quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Comunicado


Trump sugere armar professores nas escolas

Byron Williams, The Ale Party

Deutsche Welle

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu a possibilidade de alguns professores ou funcionários das escolas portarem armas de maneira escondida para responder rapidamente em casos de ataques.

As sugestões foram feitas, na quarta-feira (21/02), após o presidente ter recebido na Casa Branca um grupo de sobreviventes e parentes de vítimas de ataques a tiros em instituições de ensino nos EUA. Entre os presentes estavam seis alunos da escola de Parkland, na Flórida, onde 17 pessoas morreram na semana passada.

"Há algo que se chama portar armas de forma oculta, e que só funciona quando você tem gente treinada para isso. Os professores teriam uma permissão especial, e [a escola] já não seria uma área livre de armas da qual os 'maníacos' podem se aproveitar", disse.

Trump argumentou que, dado o tempo que pode demorar para a polícia chegar a uma escola ao receber um alerta de ataque, os professores devidamente treinados poderiam reagir rapidamente.

Segundo ele, a proposta pode "solucionar o problema" ao fazer com que um possível perpetuador pense duas vezes antes de invadir uma escola.

"Isso só seria, obviamente, para pessoas que são treinadas em lidar com uma arma", disse o presidente. "É chamado de transporte oculto. Professores em posse de uma arma receberiam treinamento especial e não teríamos mais uma zona livre de armas."

"Vamos examinar essa ideia muito a sério, muita gente vai estar contra isso e muita gente vai estar de acordo", afirmou o presidente, ao reconhecer que é algo "controverso". O republicano também propôs enviar às escolas "profissionais, que poderiam ser fuzileiros navais".

Trump falou ao final de um encontro emotivo na Casa Branca, no qual alunos e parentes de vítimas do massacre da semana passada descreveram suas angústias pessoas. Eles pediram aos legisladores americanos que protejam os estudantes da violência armada no país.
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O enterro da “democracia utópica”




Quando o bloco soviético entrou em colapso, a ciência política estadunidense entrou em festa. Era o triunfo simultâneo do capitalismo e da democracia, enfim unidos como par indissociável. Uma democracia, é claro, plenamente equiparada à sua efetivação nas sociedades ocidentais. Samuel Huntington, o veterano cold warrior de Harvard, escreveu que a “terceira onda” de democratização, no último quarto do século XX, punha fim à polêmica sobre o sentido da democracia, em favor de sua versão concorrencial, limitada. Ainda mais ousado, Francis Fukuyama, então estrela em ascensão no neoconservadorismo, decretou a chegada do fim da história, com uma eternidade de economia de mercado e instituições políticas liberais nos aguardando pela frente.

Huntington e Fukuyama nunca foram santos de devoção da esquerda, mas ela também não ficou imune ao novo clima. Um debate que começara no meio dos anos 1970, no eurocomunismo italiano, e que chegou ao Brasil no final daquela década, por meio de um famoso artigo de Carlos Nelson Coutinho, foi resolvido meio de supetão: a democracia estava alçada à condição de valor universal. Aliás, sem nenhuma das ponderações que o próprio Coutinho apresentava, sobre a necessidade de avançar para uma “democracia pluralista de massas”, superando os obstáculos que a ordem capitalista impõe à ampla participação popular. A parafernália institucional do liberalismo foi aceita como alfa e ômega do ordenamento político e, mais, foi aceita em seus próprios termos, como fórmula para resolver as disputas em paz e em igualdade de condições.

Não por acaso, naquele momento a teoria política crítica aderia a modelos também convergentes com o enquadramento liberal e cada vez mais despreocupados com o impacto político das desigualdades sociais. O ideal da “democracia deliberativa”, que colonizou o espaço das visões democráticas radicais, assumia que, estabelecidas as condições para um diálogo abrangente, franco e igualitário, seria alcançado um autêntico consenso racional sobre todas as questões polêmicas. As relações sociais de dominação eram transcendidas por um ato de vontade teórica e nossa meta passava a ser uma versão sofisticada do velho “conversando a gente se entende”. Os instrumentos para o tal diálogo franco, como os teóricos da corrente não tardaram em indicar, já estavam nas instituições da própria democracia liberal.

