobem logo ao trono, adotando ideias reacionárias e velhas que, enfim, conquistam novos prêmios, espaços e adulações repetindo fórmulas gastas pela mídia soberana.

...

Como cronista, Ferreira Gullar é um Neymar improvisado de lateral. Há quem confunda ter criticado o stalinismo, na época da queda do muro de Berlim e das ditaduras do Leste europeu, com louvação ao capitalismo sem regulação, esse que quebrou a Europa e parte da economia dos Estados Unidos.

Pois é, o poeta Ferreira Gullar perdeu-se em corsos, comícios, discursos a granel. Vai ver que é a coincidência do nome com outro maranhense: José Ribamar.

Cristóvão Feil (04/12/2016)

Ex-stalinista, Ferreira morre adepto da direita mais atrasada do mundo: o conservadorismo da Casa-Grande.

O golpe começou em Washington

Luis Felipe Miguel

Até entre as posições mais progressistas, muita gente tem receio de enfatizar a participação dos Estados Unidos no golpe que derrubou a presidente legítima do Brasil. Isto apesar das múltiplas evidências que ligam todos - Michel Temer, José Serra, Sérgio Moro, MBL etc. - a grupos estadunidenses. E apesar do que tem ocorrido nos últimos anos nos outros países da América Latina.

Falar da interferência dos Estados Unidos parece coisa de teoria conspiratória. Acho que há uma ideia difusa que a participação estadunidense na política latino-americana se devia apenas à Guerra Fria - e não ao imperialismo. E há, também, o fato de que os construtores das narrativas dominantes, na mídia corporativa, fazem questão de ignorar esta faceta do golpe (assim como muitas outras).

Quando Edgar Morel publicou, em 1965, seu livro hoje clássico, O golpe começou em Washington, também se colocava contra a interpretação hegemônica. Hoje, a participação estadunidense na derrubada de João Goulart, assim como na eclosão das outras ditaduras da região, é incontestável.

Os Estados Unidos, hoje como ontem, zelam pelos interesses de seus capitalistas usando as armas de que puderem dispor. E mesmo que Temer não fosse informante da embaixada, que Moro não mostrasse tanto medo de que se desvendem as conexões estrangeiras da Lava Jato, que os movimentos "espontâneos" da direita brasileira não fossem filhotes da Atlas Foundation - mesmo assim, já daria para desconfiar de um golpe que incluiu, entre suas primeiras medidas, colocar José Serra no Itamaraty, liquidar qualquer risco de política externa independente e entregar o petróleo.

Jornal Nacional explora grosseiramente drama das famílias enlutadas

Abutre global  Kiria Meurer
"Jornal Nacional" invade a privacidade de parentes das vítimas da tragédia

Na cobertura de uma tragédia do tamanho da que ocorreu com o avião da Chapecoense, com tantos elementos dramáticos envolvidos, o jornalismo da TV não precisou recorrer a truques baixos para fazer o espectador se emocionar.

Este foi o tema de um texto publicado na “Folha” neste domingo, mas escrito antes que eu tivesse visto a edição de sábado do “Jornal Nacional”. Queimei a língua. O principal telejornal da Globo, em que pese a extensa e boa cobertura dada aos acontecimentos, brindou o espectador com um momento de exploração grosseira do drama das famílias enlutadas.

Uma repórter registrou com o seu telefone imagens de áreas reservadas do velório, incluindo o interior do ônibus que levou parentes ao aeroporto de Chapecó e a tenda onde velaram os corpos, dentro do estádio.

Consciente da invasão de privacidade que estava prestes a cometer, a repórter Kiria Meurer ainda informou: “A partir deste momento, a nossa câmera, com cinegrafista, não pode entrar. Então eu vou gravando com o meu celular”.

No momento mais constrangedor, ela abordou uma mulher e perguntou: “Você é parente de quem?” A moça informou: “Sou esposa do fisioterapeuta, Rafael Lobato”. A repórter, então, fez a observação cretina: “Finalmente, então, acabou a espera”. Ao que ouviu: “Não. O pior vem agora”.

Diante da imagem de uma moça chorando, Kiria disse: “Do lado de fora, encontramos a namorada de uma das vítimas, que recebeu atendimento médico”. Em seguida, ouvimos o depoimento da jovem, entre lágrimas, dizendo que havia prometido buscar o namorado no aeroporto, mas não imaginava que seria desta forma.

Filmando a si mesma enquanto percorria a área do velório, Kiria descreveu os bastidores do ambiente como se estivesse visitando um ponto turístico de Chapecó.

