segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O papel criminoso de parte da esquerda no golpe

Vinícius Augusto Pontes

Não se pode perder de vista a perspectiva histórica: a esquerda acadêmica, aquela que vale apenas 0,20 centavos, um curso de ciranda na FFLCH, no bosque da UFSC e um bondinho de Santa Teresa, é tão culpada por este golpe e pelo clima fascistoide que tomou conta da sociedade quanto os setores conservadores da mesma.

Não se esqueçam que enquanto o país atingia o pleno emprego, era retirado do mapa da fome, tinha uma taxa de juros de 7%, 1 trilhão de reais de reservas cambiais e se dava ao luxo de baixar a conta de energia em 17% para consumo residencial, essa esquerda acusava o "lulopetismo" de "peleguismo", e exaltava o FHC como grande ícone cult por defender a legalização da maconha.

Lindbergh Farias: eu acuso


O que a classe média brasileira gosta

Mariana Patrício

Aécio Neves, homem branco, ligado ao tráfico de drogas, com sei lá quantas citações na lava jato é o que a classe média brasileira gosta. O patrão, o patão, aquele que tem direito a roubar, porque tudo lhe pertence, aquele a quem devemos servir, aquele de quem devemos apanhar. A ele sim, devemos tudo. Viva os políticos corruptos, homens ricos e brancos desse país, nossos donos, nossos patrões, a eles tudo!

TV Senado ao vivo: Dilma enfrenta a escória golpista

Senadora gaúcha Ana Amélia se destaca e é considerada a mais ridícula entre os golpistas



A escolha do traje da senadora Ana Amélia (blazer amarelo, camisa verde), além de esteticamente lastimável, é sintomática.

Desde o início do presente processo golpista, milhões de "cidadãos-indignados" (que, na verdade, jamais se conformaram com o resultado das urnas) adotaram o verde-amarelo como se tivessem eles a exclusividade do amor ao Brasil.

Não. Nem a senadora nem os indefectíveis cidadãos "verde-amarelos" têm essa exclusividade. No fundo, aliás, é provável que muitos sejam indiferentes ao Brasil contanto que seus próprios interesses (ou interesses que acham que são seus) sejam atendidos.

Esta apropriação do verde-amarelo por parte do golpismo é atitude escancaradamente arrogante. Até porque, se alguma exclusividade fosse haver, ela seria, a bem da razão, de quem hoje, ao contrário, denuncia o processo golpista.

Não sejam cínicos: vocês plantaram o ódio, não queiram, agora, cordialidade


Não sejam cínicos.

- Votei em Dilma e votaria a fazê-lo se os seus oponentes fossem os mesmos.

- Não me agradou o fato de ela ter adotado a agenda neoliberal, mas isso não justifica impeachment. 

Afastar uma presidente, eleita legitimamente, sem provas concretas de sua culpabilidade é golpe. Não sejam cínicos.

- A situação econômica do país não é justificativa para remoção de uma mulher, que pode ter mil defeitos, mas é honesta. Lembrem-se que foi o esgotamento da política neoliberal de FHC que levou Lula a assumir a presidência da República, em eleições limpas, no já distante ano de 2002. Se estavam descontentes com o governo atual que esperassem 2018. Não sejam cínicos.

- Alegar que quem votou em Dilma votou em Temer não revela apenas analfabetismo político. É atestado de canalhice de quem quer se ver absolvido dos crimes que serão perpetrados pela besta fera que pariu. O PT se aliou ao PMDB e não cabia ao partido qualquer veto sobre a indicação do vice-presidente. Ninguém vota em vice e vocês sabem disso. Ou alguém imagina que votamos em um governo que teria José Serra como chanceler, entregando Pré-Sal e desmontando patrimônio público para entregá-lo a corporações transnacionais? Isso era o projeto de governo do candidato que vocês escolheram. Não sejam cínicos.

- Se não houver reforma política, qualquer presidente será refém do PMDB de Jucá e Renan. Mas discutir reforma não lhes interessa. Onde estão suas panelas, quando a democracia representativa está sendo jogada na lata do lixo? Não sejam cínicos.

- Por fim, concluo dizendo que não aceitarei argumentos dos “puros”. Daquele tipo de esquerda que encanta estudantes, mas se omitiu quando a Constituição de 1988 estava, com anuência do STF e narrativa da mídia corporativa, sendo rasgada. Não sejam cínicos.

- Não venham com discursos de conciliação ou tentativas de “serenar os ânimos”. Vocês plantaram o ódio, não queiram, agora, cordialidade. Não sejam cínicos.

Juristas classificam discurso de Dilma como "histórico"

Vermelho
Pelas redes sociais, os juristas de diversas áreas comentaram o discurso da presidenta Dilma Rousseff em sua defesa no processo de impeachment no Senado, nesta segunda-feira (29).

“Discurso histórico. A história tratará de julgar Michel Temer e seus asseclas. Aliás, o nome de Michel Temer desonra a PUC-SP, símbolo de luta pela democracia, e seu nome deve ser devidamente varrido de sua história”, afirma professor da PUC e especialista em Direito Constitucional pela Universidad Castilla-La Mancha, da Espanha, Rafael Valim.

Para ele, o interino Michel Temer “será sempre, para além de um doutrinador medíocre, um golpista, traidor da Constituição que jurou respeitar”.

O também professor de Direito Constitucional da PUC, Pedro Serrano, afirmou que, se confirmado o impeachment, o pacto da democracia estará rompido.

“A parte o absurdo jurídico e o grave ataque a democracia que, em meu entender, o impeachment significa, tenho muito receio do que pode nos reservar o futuro. A ausência de consenso social consistente quanto a sua legitimidade e adequação, abre uma ferida histórica. A democracia depende de pactos procedimentais sólidos. O nosso será, definitivamente, rompido hoje”, advertiu Serrano.

E completa: “Espero, sinceramente, que tudo se resolva bem. Mas tenho receio que essa crise política não termine aqui. Aliás, que ela se agrave doravante, em especial se a economia não recuperar e o novo governo insistir em soluções contrarias aos direitos sociais”.

Brenno Tardelli, editor do site Justificando, especializado em questões jurídicas, também classificou o discurso como “histórico”. “Mulher de fibra... A consciência de quem lutou contra o golpe está limpa”, enfatizou.

O advogado e ativista de direitos humanos Renan Quinalha destacou: “Mesóclises e "português impecável" ficam no chão com um discurso de quem sente o peso da injustiça, tem a lucidez de quem está do lado certo e ostenta dignidade de sobra para se defender. Depois desse pronunciamento histórico, quem votar a favor desse impeachment no Senado não merece nada além da alcunha de canalha golpista”.

Dilma denuncia o golpe sem poupar elite, políticos e grande mídia


Jornal GGN - No Senado, durante a fase final do julgamento do impeachment, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso firme, claro e por vezes emocionado, endereçado principalmente aos senadores indecisos, aos traidores de ocasião e aos que articularam o seu afastamento.

Denunciando o "golpe de Estado" decorrente de um impeachment sem crime fiscal comprovado, ela não poupou citações aos responsáveis pela atual ameaça de ruptura democrática: a elite econômica, a classe política derrotada nas urnas e perseguida pela Lava Jato e setores da mídia que vergonhosamente silenciaram diante das irregularidades do processo. 

O discurso começou próximo das 10h desta segunda-feira (29), com Dilma pedindo desculpas por erros que cometeu em sua gestão. "Acolho essas criticas com humildade, até porque como todos eu também cometo erros e tenho defeitos. Mas entre meus defeitos não está a covardia", disparou Dilma.

"Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos a prisão. Vi companheiros sendo violentados e sendo assassinados. Na época, eu era jovem, tinha muito a esperar da vida, e tinha medo da morte e das sequelas da tortura na minha alma e no corpo. Mas não cedi. Resisti. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia", disse, numa tentativa de atingir os senadores que a abandonaram ou "sucumbiram às benesses" oferecidas pelo governo interino em meio ao processo.

Em outra passagem, ela disse que "se alguns rasgam o seu passado e se rendem às benesses do presente, que respondam à sua consciência. A mim, resta lamentar pelo que se tornaram. E resistir. Finquemos o pé no lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace, de novo, nos engolir."

OS AGENTES DO GOLPE

Dilma disse que fez questão de ir ao Senado, olhar cada um de seus juízes nos olhos, porque tem a "serenidade" de quem não cometeu nenhum crime de responsabilidade fiscal. Ela afirmou, contudo, que não poderia deixar de fazer um paralelo com o julgamento que sofreu durante a ditadura. Ambos teriam um ponto em comum: ao seu lado, no banco dos réus, sentou-se a democracia.

Para Dilma, o impeachment é desdobramento de um atentado à soberania popular. "Sempre que o interesse da elite econômica e politica é ferido nas urnas, conspirações são tramadas resultando em golpe de Estado", pontuou. "Trata-se de ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira."

A presidente lembrou que a instabilidade gerada em seu governo nasceu no dia em que o PSDB de Aécio Neves foi derrotado nas urnas. Desde então, inúmeras ações para impedir que Dilma tivesse governabilidade foram deflagradas, de contagem de votos a pedidos de investigação nas contas de campanha. Até que os derrotados nas urnas encontraram nos alvos da Lava Jato um grande aliado para encampar o impeachment. 