No Brasil, a disseminação do enquadramento liberal fez com que nossa própria transição política fosse avaliada tendo como único metro as instituições formais que dela emergiram. O resgate da imensa dívida social podia ser considerado importante, até mesmo crucial, mas formava um capítulo à parte. A convivência entre democracia e desigualdade aparecia como natural e pouco problemática. A crença num céu político completamente desvinculado de sua base material, que Marx já denunciava, tornou-se artigo de fé geral.

Quando as nuvens do golpe de 2016 já sombreavam o horizonte, a maior parte da ciência política brasileira ainda via nossa democracia como “consolidada”. E mesmo hoje, quando o som dos coturnos em marcha alcança nossos ouvidos, muitos ainda se perguntam como pôde ter acontecido o que aconteceu e não vislumbram nenhum projeto além da restauração da ordem que foi derrubada junto com a presidente Dilma Rousseff.

Mas tal restauração, caso alcançada, padecerá da mesma fragilidade que foi congênita à institucionalidade instaurada com a Constituição de 1988. A coexistência entre democracia e desigualdade só é tranquila caso a democracia contenha a cada momento seu impulso igualitário. Num país como o Brasil, cujas classes dominantes são tão arredias a qualquer diminuição da distância que as separa do resto da população, isto significa uma democracia que, na tentativa sempre frustrada de se afirmar consolidada, nega permanentemente a si mesma. Como o golpe demonstrou de forma cabal, mesmo o programa reformista mais tímido possível, aquele que o PT no poder adotou, foi demasiado.

Não é errado ver na democracia um método para a resolução pacífica dos conflitos sociais. Mas só ver isso é deixar de lado sua outra face, ao menos igualmente importante. A democracia traz, em seu próprio nome, um paradoxo: é o governo do povo, isto é, é o governo daqueles que são governados. Seu princípio é conferir poder a quem não o tem. É um regime que, para ser digno de si mesmo, deve entrar em combate contra todas as formas de opressão e dominação vigentes na sociedade. Talvez o que nos permita alcançar uma democracia mais consolidada não seja a minimização de suas ambições, a fim de não ameaçar os dominantes, mas, ao contrário, a construção de uma sociedade mais igualitária. 

O tempo não passa

Aroeira: Fiz essa em 1994... No Globo!

1.994
2.018

Como fazer ciência em um país dominado por bachareizinhos semianalfabetos, movidos pelo ódio ao conhecimento?



Maior especialista em entorpecentes do Brasil é intimado a depor por apologia ao crime
O psicofarmacologista Elisaldo Carlini prestou depoimento à polícia de São Paulo. É pesquisador da Unifesp e estuda os efeitos medicinais da maconha há 50 anos


Ontem, 4ª feira, dia 21/02, o Psicofarmacologista Elisaldo Carlini, 88 anos, foi intimado a depor à polícia de São Paulo acusado de fazer apologia ao crime. Carlini, professor emérito da Unifesp e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, foi um dos pioneiros no Brasil na pesquisa sobre o efeito da maconha no organismo humano, tema ao qual se dedica há 50 anos.

Primeiro foram os judeus, depois os socialistas, os comunistas... Chegou a vez dos cientistas?


Como fazer ciência em um país dominado por bachareizinhos semianalfabetos, movidos pelo ódio ao conhecimento?

Como a mídia retrata os militares

Ministro interino do Trabalho é réu em ação por furto

Ayrton Centeno

Assim não dá!

Um governo que já teve Geddel (51 Milhões) como ministro não pode decair assim! Primeiro tentou emplacar como ministra a deputada Cristiane Brasil. Mas aí se descobriu que ela deu calote na Justiça do Trabalho. Agora o ministro vai ser um cara que fez uma gambiarra para roubar energia da Light para sua empresa. Assim não dá. Vamos manter o nível! Daqui a pouco vamos acabar nomeando um ladrão de galinhas!


Ministro interino do Trabalho é réu em ação por furto de energia
Do IG através do DCM

Ministro interino do Trabalho e  garantido na pasta até o mês de março , Helton Yomura é réu em uma ação de roubo de energia. As informações são do canal de televisão GloboNews. Segundo a reportagem, uma empresa da qual o ministro é sócio teria feito uma ligação clandestina de energia.