Foi uma reportagem de seis minutos que destoou bastante do tom informativo e respeitoso, apesar de extenso demais, da cobertura do telejornal. Difícil entender por que foi ao ar.

A crise brasileira passou de política a institucional, como previsível


Vozes do Silêncio
Por Janio de Freitas

Sob uma situação de abalos políticos sucessivos, em meio a condições econômicas ruinosas, os países não costumam esperar por eleições ainda distantes para buscar a normalização, encontrem-na ou não. Em política não há regras absolutas, mas há propensões historicamente predominantes. É o caso.

O Brasil está no terceiro ano de uma desconstrução que só tem encontrado estímulos, nenhum obstáculo. A crise passou de política a institucional, como previsível. Quem apoiou o impeachment com a ideia de que seria um fato isolado tem elementos agora para começar a entendê-lo. O confronto protagonizado por Judiciário e Legislativo tem as formas de divergências legais e vinditas mútuas, mas o seu fundo é institucional: é disputa de poder.

Possibilitada pelo desaparecimento do terceiro dos Poderes, nas circunstâncias em que uma institucionalidade legítima (à parte o governo insatisfatório) foi substituída por um faz de conta.

Entre o Congresso e o governo Dilma, o confronto foi por fins políticos. Entre o Judiciário e o Congresso, o confronto é de poder sobre as instituições. Nisso, como está e para onde vai o desaparecido Poder Executivo, o governo Temer? Em entrevista à Folha (1º.dez.), o ex-ministro Joaquim Barbosa e suas vigorosas formulações referiram-se à atual "Presidência sem legitimidade, unida a um Congresso com motivações espúrias". A segunda pior conjunção, sendo a primeira a mesma coisa em regime militar. Embora sem essa síntese de Joaquim Barbosa, o sentimento que se propaga nos setores influentes a representa muito bem. A possível falta de igual capacidade de formulação é suprida pelas dores das perdas e pelos temores dos amanhãs sombrios.

Quando a imprensa, que auxilia Temer na expectativa de uma política econômica à maneira do PSDB, libera notícias de preocupação incipiente, aqui ou ali entre empresários, com a falta de medidas recuperadoras, as reações já estão muito mais longe. "O que fazer?" é uma pergunta constante. As referências a Temer e Henrique Meirelles não o são, nas respostas especulativas sobre o que seria necessário para remendar a pane econômica. Mas os vazios dos dois nomes preenchem-se com vários outros, políticos para um lado, economistas para o outro.

Os sussurros e a cerimônia começam a desaparecer, em favor da objetividade. É um estágio conhecido. Temer o conhece como praticante, desde quando costurava com Aécio Neves a conspiração do impeachment. Agora o conhece como alvo. Sem a companhia de Aécio. Aliás, parece possível dizer, apenas, sem companhia: não faltam nem peemedebistas de alto escalão, digamos, nas inquietações. Não é outro o motivo do chamado do atônito Temer a Armínio Fraga, guru do neoliberalismo, e ao PSDB para se imiscuírem no gabinete de Henrique Meirelles, cuja carta branca é cassada sem aviso prévio e publicamente.

Daqui à sucessão normal são 25 meses. Mais de três vezes os meses que desmoralizaram a propaganda sobre as maravilhas do governo pós-impeachment, com Temer, Geddel, Moreira e outros. E o PSDB, com três ministros, como avalista. São 25 meses em que o teto de gastos e a reforma da Previdência, se chegarem à realidade, ainda não terão produzido mais do que as conhecidas agitações ou, cabe presumir, convulsão mesmo. Mas certas pessoas nem pensam mais nos meses que faltam. Ou faltariam.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Spoiler: o fim de 2016


Guerras de quarta geração

Luiz Carlos Azenha 
QUESTÃO DE TEMPO 

Num futuro não muito longínquo vamos ter acesso a detalhes das estruturas montadas especialmente por Estados Unidos, China, Rússia e Israel para travar as chamadas guerras de quarta geração, voltadas especialmente para controlar ou assimilar o "inimigo".

Moldar a opinião pública é central às operações psicológicas da "guerra total" de informação. Ela não tem data para começar ou terminar. Está em fluxo permanente.

Vamos entender melhor, então, o desenho dos algoritmos que "escolhem" nossos assuntos favoritos no Facebook ou influenciam nossas buscas no Google e o misterioso bombardeio de milhões no WhatsApp por mensagens sem origem definida.

Saberemos o mecanismo das "ondas" de opinião criadas artificialmente nas redes sociais, com os robôs que empurram posts e tweets e vídeos no YouTube à proeminência instantânea.