Citando a inércia e a pauta-bomba criada pela maioria oposicionista que se forjou no Congresso, que só passou a analisar matérias econômicas quando o impeachment já caminhava para o Senado, Dilma disse que "foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade propício ao impeachment sem crime de responsabilidade.”

Ela também citou as chantagens de Eduardo Cunha (PMDB), que deflagrou o impeachment após não prosperar sua exigência para que o PT o ajudasse a impedir a cassação do mandato no Conselho de Ética. "Nunca aceitei na minha vida ameaças e chantagens. Se não o fiz antes, não o faria sendo presidente", disse Dilma. Ela também disparou, indiretamente, contra o governo do interino Michel Temer (PMDB), que ajuda Cunha a adiar ao máximo sua cassação em plenário. "Quem age para poupar ou adiar a condenação de uma pessoa que é acusada de corrupção, cedo ou tarde pagará o preço de sua falta de compromisso com a ética."

OS MOTIVOS PARA O GOLPE

Dilma afirmou que ficou claro ao longo do processo que querem tirá-la do poder pelo "conjunto da obra", algo que é conferido apenas ao povo e apenas durante as eleições. 

Os alegados crimes fiscais guardam controvérsias, inclusive porque o Ministério Público Federal concluiu, após uma investigação sobre seis tipos de pedaladas fiscais, que não houve dolo, nem afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal, nem desrespeito ao Congresso. Sobre os créditos suplementares, Dilma apontou que o Tribunal de Contas da União convenientemente classificou como irregulares meses após o seu uso por Dilma, que seguiu os passos de seus antecessores no Planalto.

Além disso, a presidente citou a revelação, no primeiro dia do julgamento no Senado, de que o procurador do MP junto ao TCU que arquitetou o pedido de impeachment com base em crime fiscal foi considerado "suspeito" pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, por militar contra o PT. Além disso, ele foi assessorado por técnico do TCU que, posteriormente, foi o responsável por dar um parecer alegando irregularidades nos atos de Dilma. "Fica claro a parcialidade na construção das teses por eles defendidas", disse a presidente.

O QUE ESTÁ EM JOGO

Dilma citou que "o que está em jogo no impeachment não é o meu mandato, é o respeito às urnas, à soberania do povo, à Constituição, às conquistas sociais dos últimos 13 anos". O que está em jogo com a sua saída do governo é a entrega do pré-sal, o desmonte de programas federais, a inserção do Brasil no contexto internacional.

Dilma se emocionou pela primeira vez ao dizer que a auto-estima do brasileiro, que resistiu, em 2014, "aos pessimistas de plantão", também estava em jogo, assim como a auto-estima daqueles que acreditaram na capacidade do Brasil realizar "com sucesso" a Copa do Mundo e as Olimpíadas. 

Tudo isso está em jogo, disse Dilma, desde o momento em que Michel Temer assumiu o comando do País e adotou um programa de governo que não foi aprovado nas urnas.

A APARÊNCIA DE LEGALIDADE

Dilma também rebateu o argumento de que o processo de impeachment é legal porque o STF ditou as regras e acompanha desde o início. "Esse processo está marcado do início ao fim por absoluto desvio de poder. Tem se afirmado que o processo é legítimo, porque ritos e prazos foram respeitamos. Mas para que seja feito justiça, a forma não basta. É preciso que o conteúdo seja justo, e jamais haverá justiça nessa condenação. Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião dos julgadores é registrado e divulgado na imprensa sem que a defesa tenha sido exercido. O direito de defesa é exercido formalmente, mas não é apreciado em sua essência."

AS ACUSAÇÕES

Nos minutos finais, Dilma dedicou-se a desmontar as teses de que cometeu crime de responsabilidade fiscal. Citou decisão do Ministério Público Federal, que se negou a dar continuidade a uma investigação por entender que não houve dolo, nem crime e tampouco desrespeito ao Congresso nas pedaladas fiscais. Também recordou que outros presidentes editaram a abertura de créditos suplementares e nada foi feito. O Tribunal de Contas da União só considerou essa atitude irregular meses após Dilma já ter seguido os passos de presidentes que a antecederam.

Para a presidente, as alegações da acusação são frágeis e por isso mesmo configuram um golpe.

RENÚNCIA E MORTE

Dilma comentou que não renunciou apesar de toda a especulação sobre isso porque tem compromisso com a democracia. Ela fez uma fala endereçada às mulheres, que a ajudaram a atravessar os dias de isolamento no Alvorada. "Elas me cobriram de flores e solidariedade."

Ao final, Dilma disse que "cassar meu mandato é me condenar à morte política." Ainda sobre morte, ela comentou que "por duas vezes, vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a coisas que me faziam duvidar da humanidade, e quando uma doença grave podia encurtar minha existencia. Hoje, eu só temo a morte da democracia."

Aos indecisos, Dilma disse ainda que no presidencialismo, condenação política exige crime de responsabilidade cometido "dolosamente e comprovado de forma cabal". "Lembre-se que esse precedente pode prejudicar outros governantes. Condenar sem provas, condenar um inocente, esse é o precedente."

Ao final de sua fala, o senador Aloysio Nunes (PSDB), líder do governo Temer no Senado, tentou obter direito de resposta pelas citações aos "derrotados nas urnas", mas Lewandowski não permitiu, alegando que Dilma não fez ataques pessoais.

Dilma demole golpistas no senado

PRESIDENTA DILMA, DEMOLIDORA

"Este foi um discurso muito poderoso. Ela foi extremamente emocional e, ao mesmo tempo clara, cristalina. Diga-se, uma façanha para alguém que não é mestre em retórica. Fatos irrefutáveis foram apresentados em todos os detalhes. As - farsescas - acusações foram totalmente desacreditadas."

"Meu único medo é a morte da democracia" (Dilma Rousseff); esta foi a linha trabalhada para ser lembrada pela História em caso de cassação.

- Jornalista internacional Pepe Escobar (especializado em geopolítica)

Fonte

Poemas inéditos de Temer revelam novas facetas do interino

Gregorio Duvivier 

POÉTICA

Chamar-me-ão de vampiro
De golpista ou morto-vivo
Chamar-me-ão de mordomo
Ou de vice decorativo
Alguns me chamam de Drácula
Outros usam Nosferatu
Alçaram-me à presidência
Pra acabar com a Lava Jato
Confessar-vos-ei meu nome
Antes que eu me vá embora
Meu segundo nome é Temer
Meu primeiro nome é Fora

O CASAL MAIS SHIPPADO

Como é bom se apaixonar
Somos feito carne e unha
Dos crimes que cometeu
Sou parceiro e testemunha
Sempre soube aceitar
tudo aquilo que eu propunha
Qualquer dia vou mudar
Meu nome pra Michel Cunha

O INVERNO NO JABURU É QUASE GLACIAL

A Marcela não gosta desse lar
Como é duro morar no Jaburu
Michelzinho não posso mais buscar
Como é duro morar no Jaburu
Tiraram de perto de mim Jucá
Como é duro morar no Jaburu
Como é duro
como é duro
Como é duro e triste
morar no Jaburu
Se tristeza tem um nome
O teu nome é Jaburu

ROUBA, MAS NÃO ERRA CONCORDÂNCIA

Tirar-vos-ei os direitos
Roubar-vos-ei com afeto
Matar-vos-ei pelas costas
Foder-vos-ei pelo reto
Bandido bom é bandido
que tem português correto

CONFISSÃO

Preciso contar um segredo
depois saio de fininho
Quem escreveu esse livro
não fui eu, foi Michelzinho

Íntegra do discurso de Dilma Rousseff perante os golpistas do senado em defesa da Democracia

Ouça aqui:


Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal Renan Calheiros,
Excelentíssimas Senhoras Senadoras e Excelentíssimos Senhores Senadores,
Cidadãs e Cidadãos de meu amado Brasil,

No dia 1° de janeiro de 2015 assumi meu segundo mandato à Presidência da República Federativa do Brasil. Fui eleita por mais de 54 milhões de votos.

Na minha posse, assumi o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, bem como o de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.

Ao exercer a Presidência da República respeitei fielmente o compromisso que assumi perante a nação e aos que me elegeram. E me orgulho disso. Sempre acreditei na democracia e no Estado de direito, e sempre vi na Constituição de 1988 uma das grandes conquistas do nosso povo.

Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.

Nesta jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade.

Até porque, como todos, tenho defeitos e cometo erros.

Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.

Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti. Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.

Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça.

Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.

Aos quase setenta anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram.

Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.

Por isso, diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio.

E por isso, como no passado, resisto.

Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito.

Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram.

E resistir. Resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir.

Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar.

Muitos hoje me perguntam de onde vem a minha energia para prosseguir. Vem do que acredito. Posso olhar para trás e ver tudo o que fizemos. Olhar para a frente e ver tudo o que ainda precisamos e podemos fazer. O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos.

Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E é por ter a minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que fiz, no exercício da Presidência da República que venho pessoalmente à presença dos que me julgarão. Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade. Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.

Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment.

No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, e não existiam razões jurídicas para uma destituição legítima, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado.

O Presidente Getúlio Vargas, que nos legou a CLT e a defesa do patrimônio nacional, sofreu uma implacável perseguição; a hedionda trama orquestrada pela chamada "República do Galeão, que o levou ao suicídio.

O Presidente Juscelino Kubitscheck, que contruiu essa cidade, foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe, como ocorreu no episódio de Aragarças.

O presidente João Goulart, defensor da democracia, dos direitos dos trabalhadores e das Reformas de Base, superou o golpe do parlamentarismo mas foi deposto e instaurou-se a ditadura militar, em 1964. Durante 20 anos, vivemos o silêncio imposto pelo arbítrio e a democracia foi varrida de nosso País. Milhões de brasileiros lutaram e reconquistaram o direito a eleições diretas.

Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.

As provas produzidas deixam claro e inconteste que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos, embasados por uma frágil retórica jurídica.

Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment. O autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. Soube-se ainda, pelo depoimento do auditor responsável pelo parecer técnico, que ele havia ajudado a elaborar a própria representação que auditou. Fica claro o vício da parcialidade, a trama, na construção das teses por eles defendidas.

São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por meio de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, um governo legítimo, escolhido em eleição direta com a participação de 110 milhões de brasileiros e brasileiras. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas.

São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador.

A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.

Fui eleita presidenta por 54 milhões e meio de votos para cumprir um programa cuja síntese está gravada nas palavras "nenhum direito a menos".

O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição.

O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos: os ganhos da população, das pessoas mais pobres e da classe média; a proteção às crianças; os jovens chegando às universidades e às escolas técnicas; a valorização do salário mínimo; os médicos atendendo a população; a realização do sonho da casa própria.

O que está em jogo é o investimento em obras para garantir a convivência com a seca no semiárido, é a conclusão do sonhado e esperado projeto de integração do São Francisco. O que está em jogo é, também, a grande descoberta do Brasil, o pré-sal. O que está em jogo é a inserção soberana de nosso País no cenário internacional, pautada pela ética e pela busca de interesses comuns.

O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população.

O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais.
Senhoras e senhores senadores,

No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.

Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo "conjunto da obra". Quem afasta o Presidente pelo "conjunto da obra" é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo Governo interino e defendido pelos meus acusadores.

O que pretende o governo interino, se transmudado em efetivo, é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos.

Desvincular o piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social. O resultado será mais pobreza, mais mortalidade infantil e a decadência dos pequenos municípios.

A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade.

Conquistas importantes para as mulheres, os negros e as populações LGBT estarão comprometidas pela submissão a princípios ultraconservadores.

O nosso patrimônio estará em questão, com os recursos do pré-sal, as riquezas naturais e minerárias sendo privatizadas.

A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria.

Senhor Presidente Ricardo Lewandowski, Sras. e Srs. Senadores,

A verdade é que o resultado eleitoral de 2014 foi um rude golpe em setores da elite conservadora brasileira.

Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment.

Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço.

Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo.

Só é possível compreender a gravidade da crise que assola o Brasil desde 2015, levando-se em consideração a instabilidade política aguda que, desde a minha reeleição, tem caracterizado o ambiente em que ocorrem o investimento e a produção de bens e serviços.

Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o País. O que se pretendeu permanentemente foi a afirmação do "quanto pior melhor", na busca obsessiva de se desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos desta questionável ação política para toda a população.

A possibilidade de impeachment tornou-se assunto central da pauta política e jornalística apenas dois meses após minha reeleição, apesar da evidente improcedência dos motivos para justificar esse movimento radical.

Nesse ambiente de turbulências e incertezas, o risco político permanente provocado pelo ativismo de parcela considerável da oposição acabou sendo um elemento central para a retração do investimento e para o aprofundamento da crise econômica.

Deve ser também ressaltado que a busca do reequilíbrio fiscal, desde 2015, encontrou uma forte resistência na Câmara dos Deputados, à época presidida pelo Deputado Eduardo Cunha. Os projetos enviados pelo governo foram rejeitados, parcial ou integralmente. Pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas.

As comissões permanentes da Câmara, em 2016, só funcionaram a partir do dia 5 de maio, ou seja, uma semana antes da aceitação do processo de impeachment pela Comissão do Senado Federal. Os Srs. e as Sras. Senadores sabem que o funcionamento dessas Comissões era e é absolutamente indispensável para a aprovação de matérias que interferem no cenário fiscal e encaminhar a saída da crise.

Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade.

Sem essas ações, o Brasil certamente estaria hoje em outra situação política, econômica e fiscal.
Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o país e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período.

Mas, a bem da verdade, as forças oposicionistas somente conseguiram levar adiante o seu intento quando outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da "sangria" de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público.

É notório que durante o meu governo e o do Pr Lula foram dadas todas as condições para que estas investigações fossem realizadas. Propusemos importantes leis que dotaram os órgãos competentes de condições para investigar e punir os culpados.

Assegurei a autonomia do Ministério Público, nomeando como Procurador Geral da República o primeiro nome da lista indicado pelos próprios membros da instituição. Não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal.

Contrariei, com essa minha postura, muitos interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive.

Arquitetaram a minha destituição, independentemente da existência de quaisquer fatos que pudesse justificá-la perante a nossa Constituição.

Encontraram, na pessoa do ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha o vértice da sua aliança golpista.

Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas, com apoio escancarado de setores da mídia, para construir o clima político necessário para a desconstituição do resultado eleitoral de 2014.

Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma "chantagem explícita" do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse para que deputados do meu partido não votassem pela abertura do seu processo de cassação.​

Nunca aceitei na minha vida ameaças ou chantagens. Se não o fiz antes, não o faria na condição de Presidenta da República. É fato, porém, que não ter me curvado a esta chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade e a abertura deste d processo, sob o aplauso dos derrotados em 2014 e dos temerosos pelas investigações.

Se eu tivesse me acumpliciado com a improbidade e com o que há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor pudor em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente.

Quem se acumplicia ao imoral e ao ilícito, não tem respeitabilidade para governar o Brasil. Quem age para poupar ou adiar o julgamento de uma pessoa que é acusada de enriquecer às custas do Estado brasileiro e do povo que paga impostos, cedo ou tarde, acabará pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.

Todos sabem que não enriqueci no exercício de cargos públicos, que não desviei dinheiro público em meu proveito próprio, nem de meus familiares, e que não possuo contas ou imóveis no exterior. Sempre agi com absoluta probidade nos cargos públicos que ocupei ao longo da minha vida.

Curiosamente, serei julgada, por crimes que não cometi, antes do julgamento do ex-presidente da Câmara, acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos e que liderou as tramas e os ardis que alavancaram as ações voltadas à minha destituição.

Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira.

Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados.

Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado.

Senhoras e Senhores Senadores,

Vamos aos autos deste processo. Do que sou acusada? Quais foram os atentados à Constituição que cometi? Quais foram os crimes hediondos que pratiquei?

A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional.

Todas essas previsões legais foram respeitadas em relação aos 3 decretos. Eles apenas ofereceram alternativas para alocação dos mesmos limites, de empenho e financeiro, estabelecidos pelo decreto de contingenciamento, que não foram alterados. Por isso, não afetaram em nada a meta fiscal.

Ademais, desde 2014, por iniciativa do Executivo, o Congresso aprovou a inclusão, na LDO, da obrigatoriedade que qualquer crédito aberto deve ter sua execução subordinada ao decreto de contingenciamento, editado segundo as normas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso foi precisamente respeitado.

Não sei se por incompreensão ou por estratégia, as acusações feitas neste processo buscam atribuir a esses decretos nossos problemas fiscais. Ignoram ou escondem que os resultados fiscais negativos são consequência da desaceleração econômica e não a sua causa.

Escondem que, em 2015, com o agravamento da crise, tivemos uma expressiva queda da receita ao longo do ano – foram R$ 180 bilhões a menos que o previsto na Lei Orçamentária.

Fazem questão de ignorar que realizamos, em 2015, o maior contingenciamento de nossa história. Cobram que, quando enviei ao Congresso Nacional, em julho de 2015, o pedido de autorização para reduzir a meta fiscal, deveria ter imediatamente realizado um novo contingenciamento. Não o fiz porque segui o procedimento que não foi questionado pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Congresso Nacional na análise das contas de 2009.

Além disso, a responsabilidade com a população justifica também nossa decisão. Se aplicássemos, em julho, o contingenciamento proposto pelos nossos acusadores cortaríamos 96% do total de recursos disponíveis para as despesas da União. Isto representaria um corte radical em todas as dotações orçamentárias dos órgãos federais. Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam suas portas, o Mais Médicos seria interrompido, a compra de medicamentos seria prejudicada, as agências reguladoras deixariam de funcionar. Na verdade, o ano de 2015 teria, orçamentariamente, acabado em julho.

Volto a dizer: ao editar estes decretos de crédito suplementar, agi em conformidade plena com a legislação vigente. Em nenhum desses atos, o Congresso Nacional foi desrespeitado. Aliás, este foi o comportamento que adotei em meus dois mandatos.