Yomura é um dos donos da Fimatec , empresa que aluga e vende empilhadeiras e peças para máquinas no Rio de Janeiro. A ligação clandestina foi encontrada por funcionários da concessionária de energia Light em um galpão da empresa, localizado na zona norte da capital fluminense, no mês de abril de 2014. De acordo com a reportagem, os técnicos da fornecedora de eletricidade constataram o desaparecimento de dois relógios de energia ao lado do “gato”.

O Ministério Público denunciou os sócios da empresa pelos crimes de furto de energia e furto qualificado ainda em 2014. No ano seguinte, a Justiça aceitou a denúncia. “Os sócios da empresa Baldomero Simões Abreu e Helton Yomura, livre e conscientemente, subtraíram para si energia elétrica de propriedade da empresa Light S.A de janeiro a abril de 2014”, diz um dos autos do processo. Ainda de acordo com a denúncia, o prejuízo estimado pela concessionária é de R$ 25 mil. Caso Yomura e o sócio sejam condenados, eles podem pegar até 12 anos de prisão.

A Democracia sempre vencerá a intolerância e a ignorância


Ricardo Costa de Oliveira

Constatação Científica: Ocorreu o fenômeno de um Golpe de Estado contra a Presidência de Dilma em 2016, contra o Governo Legitimamente Eleito do Partido dos Trabalhadores e contra o Programa Político Vitorioso nas Eleições de 2014. 

O ministro golpista da Educação, filiado ao partido político Democratas, partido político de oposição antes do golpe, até mesmo porque o partido perdera as eleições presidenciais, mais uma vez demonstra objetivamente que o Brasil vive um golpe político contínuo, desde 2016, ao querer perseguir ideias, perseguir a liberdade de expressão, ao perseguir a autonomia universitária crítica e querer perseguir um programa de curso universitário, que exatamente observa, debate e investiga o golpe cientificamente. 

O Golpe de Estado de 2016 é associado aos interesses do nepotismo de forças políticas arcaicas e reacionárias, um conjunto expressivo de atores políticos com fortes relações familiares nas suas formas de ações políticas, como é o caso do próprio ministro da Educação. 

Como “Mendoncinha” se tornou Ministro da Educação? Cadê o Currículo Lattes dele? Cadê o Título de Doutor de alguém querendo mandar na atual área educacional e científica do Brasil? Cadê a competência, experiência e títulos universitários deste indivíduo? Escreveu quais livros e quais artigos? Orientou quantos acadêmicos e cientistas na sua formação? 

Tal como no Golpe de 1964, um Chefe de Estado legítimo, democraticamente eleito, foi golpeado e foi afastado do poder, sem cometer nenhum crime de responsabilidade pessoal. Dilma não foi acusada de nada pessoalmente, além da farsa política golpista e continua com plenos direitos políticos. Dilma não está sendo processada, ou julgada por nada, contra sua conduta como Presidenta da República. 

Tal como no Golpe de 1964, uma maioria do Poder Legislativo e do STF apoiou o esbulho, sem nenhuma legitimidade, rasgando o resultado eleitoral e roubando a soberania eleitoral de mais de 54 milhões de eleitores. 

Tudo isto para implementarem um programa elitista, antipopular, antinacional e aumentarem a corrupção, como todas pesquisas revelam. 

Somente um desgoverno golpista quer tentar perseguir as verdades científicas e as ciências sociais. Em defesa da liberdade de expressão, em defesa das ciências sociais, em defesa da democracia, todos os cientistas sociais críticos e todas as entidades científicas devem denunciar a perseguição golpista contra o Professor Miguel. 

ANDES, SBPC, ANPOCS, ABCP, SBS, ABA, ANDIFES e todos verdadeiros democratas devem lutar pela liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, direitos inscritos na Constituição da República. 

Derrotamos o Golpe de 1964 e a Ditadura subsequente quando éramos jovens, derrotaremos o Golpe de 2016 e o atual regime de exceção novamente. 