No Brasil contar essa história passa por descobrir exatamente o que fez o guru indiano de José Serra na campanha eleitoral de 2010, assentando as bases para o trabalho hoje estruturado de plantar, disseminar e colher a pulsão social do ódio.

Lembrem-se que, historicamente, a gente também achava que o "incidente" do golfo de Tonkin tinha sido mesmo incidente e que os golpes no Chile e no Brasil haviam resultado de conjunturas políticas exclusivamente locais. Quanta ingenuidade, né?

Em Chapecó, Temer não é aplaudido e nem vaiado; embaixador da Colômbia é ovacionado

Do DCM

Da Falha:

Luciano Buligon, prefeito de Chapecó (SC), fez sua fala na cerimônia vestindo a camisa do time colombiano Atlético Nacional, que enfrentaria a Chapecoense na final do Campeonato Sul-Americano, e falou em espanhol para agradecer ao país vizinho.

Ele começou  dizendo que “Deus também tem o direito de chorar, por isso chove tanto na Arena Condá”.

O presidente Michel Temer, anunciado na fala do prefeito, não foi aplaudido nem vaiado. O embaixador da Colômbia, por sua vez, foi ovacionado.

A arte imita a vida que imita a arte



Reforma da Previdência de Temer pune trabalhadores e mantém privilégios de políticos e militares

Sai a reforma de Temer: 65 anos, pensão menor e privilégios mantidos
Foram definidos os principais pontos da reforma da Previdência de Michel Temer, que será apresentada ao Congresso nesta terça-feira; ela castiga a população mais pobre e preserva privilégios das castas mais favorecidas do Estado; a idade mínima será de 65 anos para homens e mulheres; as pensões também serão desvinculadas do salário mínimo – o que significa que ficarão abaixo do piso salarial; as Forças Armadas, no entanto, não serão afetadas e os parlamentares, que votarão a proposta, também devem ser preservados; medidas foram anunciadas pelo jornal O Globo, que governa o Brasil em parceria com Temer

247 – Pressionado a executar sua "ponte para o futuro" antes que seu governo chegue a um fim prematuro, em razão das delações da Odebrecht ou do caso Geddel Vieira Lima, Michel Temer apresentará sua reforma da Previdência nesta terça-feira.

Os principais pontos foram divulgados pelo jornal O Globo, que, hoje, governa o Brasil em parceria com Temer. São eles:

1) idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, o que vale para todos os homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 (para os demais, haverá uma regra de transição).

2) pensões desvinculadas do salário mínimo – o que significa que ficarão abaixo do piso salarial.

3) intocabilidade das Forças Armadas e dos parlamentares, que votarão a proposta.

Ou seja: a reforma de Temer é a expressão plena de seu governo. Pune os mais pobres e protege os mais ricos.

Temer se aposentou aos 55 anos.

A República de Curitiba em transe

Do Justificando 

Curitiba em Transe 

Fuad Faraj 

Promotor de Justiça 

Os pretensos boys magia da Car Wash, na República de Curitiba, foram tragados por alguma espécie de histerismo paranoico diante de uma decisão tomada pela Câmara dos Deputados, em Brasília, que soterrou as desmedidas criadas e capitaneadas pelos magnânimos Redentoristas da Procuradoria da República. Travestido de projeto de iniciativa popular, as desmedidas apresentadas foram gestadas por longos meses no ventre de todos os Ministérios Públicos do Brasil, com utilização de expressivos recursos públicos.

Não me surpreenderia se tivéssemos a notícia de que palestras e assinaturas ao projeto fossem critérios de avaliação do estágio probatório dos que recém ingressaram na carreira.  Não se aventa, portanto, iniciativa popular nas medidas que propalavam necessárias para o combate eficiente à corrupção. Tudo foi um sortilégio. A iniciativa do projeto de lei é de um ente estatal chamado Ministério Público, o qual usou toda a sua estrutura e poder de fogo para buscar assinaturas de cidadãos induzidos a erro pelo título do projeto. O título do projeto de lei vendia combate à corrupção, mas o conteúdo dava ao cidadão também opressão e violação de direitos fundamentais.

De cunho autoritário, algumas delas buscavam solapar em suas bases o estado democrático de direito para que se erigisse, em seu lugar, um estado policialesco gerido por integrantes de um ministério cada vezes menos público e cada vez mais corporativo, unido na sanha persecutória inspirada no segregacionismo, na parcialidade seletiva e no sectarismo social, ideológico e político.