Somente depois que assinei estes decretos é que o Tribunal de Contas da União mudou a posição que sempre teve a respeito da matéria. É importante que a população brasileira seja esclarecida sobre este ponto: os decretos foram editados em julho e agosto de 2015 e somente em outubro de 2015 o TCU aprovou a nova interpretação.

O TCU recomendou a aprovação das contas de todos os presidentes que editaram decretos idênticos aos que editei. Nunca levantaram qualquer problema técnico ou apresentaram a interpretação que passaram a ter depois que assinei estes atos.

Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam a demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário, com base no mesmo procedimento adotado desde a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001?

Por ter assinado decretos que somados, não implicaram, como provado nos autos, em nenhum centavo de gastos a mais para prejudicar a meta fiscal?

A segunda denúncia dirigida contra mim neste processo também é injusta e frágil. Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito rural Plano Safra, equivale a uma "operação de crédito", o que estaria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Como minha defesa e várias testemunhas já relataram, a execução do Plano Safra é regida por uma lei de 1992, que atribui ao Ministério da Fazenda a competência de sua normatização, inclusive em relação à atuação do Banco do Brasil. A Presidenta da República não pratica nenhum ato em relação à execução do Plano Safra. Parece óbvio, além de juridicamente justo, que eu não seja acusada por um ato inexistente.

A controvérsia quanto a existência de operação de crédito surgiu de uma mudança de interpretação do TCU, cuja decisão definitiva foi emitida em dezembro de 2015. Novamente, há uma tentativa de dizer que cometi um crime antes da definição da tese de que haveria um crime. Uma tese que nunca havia surgido antes e que, como todas as senhoras e senhores senadores souberam em dias recentes, foi urdida especialmente para esta ocasião.

Lembro ainda a decisão recente do Ministério Público Federal, que arquivou inquérito exatamente sobre esta questão. Afirmou não caber falar em ofensa à lei de responsabilidade fiscal porque eventuais atrasos de pagamento em contratos de prestação de serviços entre a União e instituições financeiras públicas não são operações de crédito.

Insisto, senhoras senadoras e senhores senadores: não sou eu nem tampouco minha defesa que fazemos estas alegações. É o Ministério Público Federal que se recusou a dar sequência ao processo, pela inexistência de crime.

Sobre a mudança de interpretação do TCU, lembro que, ainda antes da decisão final, agi de forma preventiva. Solicitei ao Congresso Nacional a autorização para pagamento dos passivos e defini em decreto prazos de pagamento para as subvenções devidas. Em dezembro de 2015, após a decisão definitiva do TCU e com a autorização do Congresso, saldamos todos os débitos existentes.

Não é possível que não se veja aqui também o arbítrio deste processo e a injustiça também desta acusação.

Este processo de impeachment não é legítimo. Eu não atentei, em nada, em absolutamente nada contra qualquer dos dispositivos da Constituição que, como Presidenta da República, jurei cumprir. Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade. Nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público.

Volto a afirmar, como o fez a minha defesa durante todo o tempo, que este processo está marcado, do início ao fim, por um clamoroso desvio de poder.

É isto que explica a absoluta fragilidade das acusações que contra mim são dirigidas.

Tem-se afirmado que este processo de impeachment seria legítimo porque os ritos e prazos teriam sido respeitados. No entanto, para que seja feita justiça e a democracia se imponha, a forma só não basta. É necessário que o conteúdo de uma sentença também seja justo. E no caso, jamais haverá justiça na minha condenação.

Ouso dizer que em vários momentos este processo se desviou, clamorosamente, daquilo que a Constituição e os juristas denominam de "devido processo legal".

Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa.

Não há respeito ao devido processo legal quando julgadores afirmam que a condenação não passa de uma questão de tempo, porque votarão contra mim de qualquer jeito.

Nesse caso, o direito de defesa será exercido apenas formalmente, mas não será apreciado substantivamente nos seus argumentos e nas suas provas. A forma existirá apenas para dar aparência de legitimidade ao que é ilegítimo na essência.

Senhoras e senhores senadores,

Nesses meses, me perguntaram inúmeras vezes porque eu não renunciava, para encurtar este capítulo tão difícil de minha vida.

Jamais o faria porque tenho compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito.
Jamais o faria porque nunca renuncio à luta.

Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superados, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo País afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe.

As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.

Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso País. Diálogo, participação e voto direto e livre são as melhores armas que temos para a preservação da democracia.

Confio que as senhoras senadoras e os senhores senadores farão justiça. Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política.

Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção. Daquela época, além das marcas dolorosas da tortura, ficou o registro, em uma foto, da minha presença diante de meus algozes, num momento em que eu os olhava de cabeça erguida enquanto eles escondiam os rostos, com medo de serem reconhecidos e julgados pela história.

Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores.

Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.

Por duas vezes vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a sevícias que nos fazem duvidar da humanidade e do próprio sentido da vida; e quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado minha existência.

Hoje eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor dos nossos esforços.

Reitero: respeito os meus julgadores.

Não nutro rancor por aqueles que votarão pela minha destituição.

Respeito e tenho especial apreço por aqueles que têm lutado bravamente pela minha absolvição, aos quais serei eternamente grata.

Neste momento, quero me dirigir aos senadores que, mesmo sendo de oposição a mim e ao meu governo, estão indecisos.

Lembrem-se que, no regime presidencialista e sob a égide da nossa Constituição, uma condenação política exige obrigatoriamente a ocorrência de um crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal.

Lembrem-se do terrível precedente que a decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos. Condenar sem provas substantivas. Condenar um inocente.

Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira.

Peço que façam justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal, na vida pessoal ou nas funções públicas que exerceu. Votem sem ressentimento. O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro.

Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia.

Muito obrigada.

Dilma discursa perante o senado golpista - Ao vivo

Janaína Paschoal faz companhia a Joaquim Silvério dos Reis no lixo da história

Nelson Barbosa

De Joaquim Silvério dos Reis a história registrou ser apenas o delator de Tiradentes, o traidor de uma causa nobre para a pátria brasileira, mais nenhum outro ato ou traço de seu caráter que o destacasse no seu tempo.

Hoje viveremos o fato histórico de registrar outro nome que seguirá o mesmo rumo, e desta vez o nome de uma mulher: Janaína Paschoal, traidora da pátria e das mulheres.

A semana mais vergonhosa da nossa história recente

O crime organizado no governo 
Laura Carvalho

Está iniciada a semana mais vergonhosa da nossa história recente. Faço questão de assistir de perto pra lembrar de todos os detalhes. Seria muito mais fácil se fôssemos mesmo movidos por alguma boquinha. Os que o são já estão mobilizados por interesses imediatos nas eleições municipais ou outra coisa qualquer. Enquanto isso, nós cidadãos comprometidos com o país assistimos melancólicos ao fim da normalidade democrática, sabe-se lá por quanto tempo.

Lamento muito pelos que não escolheram o lado certo nessa história -- por covardia, miopia ou má-fé. Já não conseguem enganar o resto do mundo e certamente não enganarão as gerações que estão por vir. Estão condenados ao constrangimento, a justificar o injustificável, a desviar o olhar.

E nós saímos dignos e mais conscientes do que nunca dos podres poderes desse país. Vamos trabalhar pra reconstruir nossa democracia, dessa vez sem esquecer de livrá-la de uma vez por todas de seus velhos captores. Esse erro não vamos repetir.

Dilma enfrenta o tribunal de exceção pela segunda vez

Luis Felipe Miguel

Hoje, Dilma Rousseff vai ao Senado para, uma vez mais, ser "julgada" - e as aspas sinalizam que é de novo um julgamento que despreza a justiça.

Ela não é mais a jovem idealista que enfrentou a ditadura militar. É uma mulher madura que aceitou entrar na disputa política tal como ela é, com seu jogo de acertos e concessões. Como tantos outros, achou que esse era o inevitável preço a pagar para mudar o Brasil.

Mas, para o Brasil que não quer ser mudado, que é o Brasil dos que ganham com nossa miséria e nosso atraso, não há negociação possível. Por isso, o experimento de avanço social que começou com Lula e que Dilma prosseguiu, que para tantos de nós era tão tímido e insuficiente, aparecia como intolerável. A farsa do impeachment é simplesmente a oportunidade que surgiu para encerrá-lo e revertê-lo.

Em suma: Dilma não está sendo punida por seus erros. Está sendo punida por todas as vezes em que tentou acertar.

Se eu tivesse o poder de influir em sua fala de hoje, diria - seguindo o que várias pessoas já têm apontado - para ela aproveitar a vantagem que é não ter nada a perder. O Senado não vai restituir o mandato que lhe foi usurpado. Assim, Dilma está livre para fazer um depoimento sincero e expor a podridão da elite política e empresarial brasileira. E pode fazer isso porque tem uma segunda vantagem diante de seus "juízes": podemos lhe atribuir todos os equívocos do mundo, mas é impossível não reconhecer que ela é uma pessoa honrada. Nesse momento, essa qualidade moral é bem mais importante do que os talentos retóricos que ela não domina. Seu discurso diante do tribunal de exceção não será avaliado como peça de oratória, mas pela força que tiver sua denúncia da conspiração contra o povo brasileiro.