Todo golpe é uma grande farsa e uma grande mentira. A Democracia sempre vencerá a intolerância e a ignorância.

Quanto dinheiro José Serra tem no exterior?



Palmério Dória

Se Paulo Preto, lambaio de Serra, tem 113 milhões no exterior, imagine o chefe dele que se recusa a dar qualquer satisfação à mídia que sempre o cultuou como "o mais preparado" para assumir a Presidência. Ainda mais com a arquivadora-geral Raquel Dodge na parada.

Ministro que discute educação com bandidos e tarados quer acabar com a Liberdade de Cátedra


Leonardo Valente

Liberdade de Cátedra é um dos princípios basilares de uma universidade livre e da democracia, é cláusula pétrea de nossa Constituição. Pois o ministro da Educação ameaça um dos mais importantes cientistas políticos do Brasil, professor da UnB, por oferecer neste semestre uma disciplina eletiva de pós-graduação sobre o golpe de 2016. Concordem ou não com o termo, fato é que parte importante da academia assim considera o que aconteceu, e já existe bibliografia relevante sobre o tema, portanto, não há nada que impeça o oferecimento da disciplina, aprovada em departamento por decisão colegiada, inclusive por professores que não consideram o impeachment de 2016 um golpe.

Pois o ministro ameaça o professor de improbidade administrativa, o que pode lhe custar a carreira. Se alguém ainda tem dúvida de que vivemos em uma espécie de autocracia velada (nem tão velada assim) com notórios e exemplares casos de perseguição política, sugiro rever os conceitos. Em um regime democrático, um ministro jamais ousaria tal gesto, e se o fizesse, seria rapidamente responsabilizado.

Em vez disso, a CBN lança uma enquete e pergunta ao ouvinte se ele concorda ou não com a disciplina. Às favas com a enquete, em um lugar decente, ainda que todos sejam contra, é um direito do professor ministrar a disciplina e dos alunos escolherem cursar ou não. Não se põe em discussão de enquete como polêmica direitos líquidos e certos em um Estado de direito. Se assim o fazem, buscam apoio para o autoritarismo. Gestos como o da CBN embasam ainda mais a tese de golpe e farão parte como exemplo de futuras disciplinas.

Vivemos em plena ditadura


É golpe!


O pior, o pior mesmo é que ainda tem quem se diga de 'esquerdas' e que sustenta que as instituições estão funcionando normalmente e que as prisões arbitrárias e os ataques às universidades públicas sem respaldo da Constituição são normais. Quando uma a uma as bases formais do Estado de Direito vão sendo solapadas nada mais resta que a barbárie. Um ministro não tem como acionar o Ministério Público para impedir uma disciplina porque as universidades são autônomas em termos acadêmicos. Quem é do ramo sabe que para oferecer uma disciplina um professor tem que submeter o programa ao colegiado do Departamento e a sua aprovação não é uma questão jurídica, mas acadêmica. Não é o MPF ou a Justiça que devem controlar o que deve ou não ser lecionado em uma Universidade, mas as suas instâncias colegiadas acadêmicas. A ver até quando será necessário destroçar a Constituição para se compreender em que País vivemos. Não vai me espantar nada que em pouco tempo o livro A democracia impedida. O Brasil no século XXI, do professor Wanderley Guilherme dos Santos, que define claramente o afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff, sem crime de responsabilidade comprovado como golpe parlamentar seja proibido e retirado das livrarias. Mais uma medida 'natural', em um País em que o ministro da Educação desconsidera o preceito Constitucional de autonomia universitária e se arvora a definir o que pode ou não ser ensinado nas salas de aula.

A elite da direita brasileira, com o Supremo e com tudo, é ingrata e traiçoeira


A DIREITA É INGRATA
Moisés Mendes

A soberba é a marca dos mafiosos da política brasileira engordados pelo golpe.

São tão soberbos que que aplicaram o golpe e uma quadrilha, já investigada e depois denunciada pelo Ministério Público, chegou ao poder sem muito esforço. E lá está refestelada porque se convenceu de que nada acontecerá com eles.

Um dos mafiosos da periferia do golpe, que se acham espertos, é Roberto Jefferson, o pai da ex-futura ministra do Trabalho Cristiane Brasil.