O Projeto aprovado, e talvez deva ser essa a razão do ódio profundo que suas Excelências devotam ao parlamento integrado por deputados eleitos pelo voto popular, inclui responsabilização criminal para promotores e juízes, entre outros atos, por atos ilícitos por eles praticados, antes “punidos” apenas na seara disciplinar. Com arroubos próprios de primas-donas descompensadas, sem qualquer razoabilidade, “ameaçaram” renunciar caso o projeto legislativo seja sancionado pelo Presidente. Um motim praticado por altos servidores públicos, integrantes de uma Carreira de Estado, que estão no topo da pirâmide da remuneração estatal.  Este disparate dos Procuradores da República, junto com todo conjunto da obra, é algo inominável.

Queriam acaso poder violar, sem punição alguma, a Constituição e todas as leis do país? Acaso fazem parte de uma classe de superdotados infalíveis que deve ser colocada acima de todos os demais cidadãos para poder prejudicar com seus atos, impunemente, o cidadão, a nacão e o país?  A bem pouco tempo, a lembrança me é vaga, os ilustrados integrantes da Car Wash diziam que a lei deve valer pra todos. Para todos, menos para eles.

A julgar pelo que falaram, vê-se que são muito ciosos de si e os únicos que podem fazer alguma coisa para salvar o Brasil. Passam a impressão, por este discurso mendaz e bravateiro, que a Procuradoria da República são eles e o resto dos seus pares constitui o rebotalho sem cérebro e sem estampa daquela instituição. Os demais membros do Ministério Público Federal não devem valer nem mesmo o auxílio-moradia que recebem, quanto mais o subsídio integral. É sério isso, preclaros jurisconsultos?  

Vê-se que os bem dotados juristas desta novel república nos ensinam sempre uma nuance jurídica que escapa aos simples mortais como nós.  Assim como, para dar um único exemplo, aprendemos com eles regras nunca antes vistas no cenário jurídico nacional ou mundial, do tipo que estabelecem conduções coercitivas sem lastro em Lei e na Constituição, aprendemos agora que a um membro do Ministério Público se concede a prerrogativa de dar às costas ao seu trabalho e ir voltar ao dolce far niente de seu gabinete ou o que quer que possa ser entendido como “voltar às nossas atividades”.

Pelo nível do discurso, deve-se entender que são uns incendiários da República que propalam proteger. Seu discurso toca as almas daqueles embebidos de ódio e rancor, em busca da destruição de um inimigo, qualquer inimigo, que possa dar vazão, como num transe, aos seus sentimentos mais violentos e lhes sirva de catarse.

Nos passam a impressão, falsa espera-se, que não tiveram outro interesse além de levantar, através do uso absoluto dos meios de comunicação, uma massa de cidadãos com os quais se alinharam, desde a primeira hora, na ação e na ideologia, no ódio e no rancor, para concretizar uma ruptura institucional de consequências nefastas para o nosso Brasil.  Neste domingo, 4 de dezembro, todo planeta saberá, mais uma vez, que tipo de manifestações de massa eles tiveram a capacidade de invocar, provocar e estimular sem se importar com quaisquer consequências.

É sintomático perceber, e também é um traço revelador do que se trata, que olhando para o passado vemos uma sincronia temporal mágica entre as ações destes paladinos da justiça, do Juiz Supremo, dos vazamentos, das grandes manchetes, dos eventos políticos e das manifestações de rua. Nós, comuns mortais, sequer conseguimos planejar com tal acurácia e eficiência um almoço em família num domingo. Estes caras respeitáveis, notáveis juristas e comportados piás de prédio, fizeram uma “revolução”, alinhando-se, desavisadamente espera-se, ao que tinha de mais retrógrado no esquema de poder que submete este país debaixo de uma canga desde 1500.  A história não os absolverá.

Graças a esses gênios, pioneiros da jurdisdição-espetáculo, teremos, ano que vem, eleição indireta para eleger o Presidente da República pela primeira vez desde o fim do regime instaurado pela Redentora Revolução de 64.  Graças a esses notáveis de vanguarda, temos uma ÚNICA operação policial comandando os destinos de um país inteiro, gestada à forma de um seriado de televisão para durar anos, indo para a 4ª temporada, enquanto o nosso país definha econômica, social e politicamente.  Cansados da “brincadeira”, esses luminares agora ameaçam “renunciar”.  

Transformaram nossa terra numa Bananalândia.  Nosso País, com o recrudescimento das divisões internas que vão se tornando a cada dia mais inconciliáveis está deixando de ser uma Nação. Aos poucos, também, o Brasil vai deixando de ser uma País soberano.

Não, a história nunca os absolverá.

Fuad Furaj é Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná.

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