Não há mais saída para Lula no Brasil

Carlos Motta

Já passou a hora de o ex-presidente Lula, vítima da maior perseguição judicial-midiática da história do Brasil, tomar uma medida drástica, bem mais radical que denunciar a organismos internacionais, como a ONU, a caçada que lhe impõem seus inimigos.

Isso ele já fez, mas, pelo visto, só conseguiu açular ainda mais a matilha hidrófoba que está em seus calcanhares.

O que Lula, seus familiares e amigos mais próximos, estão passando, não é brincadeira.

Todos sabem que o golpe dos oligarcas na democracia brasileira só estará concluído quando Lula for impedido de disputar a eleição presidencial de 2018.

Para isso eles têm algumas opções:

1) Condená-lo por alguma coisa, o que parece ser a alternativa mais viável para a meganhagem, que tem forjado acusações as mais estapafúrdias possíveis contra Lula, sua família e amigos;

2) Eliminar o PT da vida política nacional, cassando o seu registro, o que não chegaria a impedir a candidatura de Lula por outro partido;

3) Matá-lo - algo que parece impensável, mas não fora de propósito, tal o grau de violência, ódio e banditismo da oligarquia brasileira.

O fato é que vão achar uma maneira de tirar Lula da disputa presidencial de 2018.

Aqui, no Brasil, ele não tem mais salvação.

Uma saída para o ex-presidente seria pedir asilo político para algum país que não tema nem os criminosos golpistas, nem os americanos, seus patrões e patrocinadores.

Fora do Brasil, Lula poderia denunciar livremente toda a violência que sofreu, contar com detalhes para o mundo como se deu o golpe no Brasil, e principalmente, liderar a resistência ao golpe.

O cerco está se apertando.

Deposta a presidenta Dilma, efetivado o interino traidor, será apenas uma questão de dias para Lula ser preso, "julgado" e condenado, com direito a toda exposição humilhante de uma mídia totalmente engajada nesse processo de levar o Brasil à Idade das Trevas.

domingo, 28 de agosto de 2016

A valiosa contribuição dos sindicatos para o golpe

Renato Janine Ribeiro

Em 2015, o governo eleito deu reajuste a professores e funcionários das universidades federais, e ainda assim Andes e Fasubra - os sindicatos dessas duas categorias - realizaram uma greve de mais de quatro meses. Não paravam de atacar o governo e o MEC. 

Isso, num quadro de crise econômica e financeira, e no caso de um governo que fazia o máximo para não cortar nos programas sociais. Tanto que deu um reajuste no começo do ano. 

Agora, já faz mais de três meses que o governo eleito foi afastado. Estamos na iminência da cassação de uma presidente que deu o melhor de si para preservar programas sociais, salários, investimentos.

Mas onde estão aquelas entidades?

Contra o governo interino, fazem elas algo comparável ao que fizeram contra o governo eleito?

O valor das pessoas se mede por seus atos (e omissões).

Objetivo do aparato jurídico-midiático é levar Lula à morte política e social


Quando Lula chegou ao poder, milhões de pessoas eram mantidos sob estado de miséria e dependência de serviços básicos, como forma de perenização do estatuto escravagista disfarçado e herdado do século XIX. Sabemos perfeitamente que em algumas funções no campo, e em outros rincões citadinos brasileiros, a baixíssima remuneração, por vezes menor que 10% de um salário mínimo, era a estratégia adotada para se manter a relação de servidão com vistas a se maximizar a produção de riqueza concentrada. Os programas sociais desestabilizaram perigosamente esta relação sócio-econômica incrustada no atraso nacional.

Quando Lula assumiu o governo, o salário mínimo era um dos mais baixos da América Latina. A valorização de quase 75% que começou com o PT trouxe a melhoria de vida de milhões de pessoas, além do acesso ao consumo, mas também mexeu seriamente na relação lucro-rendimentos do trabalhador, provocando a percepção de que dificilmente o quadro poderá ser mudado em anos. Ora, uma estrutura industrial e de serviços que cresceu sobre parcos salários foi tocada num ponto sensível, e evidentemente isso trouxe desagrado e ressentimento para certo empresariado, acostumado à comodidade dos altos ganhos sem risco.

Mesmo a classe média tradicional, que antes tinha a seu dispor serviçais com remunerações simbólicas, foi afetada (é bom lembrar que, em valores atualizados, uma empregada doméstica ganhava em média, até o início do século, cerca de 50% de um salário mínimo da época para jornadas mensais de trabalho, em regime de dedicação exclusiva). A valorização salarial - ainda que insuficiente - dos trabalhadores de base mexeu numa relação conformada sobre a desigualdade social.

Quando Lula tornou-se presidente, o Brasil mantinha relações de dependência e auto-humilhação política e econômica em relação aos EUA. A iniciativa lulista de promover a reafirmação da independência diplomática, tirando do baú o discurso nacionalista, visto por setores conservadores nacionais como daninho para os acordos de submissão remunerada entre burguesia nacional e capital internacional dominante, algo tão consolidado na história do país, trouxe apreensão, insatisfação e desejo de restabelecimento rápido do quadro anterior.

Além evidentemente de alguns afrontas evidentes às nações "capitais", com alianças Sul-Sul e negativas econômicas com relação ao petróleo e à indústria de armamentos, terem internacionalizado a aversão, em certos quadros ultraconservadores, à figura de Lula.

A redução da participação das corporações de mídia no bolo publicitário, o combate à indústria da seca, a não concessão em relação às exigências neoliberais de desregulamentação das leis do trabalho, a construção de submarinos nucleares e aquisição de jatos não americanos, a insistência na soberania da Petrobras, a "manicure que virou micro-empresária", tudo isso pode ser muito diverso, e referente a universos e questões distintas, mas compõe um quadro complexo de desestabilizações pontuais, que mexeram em estruturas relacionais históricas e que, evidentemente, mais cedo ou mais tarde iriam provocar resistências, reações, desejo de vingança.

É aí que entra o trabalho dos capatazes, mais perigosos do que o arranjo político golpista. Agentes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, e da Justiça Federal, assumiram a responsabilidade pela vingança contra Lula, e seu objetivo é basicamente garantir o seu banimento definitivo da cena política-eleitoral. Mas não só.

Engana-se quem pensa que se trata apenas da inviabilização de Lula para 2018. O objetivo destes agentes, que já não escondem a relação de promiscuidade com grandes e bilionárias corporações midiáticas, é encarcerar Lula e seus familiares, torná-lo incomunicável - como fizeram com José Dirceu.

Por seu turno, o objetivo do aparato midiático, e suas uterinas alianças com os setores que também se sentiram prejudicados por iniciativas lulistas, é o aniquilamento completo da imagem de Lula, a humilhação a mais exemplar possível, para que ninguém repita os seus feitos, a extinção da força do nome, a tortura psicológica de seus apoiadores, o fim político e social daquele que ousou mexer em estruturas que "não eram" para ser mexidas.

Não importa muito que não haja provas consistentes, que se lance mão de indiciamentos produzidos às pressas, com erros primários, que juízes escondam inquéritos, para dificultar a defesa, que policiais e procuradores vazem seletivamente informações aos "parceiros" midiáticos. Qualquer estratégia é válida para matar, politica e socialmente, Luis Inácio Lula da Silva.

Preparativos para a votação do impeachment


Estilo Temer


Adeus, democracia. Volte logo

Fernando Brito

Ela está quase porta afora.

Expulsa de casa pelos seus filhos mais pródigos: os políticos e o Ministério Público, que assumiu, sob o reinado de Sérgio Moro, a autoridade formal sobre o país, usando a Polícia Federal como sua guarda pretoriana e a mídia como sua legião romana.

A legalidade democrática vai embora, finalmente, de nosso país, depois de ter voltado, a duras penas, três décadas atrás.

Entramos num processo do qual não sabemos o fim.

Se uma presidenta eleita não teve firmeza para resistir às pressões dos políticos e dos mercados, aceitou seu jogo de chantagens e seu programa recessivo, como resistirá um governante que chega ao topo do poder à custa do compadrio generalizado e com a promessa de cortar e cortar a ação de um Estado que já é tímido e omisso em tantas das necessidades do povo brasileiro?

Os políticos e os partidos parecem não se dar conta disso, acostumados a ler a realidade através do que diz a mídia e o mercado.

Existe um outro Brasil, o qual esta gente não apenas despreza, mas que não compreende.

Que corre por debaixo, como um rio subterrâneo, da casca de realidade aparente.

Nos governos petistas, este Brasil ensaiou aparecer à superfície. Vai submergir, outra vez, sabe Deus por quanto tempo.

A destruição de Lula, que foi sua referência, é, por isso, o alvo central do projeto excludente e reacionário que volta, reconheçamos, porque as portas a ele foram abertas quando se adotou a lógica econômica anticrise que nunca funcionou e nunca funcionará, porque o Brasil não pode conviver com o atraso e a exclusão dos que pensam nele como um país para 30 ou 40% de seu povo.