Jefferson denunciou o PT por uma dívida de caixa 2 de campanha e desencadeou a caçada do mensalão.
Acabou na cadeia como dedo-duro e mafioso bobão. Saiu da cadeia, aliou-se ao jaburu e tentou emplacar a filha como ministra.

No dia em que o jaburu anunciou o nome da filha dele para o Ministério, o sujeito saiu dando gargalhadas, como se dissesse: eu venci todos vocês, inclusive a imprensa, porque eu posso tudo.

Jefferson achou que a filha assumiria o Ministério do Trabalho numa boa, por imposição das manobras que nunca falham desde o golpe. Mas um mafioso inteligente não cometeria o erro da soberba e de desafiar a direita que o esnoba, como a Globo e a Folha.

Jefferson desafiou desafetos vingativos ao achar que a filha o representaria nas trocas com o jaburu e passaria por cima de todo mundo.

Se o Supremo decidisse que a mulher deveria assumir (se fosse tucana, assumiria), ela não resistiria e cairia logo depois.

Jefferson é do mesmo molde de onde saíram Cunha e Geddel, que se consideravam da elite da direita, mas eram mandaletes, acabaram presos e foram por ela descartados.

Aécio, um dos zumbis do PSDB, e só não foi ainda para o valo porque é do grupo dos tucanos cheirosos. Mas Jefferson é da chinelagem que a Globo nunca vai querer perto dela.

Juízes logo entrarão neste catálogo de ex-amiguinhos. A elite da direita brasileira, com o Supremo e com tudo, é ingrata e traiçoeira.

As instituições republicanas estão funcionando perfeitamente


Reinaldo Del Dotore

Moro nega ouvir Tacla Duran, que supostamente tem informações que desmontariam a ação contra Lula.

Em outras palavras: juiz não permite a participação, no processo, de testemunha da defesa.

Mas as instituições republicanas estão funcionando perfeitamente, o Estado Democrático de Direito está preservado e a Constituição Cidadã é respeitada.

E o exército vai acabar com a violência no RJ, e vamos ganhar da Alemanha por 8 X 1.

O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil


Luis Felipe Miguel

O infernal looping da lógica golpista:

A prova de que estamos numa democracia é que pode ter um curso na universidade dizendo que não estamos numa democracia. Logo, o curso é mentiroso e tem que ser proibido!
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Um site aqui de Brasília publicou a ementa da minha disciplina sobre o golpe e vários jornais correram à UnB para pedir posição sobre este "absurdo" - começando pelo pasquim fascistoide do Paraná, especializado no ataque à universidade pública.

Não vejo nenhum sentido em alimentar a falsa polêmica que querem abrir. Pedi à assessoria de comunicação da universidade que encaminhasse, de minha parte, apenas a seguinte observação:

Trata-se de uma disciplina corriqueira, de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais, que não merece o estardalhaço artificialmente criado sobre ela. A única coisa que não é corriqueira é a situação atual do Brasil, sobre a qual a disciplina se debruçará. De resto, na academia é como no jornalismo: o discurso da "imparcialidade" é muitas vezes brandido para inibir qualquer interpelação crítica do mundo e para transmitir uma aceitação conservadora da realidade existente. A disciplina que estou oferecendo se alinha com valores claros, em favor da liberdade, da democracia e da justiça social, sem por isso abrir mão do rigor científico ou aderir a qualquer tipo de dogmatismo. É assim que se faz a melhor ciência e que a universidade pode realizar seu compromisso de contribuir para a construção de uma sociedade melhor.

Agradeço as centenas de mensagens de solidariedade que recebi nas últimas horas. Diante da ameaça de censura à disciplina que estou oferecendo e das tentativas de intimidação, é essencial saber que conto com o apoio de tantas pessoas, que não necessariamente concordam com minhas escolhas políticas ou acadêmicas, mas que coincidem no entendimento de que a universidade é lugar de liberdade e de debate.

Agradeço, em especial, à Universidade de Brasília, que não hesitou em reafirmar seu compromisso "com a liberdade de expressão e opinião - valores fundamentais para as universidades, que são espaços, por excelência, para o debate de ideias".

(E aproveito para agradecer também todos os que sugeriram temas e textos para aprimorar o curso. Será difícil acomodar mais do que uma pequena parte das sugestões no programa, cuja elaboração já foi um exercício de cortar e cortar conteúdo, mas certamente as dicas contribuirão para alimentar as discussões nas aulas.)

Muitos têm também sugerido formas de ampliar o alcance da disciplina, como transmissão online ou aulas em espaços abertos. Entendo o objetivo, mas penso que, no momento, o principal é reafirmar que se trata de uma disciplina normal, a ser ministrada normalmente na universidade. Ela não é um acontecimento político - exceto, claro, no sentido de que o processo de ensino e aprendizagem é sempre um ato político.

O que não impede que eu contribua para a difusão do debate, dentro e fora da UnB, para além das aulas que ministrarei ao longo do semestre. Caso seja possível, divulgarei depois parte do conteúdo do curso, para circulação mais ampla. Sandra Helena sugeriu uma versão "pocket", para ser ministrada como minicurso em outras universidades, o que seria bacana se fosse viabilizado. Letícia Sallorenzo tomou a iniciativa de reunir os textos do curso numa pasta virtual (obrigado!) .

A divulgação do programa foi feita, como sempre faço a cada início do semestre, a fim de dar clareza do conteúdo a eventuais interessados. O alvoroço surgiu com a publicação de uma reportagem alarmista, por um pequeno site de notícias aqui de Brasília. Talvez seja só coincidência, mas há poucos dias recusei um convite para escrever - de graça - para este mesmo site.

O conteúdo da disciplina não é diferente daquilo que tem sido discutido por muitos colegas interessados em compreender o Brasil atual. O que causou reboliço foi o uso da palavra "golpe" já no título da matéria. Tenho razões, que creio muito sólidas, para sustentar que a ruptura ocorrida no Brasil em 2016 se classifica como golpe. Tenho discutido e continuarei discutindo essas razões com estudantes e com colegas, nos espaços do debate universitário, e com a sociedade civil, em minhas intervenções públicas. Não vou, no entanto, justificar escolhas acadêmicas diante de Mendonça Filho ou de seus assessores, que não têm qualificação para fazer tal exigência.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Cuidado com o que crias


A foto do dia



Mãos que se encontram na antiga colônia de hansenianos na cidade de Betim, em Minas Gerais.

A burrice abunda


Tatiana de Camargo Aranha Neves

295.200 é o número de compartilhamentos de um vídeo em que Marco Antonio Villa, comentarista da Jovem Pan, aparece como sendo o Comandante do Exército.

Pelo menos 295.200 pessoas não fazem a menor ideia de quem é o Comandante do Exército.

Pelo menos 295.200 pessoas não sabem quem é Marco Antonio Villa.

Pelo menos 295.200 pessoas compartilham qualquer merda na internet e acreditam nela.

Pelo menos essas 295.200 pessoas votam.

Eternas alegorias de escola de samba.

Aperfeiçoando as instituições

As bocas da direita


Moisés Mendes

Seu Mércio me manda pelo WhatsApp isso que viu num site especializado em pessoas feias em todos os sentidos.

O site diz que a direita faz bocas que ninguém vai encontrar na esquerda. No mundo todo.

As bocas da direita são às vezes assustadoras, quase sempre com as extremidades viradas para baixo. É algo impositivo, que passa arrogância, soberba e insegurança.

Outros são apenas bocas-moles mesmo. Seu Mércio acha que é alguma coisa Lombrosiana.

Ele me informou que há estudos também sobre os narizes grandes da direita.

Imprensa brasileira quer o monopólio da mentira


Camilo De Oliveira Aggio

Para sermos francos, sinceramente, não consigo comprar a justificativa oficial da imprensa brasileira no que diz respeito à enorme preocupação frente as ameaças das ditas Fake News para a democracia, em geral, e para resultados eleitorais, em específico.

Para variar, nossa grande imprensa sustenta um argumento principialista, opondo as "notícias falsas" a um jornalismo sério, sempre em busca da imparcialidade, da objetividade e do pluralismo. Um jornalismo a serviço dos preceitos, princípios e prática democráticas contra a ameaça de conteúdos enviesados, tendenciosos e falaciosos.