Esta movimentação invisível, surda, oculta, cedo ou tarde vai aparecer e, quando aparece, é uma torrente que arranca pedaços das margens institucionais em que se tenta conte-la.

Ninguém, muito menos eu, sabe de que forma isso irá ressurgir, porque a natureza dos povos tem muito de insondável.

Os líderes são sempre menos que as massas que lideram, mas são catalizadores indispensáveis às transformações que elas geram.

Que os nossos, os que sobrevivem e os que virão, tenham a sabedoria de entender que não é deles a força, mas é do povo.

Estamos um pouco mais céticos, mas isso é bom.

Sabemos que a democracia não voltará pelas mãos dos que as enxotaram e que é preciso não perdê-la de vista, para que ela possa voltar.

Porque a causa conservadora, a que reduz o Brasil a um país chinfrim e seu povo a apenas uma parcela da população não pode viver muito tempo em presença de um regime que dá a toda a população o direito de exigir e o direito de decidir.

Senadores corruptos e suspeitos de A (Aécio) a Z (Zezé Perrella)

De A (Aécio) a Z (Zezé Perrella), a ficha suja dos espertos no “hospício” de Renan. 
Com reportagem de Pedro Zambarda

        Charge publicada no New York Times

Pela primeira vez em muitas décadas, Renan Calheiros foi honesto. Na quinta, dia 25, confessou tráfico de influência ao dizer que conseguiu, no STF, “desfazer” o indiciamento de Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo.

E, dirigindo-se a Lewandowski, admitiu a respeito da Casa que comanda: “Vamos passar para o Brasil e para o mundo a idéia de que Vossa Excelência, constitucionalmente, está sendo obrigado a presidir um julgamento num hospício”.

É uma definição precisa da situação. O destino de Dilma Rousseff está nas mãos de 81 senadores na reta final do impeachment. Ninguém faz muita questão de manter as aparências. A partida já está definida.

A palhaçada repulsiva que aconteceu na Câmara dos Deputados está se repetindo ali com doses cavalares de insanidade.

Os senadores que já se decidiram pelo impeachment respondem a acusações ou suspeitas de práticas criminosas. Com sua ficha suja, eles vão depor uma cidadã honesta.

A falsa normalidade — bem traduzida na expressão “as instituições estão funcionando” — esconde uma situação absurda. Há espaço até a advogada da acusação, Janaína Paschoal, perguntar a uma testemunha se ela achava que a Venezuela era uma democracia. Depois disso, não falta nada.

Abaixo, a folha corrida de 39 “juízes” de Dilma que entregarão o país a Michel Temer. Loucura, loucura, loucura.

1. Renan Calheiros (PMDB)

Em público, ele diz “não decidi, estou refletindo”. E dá risada. O presidente do Senado, autor de um aparte vexaminoso que atirou gasolina à fogueira dos ânimos, tem sozinho 11 inquéritos abertos contra ele. Renan é acusado de ter recebido R$ 2 milhões de Alberto Youssef para não abrir a CPI da Petrobras na Lava Jato. Na Operação Zelotes, estaria metido num esquema estimado em R$ 46 milhões.

Ainda é investigado por pagamento da empreiteira Mendes Júnior à jornalista Mônica Veloso, sua ex-amante. O caso custou-lhe a presidência da Câmara em 2007. Como ele não virou réu no processo, ressuscitou politicamente – junto com seus implantes de cabelo.

Recentemente, Renan apareceu em grampos do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, falando em “acordo” para encerrar a Lava Jato. Este é o presidente da Casa que está julgando a presidente da República por pedaladas fiscais. Renan atualmente é o segundo na linha de sucessão de Temer depois da morte política de Eduardo Cunha.

2. Romero Jucá (PMDB)

Ex-ministro do Planejamento de Michel Temer, foi um dos nove integrantes do governo interino com pendências na Justiça.

Figura manjada, líder dos governos FHC, Lula e Dilma no Senado, Jucá responde a três inquéritos por crimes contra o patrimônio, de responsabilidade, falsidade ideológica e eleitorais.

Ele é acusado de envolvimento no desvio de verbas federais em obras em Roraima. Também é investigado sobre a origem e o destino dos R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado por policiais durante a campanha eleitoral de 2010.

Outro inquérito verifica se Romero Jucá e familiares usaram “laranjas” na compra de uma TV em Boa Vista. O senador nunca esclareceu nada.

3. Aécio Neves (PSDB)

Citado na Operação Lava Jato pelo menos cinco vezes, o adversário de Dilma Rousseff nas eleições de 2014 já falava em impeachment um dia depois de sua derrota. Achou que ia se dar bem e entregou o país nas mãos de Temer e do PMDB.

Um dos delatores, o empresário Fernando Moura, falou que Aécio recebeu pelo menos um terço das propinas da Lista de Furnas, escândalo que estourou na época do Mensalão com denúncia de Roberto Jefferson.

Nos grampos de Sérgio Machado, Aécio Neves é apontado como um dos primeiros políticos do PSDB que seria prejudicado em futuras delações premiadas. Ele também foi denunciado por Delcídio Amaral, ex-líder do PT no Senado, mas não se tornou réu em nenhuma das ações.

4. Fernando Collor (PTC)

Único presidente até o momento condenado num processo de impeachment por violação da Lei de Responsabilidade Fiscal regulamentada pela lei 1.079 de 10 de abril de 1950. Foi absolvido pelo STF em 2014.

Collor tem novas denúncias contra si na Operação Lava Jato. Desde o final de 2015, é acusado de receber uma propina de R$ 26 milhões paga por Alberto Youssef Paulo Leoni Ramos e Ricardo Pessoa da UTC. O negócio teria ocorrido por intermédio da BR Distribuidora.

Homem fino e equilibrado, chamou o Procurador Geral da República Rodrigo Janot de “filho da puta” em plenário.

5. Edison Lobão (PMDB)

Ex-ministro de Minas e Energia de Dilma e senador pelo Maranhão, cria de José Sarney, Lobão surgiu nos grampos do delator Sérgio Machado por exigir R$ 500 mil mensais de pagamento de propina. O delator declarou que só podia pagar R$ 300 mil. Lobão exigiu pagamento maior por ser ministro da presidenta na época. No olho do furacão da corrupção, debandou pro lado dos golpistas.

6. Ronaldo Caiado (DEM)

Líder do Democratas no Senado, o peso pesado Caiado também teve envolvimento em escândalos de corrupção. Justo ele, talvez o campeão dos discursos moralistas contra o PT.

Foi acusado em março de 2015 de receber propina do bicheiro Carlinhos Cachoeira em pelo menos três campanhas para a Câmara Federal: 2002, 2006 e 2010. O acusador foi justamente seu ex-companheiro de partido, Demóstenes Torres, que o definiu perfeitamente: uma voz à procura de um cérebro.

A Polícia Federal afirma que investiga o parlamentar, que ainda não sofreu nenhuma condenação. Caiado ameaçou processar Demóstenes, cassado em 2012 na Operação Monte Carlo, que apurou máquinas caça-níqueis em Goiás envolvendo Cachoeira e a construtora Delta.

7. Antonio Anastasia (PSDB)

Relator do impeachment, Anastasia é invenção de Aécio Neves e ex-governador de Minas Gerais entre 2010 e 2014.

O senador é acusado de receber R$ 2 milhões das empreiteiras Andrade Gutierrez, UTC, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão e o banco BTG Pactual, todos citados na Lava Jato.

A assessoria do tucano diz que as doações foram legais e aprovadas pelo Tribunal Eleitoral. Sua equipe também diz que o grande volume de dinheiro de campanha foi necessário porque Minas é um estado “populoso”.

8. Zezé Perrella (PTB)

Aliado de Aécio Neves em Minas Gerais e personagem central do escândalo do Helicoca, Perrella é acusado de ter recebido R$ 1,3 milhão da Assembléia Legislativa para gastos pessoais entre 2007 e 2010.

O escândalo com um helicóptero carregando quase meia tonelada de pasta base de cocaína explodiu em 2013, pouco antes da campanha de Aécio para a presidência. O Helicoca estava em nome de seu filho Gustavo.

Quando ainda se declarava em dúvida, ela desapareceu depois que Gustavo Perrella foi nomeado Secretário Nacional de Futebol pelo ministro interino dos Esportes Leonardo Picciani.

9. Fernando Bezerra Coelho (PSB)

Ex-ministro da Integração Nacional de Dilma Rousseff, é suspeito de pelo menos quatro crimes: esquema de fraude a licitação, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção de autoridades federais. O caso corre em segredo no Supremo, desde uma apuração preliminar em 2008.

O ministro Luís Roberto Barroso autorizou a abertura de inquérito em junho de 2015 para apurar se o ex-ministro de Dilma está envolvido em tais escândalos. Até agora, ele não foi condenado no caso.

10. Garibaldi Alves Filho (PMDB)

Nome de carreira entre os peemedebistas, Garibaldi foi ministro da Previdência da presidente Dilma em seu primeiro mandato. Ele foi acusado de receber propinas avaliadas em R$ 250 mil da empreiteira Queiroz Galvão.