Mais notadamente, destaca-se a decisão de Folha de não mais publicar notícias neste site, Facebook, que, segundo a própria, mudou seu algoritmo em favor das fake news, em detrimento do jornalismo democrático.

Por que não compro as justificativas? Primeiro porque a ideia de que a nossa grande imprensa zela por um jornalismo deontológico, comprometido com as notícias e a representatividade da pluralidade de opiniões e posições no debate público é uma falácia de fazer tremer qualquer nível de bom senso, inteligência unicelular e vertiginosa distração.

A imprensa brasileira tem agenda. E isso remonta, no mínimo, em níveis desavergonhados, os eventos relacionados à Lava-Jato, ao longo processo de deposição de Dilma, à posse e governo de Michel Temer e nossa presente realidade.

Dúvidas? Basta verificar o pluralismo da cobertura no que diz respeito à reforma da previdência, à reforma trabalhista, por exemplo. Temos campanha, não cobertura. E isso apesar das enorme controvérsias e posições adversárias largamente disponíveis na esfera pública que encontra reverberação em veículos alternativos (não me refiro aos ultra-partidarizados) e nos sites de redes sociais.

Poderia mencionar mais exemplos, como os tratamentos diferenciados dados a casos idênticos, como a certeza das intenções da conversa entre Lula e Dilma e a "inconclusão" da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista nos porões do Jaburu, de foto de Lula como iconografia da prisão de um Senador, poderia passar o dia dando exemplos inquestionáveis, mas lembrarei de Luciano Huck.

Como pode uma imprensa rogar para si alguma superioridade face às Fake News quando estampa em sua capa notícia de que a popularidade de Luciano Huck subiu enquanto candidato à presidente, sendo que a pergunta feita era: "Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor(a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no país"

Como disse Fernando de Barros e Silva na Piauí há alguns meses: "Huck, que não é político, bombou. Pergunto se essa operação não pode ser enquadrada na categoria das fake news. O jornalismo profissional não está ameaçado apenas pela selvageria das redes sociais"

A grande imprensa não está preocupada com o profissionalismo que se espera de uma jornalismo simpático à democracia.

A grande imprensa está preocupada com a concorrência. Está preocupada com a possibilidade de não ser a única, com poder de inserção, a tentar fazer popularizar as agendas que lhe interessam, incluindo candidaturas. Está preocupada com a reserva de mercado.

Arábia Saudita, lá vamos nós!


Humberto Capellari

Carro dos 30 ovos por 10 reais passa, alto-falantes anunciando o produto. A música de fundo é algum tipo de hino evangélico.

Uma panificadora botou neons na fachada do estabelecimento, perto dos luminosos.
Mensagem dos neons: "Jesus te ama".

Arábia Saudita, lá vamos nós.

E não, vocês não são melhores que ninguém por demonstrarem sua fé, ou melhor, usar sua suposta fé para ganhar dinheiro.

Isso é um diferencial positivo apenas pros fanáticos religiosos, cada dia mais numerosos no Bananal.


Vergonha mundial



Será que os policiais vão inspecionar as mochilas da Osklen em Ipanema e no Leblon?

Tiriricas de farda

O mais inteligente é o do meio.
Fernando Horta

Há algum tempo venho tocando nesta tecla ...

As pessoas precisam parar com as explicações "conspiratórias", aquelas que enxergam maquinações de dezenas de agentes colocados em uma cadeia de ordem de comando e disciplina exemplares. Isto não existe, nem no exército.

Temer não é o resultado calculado do golpe. Muito pelo contrário, Temer é a demonstração de que as coisas não são "conspiratórias".

Uma série de agentes interessados em benefícios próprios vem atacando a democracia brasileira desde 2013. Existem os agentes nacionais e os internacionais e eles pouco mais tem do que uma visão geral ideológica sobre como agirem e talvez algumas reuniões.

Temer tenta salvar a sua pele. A sua e da velha casta corrupta deste país. Casta que não é a única corrupta, mas é a mais antiga. Composta por Sarney et caterva. Lembrem-se que este grupo se consolida exatamente durante o regime militar.

De um modo geral, os oficiais do exército brasileiro são muito mal preparados. São intelectualmente malformados e o exército não tem uma forma de promoção que privilegie a capacidade de pensar, criticar e tomar decisões cujo embasamento seja mais amplo do que seu quartel. As formas de promoção são obedecer, submeter-se, realizar o que é pedido... enfim, o exército brasileiro é uma instituição em que armas são dadas a quem obedece um pequeno número de altos oficiais que se acreditam inteligentes e capazes.

Isto produz um efeito-manada de aberrações intelectuais de cima a baixo. Qualquer um que tenha acesso às listas de e-mails de oficiais do exército tomará um susto, não apenas com o conteúdo fascistoide, mas com o desprezo que eles têm pela vida civil, pelas leis civis e pelas regras civis. O que inclui a democracia.

Assim, cada general tem uma linha de apoio quase cego abaixo de si. Formada exatamente pelo que os exércitos modernos o tempo todo tentam evitar: relações de subordinação pessoal. No Brasil, por má formação e mau manejo da instituição, o exército virou uma briga de generais e seus grupos de apoio. Politicagem idêntica a qualquer partido, mas escondida sob fardas, palavras de ordem e outras bobagens ditas em voz alta e com sapatos lustrados.

Temer não deu um golpe apenas em Dilma, deu também agora em Villas Boas. O que Temer fez agora, ele tentou fazer em Brasília. Instalar um "comando de fato" em uma cidade com alguma desculpa. No caso do RJ foi a "segurança". Fazendo isto, Temer empodera a sua facção, os fascistoides como Etchegoyen que há muito tentam dar o golpe no Brasil. E como o pai dele, não o fará pensando em democracia ou povo.

Villas Boas prometeu a si e a seus subordinados que o exército não se envolveria "em nenhum dos lados" e faz um tremendo esforço pessoal (ele está muito doente) para ir até as eleições, não permitindo que Temer e ala fascistoide tomem o exército. Ocorre que Temer tomou a atitude da intervenção no RJ sem consultar os militares e jogou no colo de Villas Boas um tremendo problema. A "desculpa" da segurança foi tramada junto com a Globo (outra que só existe por causa da ditadura e tenta voltar a se beneficiar dela).

A Globo já tinha tentado colocar Villas Boas contra a tropa no caso do General Mourão. Basta vocês verem a entrevista dada ao Bial, onde subitamente o jornalista teve uma febre de profissionalismo (que não tem há 25 anos) e "apertou" o general exigindo uma "ação" contra Mourão. O objetivo era atacar a legitimidade do comandante. Temer fez o mesmo.

Desde dezembro do ano passado oficiais militares vem propagando esta versão do "descontrole" da segurança pública. Oficiais de "inteligência" do exército. O objetivo era ter a carta na manga para "endurecerem" e colocarem tanques e tropas na rua. Temer viu nesta oportunidade a única chance que tem de se salvar. Especialmente depois de Barroso ter dado o puxão de orelha em Segóvia sobre o arquivamento dos processos contra Temer.

Com as instituições inoperantes, o STF transformado numa instância de submissão a imbecilidades interessadas, o Congresso comprado (eleito por efeito das ondas de propaganda conservadora), falta apenas Temer empoderar a ala fascista do exército e ele e os corruptos sairão incólumes, entregando o que quer que precisem das riquezas do país ou da sua soberania e democracia.

Villas Boas não é, pois, o inimigo. É alguém que a esquerda deveria tentar fortalecer. Ele é a única barreira que Temer não conseguiu transpor até agora. O plano é forçá-lo a sair ou, como ele não aceitou, colocá-lo contra a tropa. O grande mentor disto tudo é certamente Temer e Etchegoyen. Este sim é a epítome do fascismo brasileiro. Não nega as origens familiares.

Edit1: eu ia colocar os links para as diversas entrevistas dadas, mas não vou fazer o favor de dar publicidade para eles.

Qual seria a aparência de Ciro Gomes se fosse do gênero oposto?


Do DCM

Entrevista de Lula para a Rádio Itatiaia de Belo Horizonte




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