O desvio de dinheiro seria para o senador e seu filho Walter Alves, o Waltinho. A informação vazou do grampo do presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

11. Marcelo Crivella (PRB)

Ex-ministro da Pesca, o senador é sobrinho do bispo Edir Macedo da Igreja Universal. Crivella foi acusado pelo Ministério Público Federal de diversas fraudes no programa “Bolsa Pesca” com a participação de líderes sindicais, além de desviar dinheiro público para projetos sociais particulares.

Uma matéria da revista Veja publicada em 7 de maio mostrou que Marcelo Crivella teria recebido pelo menos R$ 100 mil de empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef. O parente de Edir Macedo disse que o escândalo é “preconceito contra evangélicos”.

12. Marta Suplicy (PMDB)

A petista de raiz, ex-ministra de Lula e de Dilma, que hoje concorre pela segunda vez ao cargo de prefeita em São Paulo, chegou a ser condenada por improbidade administrativa. A sentença saiu em 2014 na Justiça paulista.

Marta foi condenada por contratar, sem licitação pública, a ONG GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual) para desenvolver ações sobre planejamento familiar, métodos contraceptivos e sexualidade para os moradores das subprefeituras de Cidade Ademar e Cidade Tiradentes, ambas na zona leste. Recorreu da sentença e foi eleita senadora.

Nunca perdoou Lula e o PT por ter sido preterida no lugar de Fernando Haddad para disputar a prefeitura em 2012. A mágoa cresceu como o botox em seu lábio superior. Chegou a gritar que saiu do partido por causa da corrupção, enquanto dava as mãos para Cunha, Renan, Sarney e Temer no PMDB.

13. Cristovam Buarque (PPS)

Uma lista de ex-petistas ressentidos não estará completa sem Cristovam, cuja “indecisão” foi assunto para especulações nos últimos dias.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal o condenou em 2011 por improbidade administrativa. Ele teria usado dinheiro público em material de campanha em 1995 e foi obrigado a pagar R$ 146 mil. O político recorreu da sentença.

O jornalista e editor Luiz Fernando Emediato também fez uma acusação recente a Cristovam Buarque. Ele teria usado caixa dois em sua campanha para presidente em 2006, quando disputou com Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva.

A denúncia foi feita no Facebook e Emediato chamou Cristovam de “ególatra”.

14. Eunício Oliveira (PMDB)

Ex-ministro das Comunicações de Lula, ele foi acusado, na operação Sépsis, desdobramento da Lava-Jato, de receber R$ 5 milhões por meio de contratos fictícios para sua campanha ao governo do Ceará em 2014, além de ter sido citado em outras duas delações. Mas nenhum outro depoimento o comprometeu diretamente.

Oliveira é favorito para suceder Renan Calheiros na presidência da Casa. Rompido há 10 anos com Sérgio Machado, foi o único integrante PMDB a não ser citado nos grampos telefônicos.

15. Valdir Raupp (PMDB)

Senador foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de ter recebido R$ 500 mil da Refinaria de Manguinhos, controlada pelo empresário Ricardo Magro, que quitou suas despesas de campanha em 2010.

Os policiais encontraram notas fiscais de R$ 300 mil emitidas por aliados do peemedebista, na reta final da campanha, sem indícios de prestação de serviços para a refinaria no Rio de Janeiro. A defesa do senador, no STF, não se pronunciou no caso.

16. Dário Berger (PMDB)

Senador por Santa Catarina, Dário foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça por um caso ocorrido em 2010, quando era prefeito da capital catarinense.

Na ocasião, seu motorista, já falecido, foi preso em flagrante por policiais rodoviários federais. O veículo tinha placas frias e levava R$ 1850 em dinheiro, em notas de R$ 20 e uma de R$ 10. O veículo tinha material de propaganda de candidatos a cargos estaduais e federais.

Em 2009, o Ministério Público denunciou Dário Berger e mais nove por fraudes em licitação. A denúncia falava em irregularidades, entre 1999 e 2002, nas licitações para a construção de trechos da Avenida Beira-Mar de São José. Na época, Dário era prefeito da cidade e seu irmão Djalma Vando Berger era secretário de Obras.

17. Sérgio Petecão (PSD)

Réu num processo do Supremo Tribunal Federal aberto em 2014 por crimes eleitorais em 2016. O relator do processo é o ministro do STF Teori Zavascki.

Sérgio Petecão é acusado de participação no esquema de compra de votos em Rio Branco, no Acre, em troca de vantagens em dinheiro e outros favores. A defesa do senador afirma que a denúncia carece de indícios materiais ou atos concretos do parlamentar.

18. Benedito de Lira (PP)

O Supremo Tribunal Federal determinou o sequestro de bens do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Arthur Lira, e do seu pai, o senador Benedito de Lira, em 24 de fevereiro de 2016. Os dois são investigados na Operação Lava Jato.

Bens foram confiscados a partir de uma ordem da Polícia Federal, endossada pelo Ministério Público Federal. O bloqueio é equivalente a R$ 4,2 milhões. O filho do senador teve R$ 2,6 milhões apreendidos, enquanto Lira teve R$ 1,6 milhão de bens bloqueados.

O senador do PP foi denunciado por três delatores da Lava Jato: O doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e Ricardo Pessoa, empreiteiro da UTC.

19. Wilder Morais (PP)

Suplente que assumiu o posto do senador Demóstenes Torres, Wilder não é investigado pela Operação Lava Jato. No entanto, ele aparece num grampo comprometedor com o contraventor Carlinhos Cachoeira, denunciado em 2012.

Em escutas publicadas na Folha de S.Paulo, obtidas durante as investigações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira diz que foi responsável pela ascensão de Wilder Morais até o cargo de suplente de Demóstenes.

Os grampos levaram Cachoeira à prisão. Na gravação, Wilder agradece o apoio do contraventor. Posteriormente ele disse que a declaração foi apenas para “encerrar” a conversa no telefone.

20. Flexa Ribeiro (PSDB)

O tucano foi escolhido para a primeira-secretaria da presidência do Senado, sob Renan Calheiros, cargo apelidado entre os congressistas de “prefeito do Senado”.

Pelas mãos de Flexa Ribeiro passaram decisões sobre orçamento, uso de apartamentos funcionais, nomeações e demissões de servidores e deliberações sobre as vultosas licitações desde 2013.

Ribeiro responde a processo no STF por suspeitas de que a empreiteira Engeplan, que pertenceu ao parlamentar e era contratada do governo do Pará, tenha bancado ilegalmente a campanha de candidatos do PSDB nas eleições de 2002. O processo está nas mãos do ministro Celso de Mello, decano da corte.

No mês de novembro de 2004, Flexa Ribeiro e mais 27 empresários e políticos foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Pororoca. A PF os acusou de fraudes em licitações. As supostas fraudes aconteceram no Amapá e no Pará através da empreiteira Engeplan, que foi propriedade do tucano até o ano que ele foi detido.

21. Dalírio Beber (PSDB)

Ex-presidente da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (banco Badesc), o tucano foi figura do escândalo de fraude nas dívidas da instituição.

A Justiça chegou a decidir pela indisposição dos seus bens em 2007, junto com ex-diretores do banco. Na ocasião, o Viena Park Hotel estava penhorado e foi ajudado pelo Badesc numa operação financeira considerada fraudulenta.

22. Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

Aloysio foi vice na chapa de Aécio Neves na disputa pela presidência contra Dilma Rousseff em 2014. Em 5 de setembro de 2015, o ministro do STF Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito contra o senador com base nas declarações do empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, em delação premiada.

Pessoa apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Aloysio Nunes teria recebido R$ 300 mil de forma oficial e R$ 200 mil em dinheiro de caixa dois para sua campanha ao Senado em 2010. O dinheiro, segundo o empreiteiro, seria propina.

Como todos, Aloysio Nunes nega as acusações de corrupção da parte de sua campanha dentro da Operação Lava Jato.

23. José Aníbal (PSDB)

Suplente de José Serra, o atual chanceler, Aníbal é investigado por indícios de envolvimento no escândalo Alstom-Siemens em São Paulo.

José Aníbal foi acusado pelo executivo Everton Reinheimer, da Siemens, que relatou à Polícia Federal nomes de parlamentares que participaram do esquema de fraudes a contratos milionários da CPTM e do Metrô nos governos dos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, determinou à PF a investigação de Aníbal junto do deputado Rodrigo Garcia (DEM) no dia 6 de junho de 2014. Em fevereiro de 2015, o processo foi arquivado, apesar dos parlamentares estarem citados no depoimento de Everton.

Volta e meia Aníbal aparece em vídeos trocando sopapos com gente que o chama de “golpista”.

24. Paulo Bauer (PSDB)

Em uma gravação publicada pelo site Congresso em Foco em 2009, o então deputado licenciado Paulo Bauer admitiu que usou uma funcionária fantasma para repassar a verba para um correligionário no estado de Santa Catarina. Ele teria declarado a um ex-servidor que mandou dois assessores procurarem “uma mulher” para “emprestar seu nome”.

O esquema seria utilizar o nome da pessoa para aceitar a contratação sem ficar com o salário integralmente, de modo a que os recursos pudessem ser desviados. O salário dela, de acordo com a gravação, era repassado a um político de Bauer na região.

Uma ex-funcionária do gabinete contou que recebia sem trabalhar. Ficava apenas com o tíquete-alimentação, enquanto o restante do dinheiro repassado à chefia de gabinete do deputado. O caso foi ignorado pela Câmara dos Deputados e não comprometeu sua candidatura ao Senado.

25.  Cássio Cunha Lima (PSDB)

Acusado de compra de votos no escândalo do “Dinheiro Voador”, Cunha Lima foi alvo de investigação da Polícia Federal em esquemas de desvios de recursos e lavagem de dinheiro em sua campanha eleitoral de 2006. Tentando se livrar de ser preso em flagrante, o operador da política local, Olavo Lira, jogou R$ 400 mil do alto do edifício Concord na Paraíba.

Foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando era governador em 2008, por abuso de poder econômico e político e uso indevido de dinheiro público. Seu vice, José Lacerda Neto (DEM), também foi obrigado pela Justiça a deixar o cargo.

Justamente por isso, em 2010, foi enquadrado como Ficha Suja. No entanto, foi beneficiado pela decisão do Supremo Tribunal Federal de só aplicar a nova lei a partir das eleições de 2012. Com isso, concorreu e venceu a eleição para senador.

26. José Agripino Maia (DEM)

Agripino é alvo de duas investigações no STF. Na primeira, ele foi citado na delação premiada de um empresário do Rio Grande do Norte na qual é acusado de ter cobrado propina de R$ 1,1 milhão para permitir um esquema de corrupção no serviço de inspeção veicular do estado. Na segunda, o senador foi apontado como destinatário de propina da empreiteira OAS nas obras do estádio Arena das Dunas, em Natal, para a Copa do Mundo de 2014.

As suspeitas contra o senador do DEM surgiram em depoimentos de investigados na Operação Lava Jato, mas a PGR pediu que o inquérito não fosse remetido ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos oriundos da operação no Supremo.

Para a procuradoria, as acusações contra Agripino Maia não estão relacionadas com os desvios de recursos da Petrobras, principal linha de investigação da Lava Jato. Mas ele está enrolado com empreiteiras do esquema.

27. Ana Amélia Lemos (PP)

Candidata ao governo do estado do Rio Grande do Sul, a ex-jornalista e colunista da RBS enfrentou acusações sérias em 2014. O site Sul21 divulgou que ela era funcionária fantasma do Senado e que ela não tinha declarado em sua relação de bens uma fazenda herdada do falecido marido, o ex-senador biônico Octávio Omar Cardoso.

O caso teria acontecido em 1986 e derrubou uma das bandeiras mais moralistas de sua candidatura como governadora — de que ela não teria “esqueletos no armário”. Hoje desponta com discursos moralistas contra Dilma Rousseff.

28. Ivo Cassol (PP)

Senador do Partido Progressista, foi condenado em 2013 por fraude em licitações quando era prefeito do município de Rolim de Moura, em Rondônia, entre 1998 e 2001.

A condenação no STF foi uma pena de 4 anos e 8 meses de prisão no regime semiaberto (que permite o trabalho durante o dia fora da cadeia), além do pagamento de R$ 201.817,05.

O esquema de corrupção em Rondônia teria beneficiado cinco empreiteiras locais. Foram condenados também os réus Salomão da Silveira e Erodi Matt, respectivamente presidente e vice-presidente da comissão municipal de licitações.

29. Gladson Cameli (PP)

É o único político do Acre citado na lista do Supremo sobre suspeitos de participação no esquema de corrupção da Petrobras.

O parlamentar nega envolvimento com a empresa no escândalo e se diz surpreso com sua citação. Ele passou a ser investigado em março deste ano.

30. Magno Malta (PR)

O histriônico senador do Espírito Santo, pastor evangélico, foi indiciado em 2007 pela Polícia Federal por envolvimento no escândalo da máfia dos sanguessugas. Foi acusado de ligação com o esquema de venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras, suspeito de ter cometido crime de corrupção.

No caso, o parlamentar foi acusado de receber um Fiat Ducato para apresentar uma emenda ao Orçamento que destinaria recursos para a compra de ambulâncias. Elas seriam vendidas por Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas. Malta foi investigado numa CPI, mas não foi condenado.

Em agosto, matéria da Folha reproduziu emails de um fabricante de móveis de cozinha chamado Victor Penna Costa que comprovariam caixa 2 para Malta.

Numa das mensagens, Costa escreve: “Não existe NF, não declaramos. Veja com Lailton (tesoureiro da empresa). Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto”.

31. Vicentinho Alves (PR)

Aliado de Valdemar Costa Neto, réu condenado no Mensalão, Vincentinho acumula acusações de nepotismo em sua carreira política em Porto Nacional, Tocantins. Depois de uma faxina no Ministério dos Transportes, culminando no afastamento de Alfredo Nascimento em 2012, o senador manteve três sobrinhos na pasta.

Vicentinho Alves, conforme documento apreendido pela Polícia Federal, também foi parceiro de negócios de Costa Neto na construção de uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica) numa fazenda do senador.

32. Blairo Maggi (PP)

Apelidado de “Motosserra de Ouro”, foi alvo de um inquérito arquivado pelo STF na Operação Ararath. A suspeita era de que Maggi teria sido beneficiado quando era governador do estado com a suposta “compra” de vaga no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, responsável por fiscalizar gastos do governo matogrossense.

De acordo com o Janot, não houve indícios suficientes de crime. O caso foi arquivado por Dias Toffolli.

33. Simone Tebet (PMDB)

Em fevereiro de 2016, o juiz federal Leonel Ferreira determinou o bloqueio de bens da senadora Simone em função de possíveis irregularidades na obra de reforma do balneário de Três Lagoas (MS).

A acusação é de desvios em 2004, quando ela exercia o cargo de prefeita. A Justiça acatou o pedido do Ministério Público Federal, que alega ter existido desvio de recursos públicos para financiar campanha eleitoral. Os bens bloqueados foram equivalentes a R$ 51 mil.

34. Jader Barbalho (PMDB)

O ex-governador do Pará foi o último dos barrados pela Lei da Ficha Limpa a tomar posse no Senado. Jader teve sua candidatura indeferida por ter renunciado, em 2001, ao mandato de senador após ser acusado de desviar recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Ministério da Reforma Agrária.

O senador chegou a ser preso pela Polícia Federal sob a suspeita de integrar uma quadrilha acusada de desviar mais de R$ 1 bilhão da Sudam, do banco e do ministério. Ele foi detido em Belém, no ano de 2002.

35. Raimundo Lira (PMDB)

Líder da comissão do impeachment, o senador doou à chapa onde era suplente para o Senado, em 2010, o valor de R$ 870 mil, utilizando recursos que ele não havia incluído em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, feita no ano anterior. De acordo com o TSE, a doação foi feita em 12 depósitos em espécie.

O parlamentar alega que houve um erro de informação e que os depósitos foram feitos por meio de cheques na boca do caixa, que foram erroneamente computados pela contabilidade de campanha como dinheiro vivo. Raimundo Lira diz que não declarou o valor porque a Lei Eleitoral não o obriga a fazer isso, decisão que é controversa entre juristas.

36. José Maranhão (PMDB)

Já respondeu a oito processos no Ministério Público Federal por abuso de poder político e econômico, compra de votos, conduta vedada e uso indevido de meios de comunicação. Maranhão foi governador da Paraíba entre 1995 e 2002.

Um de seus aliados é Cássio Cunha Lima, outro político do PSDB mais sujo que pau de galinheiro.

37. Hélio José (PMDB)

Acusado de incorrer na prática de pedofilia com uma sobrinha em 2010, Hélio José saiu do PSD no final de 2015 para entrar no — isso não é piada — Partido da Mulher Brasileira (PMB).

Saiu da nova legenda no começo deste ano para entrar no PMDB. Num discurso do ano passado, disse que as mulheres trazem “alegria e prazer”.

38. Romário (PSB)

Outro “indeciso” de ocasião que mudou de ideia depois que Temer o deixou nomear o diretor de Furnas. Em junho de 2016, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal para investigar o senador Romário pela suspeita de receber caixa dois de campanha na eleição de 2014.

Segundo a investigação, a suspeita é que a empreiteira Odebrecht deu R$ 100 mil ao parlamentar.

O indício surgiu a partir de mensagens de celular trocadas entre Marcelo Odebrecht e seu subordinado Benedicto Barbosa da Silva Júnior no período eleitoral.

O Supremo também recebeu uma investigação, iniciada pela Polícia Civil do DF, que apura se ele cometeu crime ambiental ao construir quadras de futebol e de futevôlei em uma casa às margens do Lago Paranoá, em Brasília.

39. Ciro Nogueira (PP)

O doleiro Alberto Youssef informou à Polícia Federal que o senador recebeu US$ 150 mil para integrar o partido no esquema criminoso. A declaração foi feita num depoimento de 2015, no bojo das investigações da Operação Lava Jato.

Os recursos não seriam oriundos da Petrobras, mas sim do escândalo do Banestado, de acordo com o delator.
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